Archive for the 'Eu estava lá' Category

Eu estava lá: Figueirense 2×3 Avaí (2011)

Texto que publiquei ano passado no blogue gaúcho Impedimento. Vídeo do jogo pode ser visto no meu post de ontem.

Nunca antes na história deste estadinho esperou-se tanto por um clássico como por esse de domingo. Por mais que Avaí e Figueirense tivessem se enfrentado duas vezes no longínquo brasileirão de 1976 (uma vitória por 1 a 0 para cada um), na prática esse foi o primeiro confronto válido por um campeonato que reúne a elite do futebol nacional. E quiseram todos os bruxos e bruxas da Ilha da Magia que o clássico de maior visibilidade da história dos futebol mané fosse um jogo simplesmente fenomenal, em que o time que teve 30 finalizações, 57% de posse de bola, dois gols e um pênalti a favor, perdeu.

Não fossem os deuses do futebol esses brincalhões que são, eu poderia estar agora escrevendo sobre uma vitória de 5×1 do Figueirense. As estatísticas do time de Jorginho, que faz sólida campanha na Série A (está em décimo), são impressionantes – como disse, 30 finalizações (contra 12 do Avaí, menos da metade, portanto) e 57% de posse de bola. Mas há uma, e somente uma, estatística que importa no futebol: quantos gols cada time fez. O placar não reflete o que foi a partida – o Avaí foi amplamente dominado o tempo todo -, mas… quem se importa?

O Figueira abriu o placar com Ygor, de cabeça, aos 18 minutos. Seis minutinhos depois, poderia ter ampliado e, quiçá (palavra mais bonita da língua portuguesa, à frente de assaz e de deveras) aberto caminho para a “goleada histórica” anunciada por alguns de seus torcedores e outros profetas do apocalipse durante toda a semana. Mas Júlio César perdeu o pênalti.

Nessas horas a gente vê como o futebol é às vezes muito mais mente do que tática ou técnica. De um time completamente apático e derrotado mesmo antes do apito inicial, o Avaí encheu-se de brios e passou, depois do pênalti perdido pelo querido Júlio César, a encurralar o adversário. Conseguiu o empate na trigésima oitava volta do ponteiro, com gol de cabeça de Lincoln (que antes de ser jogador ganhava a vida fazendo cover de Douglas Ceconello), o estreante da noite. Buenas, mas como vida de avaiano nunca é fácil, claro que não poderíamos ir para o intervalo com o empate, mesmo tendo equilibrado o confronto. No último minuto da primeira etapa, Júlio César teve que chutar três vezes pra fazer um gol – não porque ele seja ruim, claro, é um excelente jogador e nosso ídolo.


Comemora, Júlio César, comemora…

Aí o mesmo filme de 18 rodadas anteriores passou por esta cabecinha – e pela de muitos avaianos, com certeza – durante os 15 minutos do intervalo. Esse time tosco e perdedor voltaria pro segundo tempo apático, como sempre, e levaria mais uma surra. Na volta do intervalo, constatei que é verdadeiro aquele ditado que diz assim: quando menos se espera… é que não surge nada mesmo. Os primeiros 13 minutos foram, como previsto, de um domínio constrangedor (para nós, claro) do lado alvinegro da Força. A vaca poderia ter ido com corda e tudo se Júlio César, sempre ele, não desperdiçasse chance claríssima, cara a cara com meu xará Felipe. Em vez de fazer o que fariam jogadores menos geniais, o camisa 11 do Scarpelli tentou fazer gol por cobertura. Perdeu. De novo.

A bola pune, já diz aquele técnico ranzinza que ergue uma tacinha ou outra de vez em quando. E Deus pode perdoar, mas William, não. Não riam, gremistas. O Batoré é o cara mais fodástico dos clássicos em 2011. Já fez quatro gols em quatro jogos, todos no Scarpelli. O terceiro deles, aos 14 minutos, colocou uma igualdade no placar que nem de longe refletia o que era o jogo. “Agora vai, vamos virar essa porcaria!”. Que nada. O placar mudou; a partida, não. O querido Júlio César ganhou a companhia de Somália, aquele mesmo, que se auto-apelidou de Showmália quando concedeu sua primeira entrevista como jogador do Figueirense.


Tá lá um goleiro estendido no chão!

Júlio César e Showmália perderam chances claras de fazer o terceiro gol alvinegro. Tava tão fácil que até os zagueiros Edson Silva e João Paulo foram ao ataque e também desperdiçaram oportunidades. Percebi que a sorte estava do nosso lado em dois lances em que um ser de 1,91m de muita raça e pouca técnica chamado Gustavo Bastos salvou em cima da linha o que seria o gol deles. Até a trave, este ser inanimado capaz de definir uma partida de futebol (pode bater e entrar ou bater e sair…), salvou-nos também. E eles foram perdendo gols. E perdendo gols. E perdendo gols…

Aí, meus amigos, ocorreu o lance em que comprovei meus poderes paranormais. Diogo Orlando, aquele, o amigo do Evandro Mesquita, fez jogada pela direta e recebeu falta. Vinha chuveirinho na área alvinegra. Nesse exato momento, lembrei e comentei com o camarada que estava em pé ao meu lado (assistir jogo sentado é para os fracos), o qual nunca havia visto na vida, a semelhança daquele lance com o do segundo gol de nossa vitória por 2 a 0 no clássico do estadual. Naquela noite, Diogo Orlando não ganhou uma falta, mas sim um escanteio pela direita. No cruzamento de Marquinhos, esse do Grêmio, o colombiano Estrada fez o gol. Era evidente que ia sair gol de novo, dada a semelhança dos lances. “Vai ser gol. Tenha certeza. É agora!”, disse eu essas palavras, que acredito serem inéditas em se tratando de um torcedor de futebol.

Romano, aquele que tanto elogiei no texto de Avaí 1×3 Inter, cobrou a falta. A bola foi lentamente chegando à área. Lentamente, a mal posicionada zaga do Figueirense tentava se decidir se pedia impedimento do William ou se pulava pra tentar afastar a bola. Lentamente, o Batoré pulou e só raspou o cucuruto na bola. Lentamente, ela quicou no gramado e encaminhou-se para o canto direito da meta defendida por Wilson. O goleiro lentamente atirou-se, esticou-se, mas não conseguiu alcançar a bola que, lentamente, morreu no fundo das redes.


Matador

Para quem estava no estádio, esse lance durou a eternidade de dois segundos dentro de campo e certamente durará muitos anos nas mesas de bar, nos debates esportivos, nas redes sociais virtuais e onde mais possa se discutir as histórias do clássico manezinho. Foi o lance que definiu a vitória do mais fraco sobre o mais forte, do visitante sobre o local, do time que passou o turno inteiro na zona de rebaixamento sobre a equipe que já derrotou Santos, Cruzeiro, Botafogo e Corinthians, no clássico mais esperado entre os quase 400 que Avaí e Figueirense já disputaram.

Tirando a euforia pela vitória e a gozação pra cima do Freguesense, digo, Figueirense, há que se ressaltar a qualidade do espetáculo transmitido para todo o Brasil pela TV a cabo, algo com o qual não estamos acostumados. Foi legal pra mostrar ao País um pouco do que é o maior clássico de Santa Catarina.


Avaí x Figueirense = futebol-arte

As fotos são do ClicRBS, pela ordem, de: Flávio Neves, Alvarélio Kurossu, Charles Guerra, Alvarélio Kurossu e Flávio Neves.

Eu estava lá: Avaí 2×0 Figueirense (1999)

Pouco mais de meio ano após a conquista do Campeonato Brasileiro Série C, o Avaí chegou à final do estadual de 1999 contra o rival do lado alvinegro da Força. Para alcançar a decisão, passamos pelo Criciúma numa semifinal sensacional – como esquecer o gol do Alex Rossi no finalzinho do jogo lá no Sul do Estado?

A empolgaceira dos dois lados era grande para a segunda final de Catarinense entre Avaí e Figueirense na história. Na única, em 1975, tínhamos vencido numa melhor de três jogos no Scarpelli (2×3, 3×0 e 1×0). O Figueirense tinha uma campanha melhor, e decidiria em casa e com vantagem de poder empatar na prorrogação da segunda partida, mesmo que perdesse o primeiro confronto por 100 a 0 e ganhasse o segundo de 1 a 0. Coisas da Idade da Pedra, que ainda persistiram no futebol catarinense até 2009.

Esquecendo o que aconteceu no segundo jogo, podemos dizer que aquelas duas partidas mostraram que não há clássico maior que Avaí x Figueirense em Santa Catarina. Lembro de ver Paulo Coutinho, comentarista de Criciúma na TVBV, falando que nunca tinha visto um duelo (no bom sentido) de torcidas tão impressionante quanto o do primeiro jogo, na Ressacada.

Nunca vi a Ressacada tão socada de gente como naquele dia. Na parte central das arquibancadas, onde na época ficava a Mancha Azul, todo mundo se espremia nos degraus para poder assistir à partida. Tinha duas pessoas no espaço onde só cabia uma. Fungadas no cangote e cotoveladas na hora de reclamar de um lance ou comemorar gol eram mato. Segundo o A Notícia, havia 20 mil pessoas no estádio naquela noite.

O cara daquele jogo, assim como na semifinal, foi Alex Rossi, que infernizou a defesa alvinegra com seu estilo totally crazy de jogar. Era o primeiro ano da gestão do PPP, e o Figueirense gastou um grana pra montar um bom time – melhor que o nosso, até. Mas o Alex Raça arrombou com eles. Foi dele o primeiro gol, no primeiro tempo,  e vários contra-ataques perigosos.

Doladelá, também tinha bombardeio pesado. O ataque deles, com Aldrovani e Genílson, leva perigo constante. Até pela vantagem no placar, nos defendemos mais que atacamos. No segundo tempo, aos 18 minutos, Dão aproveitou rebote de um chute de Régis (quantos ídolos no mesmo parágrafo!). A partir dali, o Avaí só cozinhou o jogo e garantiu a vitória.

O que aconteceu na volta, já sabemos. O Avaí perdeu no tempo normal por 2 a 1, o que, combinado com a vitória por 2 a 0 na ida, lhe daria o título em qualquer campeonato do mundo, menos no Catarinense. Um gol anulado na prorrogação, bolas atiradas em campo, confusão, e o árbitro aquele decidiu acabar o tempo extra sem dar acréscimos (deveria dar uns 5 minutos, no mínimo). Coincidemente, esse árbitro apitou sete jogos do Figueirense naquele estadual (seis deles no Scarpelli), com quatro vitórias alvinegras e três empates.

Mas, se algo fica de bom daquela final, foi o primeiro jogo, um partidaço. Pena que não achei vídeo.

Eu estava lá: Brusque 0x2 Avaí (2010)

Estou em viagem nesta semana. Os posts publicados foram previamente agendados.

Minha estréia no Augusto Bauer ocorreu no Catarinense de 2010. Vínhamos de perder o título do turno para o Joinville (1 a 1 na Arena) e começaríamos a luta pela conquista do returno em Brusque. Aproveitei que era domingo e fui passear no Vale.

Não sei como está hoje, dois anos depois, mas o Augusto Bauer é, sem dúvida, o estádio mais precário que já visitei. Tudo bem que o Emília Mendes Rodrigues, de Imbituba, tem (ou tinha, em 2010) contêineres sendo usados como cabine de rádio, mas não é (era) tão mal cuidado quanto o estádio brusquense. Não havia chiqueiro que se comparasse aos banheiros do Augusto Bauer. Espero que tenha melhorado. A cidade de Brusque merece mais.

Assim como em 2007 e 2008 (2009 não lembro), a torcida do Avaí compareceu em grande número a Brusque. Chuto umas 400 pessoas, pelo menos. Lotamos a parte dos visitantes e vimos o nosso time abrir o placar no primeiro tempo, com Sávio, o ídolo que nunca foi. O Leão dominou  partida, e chegou ao segundo gol na etapa final, com Batista. Foi uma vitória relativamente tranquila.

Lembro também que rimos um monte com um torcedor, daqueles bem manezinhos, que ficava inticando (eu sei que o certo é “enticar”) com os jogadores do Avaí fazendo aquecimento e com um pessoal de uma casa (parecia uma pousada) que ficava bem ao lado da arquibancada e que ficavam assistindo ao jogo dali. Não lembro bem das piadas, mas eram bons tempos aqueles em que a turma ia pro jogo do Avaí com o espírito leve e dava gargalhadas.

Curiosidade: com aquela vitória, o Avaí completou quatro anos seguidos vencendo em Brusque pelo Catarinense (houve uns jogos do time “B” pela Copinha que perdemos). Foi 1 a 0 em 2007, 2008 e 2009 e 2 a 0 em 2010.

Eu estava lá: Avaí 3×1 Atlético de Ibirama (2009)

Estou em viagem nesta semana. Os posts que forem publicados nesse período estavam previamente agendados.

O jogo entre Avaí e Atlético de Ibirama pelo Catarinense de 2009 não foi histórico, não marcou época, mas me vem à cabeça por causa de um jogador do time do Vale. Na época, ele atendia pelo nome de Leandrão e destacava-se marcando gols e formando uma boa dupla de ataque com o cabeludo Lenílson (cada um fez 8 gols). Naquela tarde, na Ressacada, Leandrão fez o gol de empate atleticano aos 23 minutos do primeiro tempo, seis depois de Evando abrir o placar.

O jogo valia muito pro Avaí, que brigava com a Chapecoense pela liderança do returno – estavam empatados em pontos até aquela rodada, a penúltima. Ainda no primeiro tempo, Evando faria o segundo dele na partida e, na etapa final, Lima fecharia o placar em 3 a 1 para o Avaí. Bons tempos aqueles em que os atacantes avaianos faziam gols.

Não sei por qual motivo, a torcida do Avaí, desde que me conheço por gente, tem preconceito contra jogadores que se destacam nos times pequenos de Santa Catarina. O cara pode vir do Oeste, do Mirassol ou da Cabofriense que ninguém reclama. Mas se vem do Imbituba, ah, coitado, vai ser vaiado no primeiro erro de passe.

“Não serve pra jogar no Avaí” ou “contra nós joga muito, mas se colocar a camisa do Avaí, não faz nada”, são algumas das bobagens repetidas aos quatro ventos, ou melhor, ao vento sul que sempre sopra na Ressacada. E foram coisas desse tipo que ouvi naquela tarde, depois de elogiar Leandrão, que incomodava bastante nossa zaga.

Meses depois, Leandrão desembarcou em Porto Alegre, para jogar no Internacional. Mudou seu nome de guerra, virou Leandro Damião, e descambou a fazer gols em 2010 e 2011. Não por acaso, chegou à Seleção Brasileira e é talvez o principal centroavante brasileiro na atualidade. Nesse meio-tempo, nós fomos de Vandinho e William com a camisa 9…

Aquela vitória contra o Atlético de Ibirama foi fundamental para o título do Avaí. Com o empate da Chapecoense em casa contra o Figueirense (2 a 2), o Avaí alcançou a liderança do returno do Catarinense 2009. Na rodada final, uma emocionante virada por 2 a 1 contra o Metropolitano em Blumenau garantiu o título do returno ao Leão, com 2 pontos de vantagem sobre o time do Oeste. De quebra, a vaga no quadrangular final. O resto nós sabemos como foi.

Eu estava lá: Avaí 2×0 Criciúma (1998)

No Campeonato Catarinense de 1998, o Avaí conseguiu a proeza de vencer os dois turnos, chegar ao quadrangular final com dois pontos de bonificação e acabar em quarto, atrás de Criciúma, Tubarão e Brusque. Mas antes disso, houve a final do segundo turno contra o Criciúma, numa partida até hoje conhecida como “o jogo em que soltaram um leão em campo”.

Aquela tarde foi bastante especial pra mim. Na época, eu jogava na escolinha do Avaí, e foi marcada uma preliminar antes da final do segundo turno entre a turma da escolinha da tarde (a minha) e a da manhã. Todo mundo que me conhece sabe que eu não jogo nada e, como um bom pereba, jogava em qualquer posição que me colocassem. Na ocasião, com 14 anos, entrei com a camisa 5, de primeiro volante, embora costumasse treinar de zagueiro na escolinha. Jogamos com a camisa toda azul, calção branco e meião branco (que eu me lembre). O time adversário entrou de camisa listrada, calções e meias azuis. O uniforme do time adversário lembro bem porque derrubei uns três deles durante o jogo.

Sempre tive consciência da minha perebice e nunca almejei de verdade ser jogador. Frequentava a escolinha mais porque gostava muito de futebol e o preço da mensalidade era baixo – R$ 5,  se não me engano. Sorte do Avaí que ninguém resolveu apostar no meu (pseudo)futebol. A preliminar teve uns 30 minutos, acho, com dois tempos (deve ter sido dois de 15). No primeiro, saímos perdendo por 2 a 0, e o melhor jogador do nosso time, o Dago, perdeu um pênalti no gol do aeroporto. Lembro até hoje da reação da torcida (já tinha bastante gente no estádio) quando ele chutou a bola por cima do travessão: uma vaia sonora, e o guri, que era muito bom, não jogou mais nada.

No segundo tempo, nosso time reagiu e acabamos empatando por 2 a 2. Agora, o dado mais impressionante é esse: não toquei na bola nenhuma vez. Mas, assim como Zagallo é tetracampeão, eu colaborei com a reação do meu time, afinal estava em campo, oras. Não foi a primeira vez que joguei na Ressacada (teve outras duas, uma antes de um clássico pela Série C em 1996 com estádio quase vazio e outra num sábado de manhã, sem público, quando atuei de lateral-direito e dei o cruzamento para um gol), mas foi a vez que teve mais gente. Depois  do jogo e de banho tomado, claro, subi as arquibancadas para assistir o jogo contra o Criciúma com minha mãe.

Aquele foi o “jogo em que soltaram um leão em campo”, como disse. Na verdade, um filhote de leão. Chegou de helicóptero, foi ovacionado pela torcida, deu algumas voltas no campo. Só tinha visto leão fazendo macaquices em circo e foi divertido ver aquele bicho correndo pelo gramado da Ressacada. Mas o melhor mesmo estava por vir.

O jogo contra o Criciúma foi muito bom, com os dois times criando chances e disputando com bastante, digamos, virilidade cada jogada. Teve lance bonito, golaço do Dão, quebra-pau entre os jogadores e vitória do Leão por 2 a 0 no final. Sérgio Araújo, ponta veterano que tinha sido destaque do Atlético Mineiro, jogou uma barbaridade naquela tarde. Na defesa, Altair anulou Marcos Paulo, aquele centroavante alto e magrelo que andava metendo gol adoidado.

A vitória pro 2 a 0 nos deu o título do returno e o segundo ponto extra para o quadrangular final. Aí, tudo começou a desandar. No fim, o Criciúma acabaria fazendo a final com o Tubarão e ficaria com o título. Pelo menos o  segundo semestre daquele ano trouxe para nós a grande conquista da Série C.

Eu estava lá: Chapecoense 2×0 Avaí (2011)

Chapecó é longe pra caramba. E foi pra lá que fiz uma viagem de voo rasteiro no sábado de Carnaval de 2011 para assistir o Avaí jogar. Saímos de Florianópolis às 6h da manhã e, depois de parar um pouco aqui, um pouco ali, chegamos a Chapecó pouco antes das 14h. Fomos em quatro pessoas – dois casais – num carro 1.0 sem ar. Coisa de guerreiro.

O jogo não valia muita coisa além dos três pontos. Era a primeira rodada do segundo turno do Catarinense. Depois de um primeiro turno horroroso (com apenas 11 pontos em nove jogos), estávamos empolgados pela volta de Silas, que havia estreado com vitória por 3 a 0 contra o Vilhena na Copa do Brasil.

Foi minha primeira, e até hoje única, partida no Índio Condá. Um estádio bacaninha, mas como sempre em Santa Catarina, com problemas de estrutura que causariam horror num cidadão do mundo civilizado (aqui no Brasil estamos acostumados a ser tratados como gado nos estádios, ainda mais na condição de visitante). Não havia banheiro (só um pipi-móvel) nem vendedor ambulante pra nos vender uma mísera água (lanche, nem pensar) numa tarde de calor infernal em Chapecó. No intervalo, os policiais deixaram as meninas irem a uma padaria na esquina compras coisas pra beber e comer e voltar ao estádio.

O jogo em si foi uma grande porcaria pra nós. A Chapecoense fez dois gols logo de cara e, também logo de cara, Bruno foi expulso. Acho que o Avaí não deu mais que dois chutes a gol em 90 minutos. O placar foi 2×0 mesmo. Não pude deixar de rir, porém, com uma criatura que vestia a camisa do GRÊMIO e ficava “xingando” nossa torcida de “seus manezinho!”. No mais, bem tranquila a torcida da Chapecoense. Fomos bem tratados.

Falando em torcida, éramos uns 30 avaianos naquela tarde. Confesso que esse número e o dado, repetido aos quatro ventos pelo nosso clube, de que temos a segunda maior torcida de clube catarinense da região Oeste (29% do total, segundo uma pesquisa), não fecham. 29% da região Oeste daria umas 200 mil pessoas. Mas só 30 foram ao Condá naquela tarde. Não entendo.

Aliás, 30 não, porque nós quatro fomos, mas não somos moradores do Oeste. Tinha mais uma turma da Leões do Vale, uns manezinhos que moram lá pros lados de Palmitos e Pinhalzinho e quatro parentes do George Lucas (irmãos e primos, se não me engano), que estreava naquela tarde, vindos de Passo Fundo (RS). O nosso ex-lateral-direito fez uma partida medonha e foi um dos mais xingados. Essa torcida corneteira não respeita nem a parentada do cara, né? Eu mesmo larguei um “Que lateral de m*%#!” antes de saber que os familiares do GL estavam ali.

Depois do jogo, comemos duas belas pizzas na ChefHaus, muito boa pizzaria na Av. Getúlio Vargas, que já conhecia de viagens anteriores a trabalho a Chapecó. Dormimos por lá e no dia seguinte passamos na sempre simpática Treze Tílias antes de voltar à Ilha. Valeu pelo passeio, já que o jogo…


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