Arquivo de junho \28\UTC 2012

História de Avaí x Vitória

Texto meu publicado originalmente no site da Conselharia Azurra

Até hoje, o Avaí enfrentou o Vitória em 10 partidas válidas por campeonatos oficiais: Série A, Série B e Copa do Brasil. Em se falando de vitórias (vou repetir muito essa palavra ao longo do texto. É inevitável), há equilíbrio: cinco para os baianos, quatro para nós e um empate. A grande diferença está nos gols marcados: 14×8 para o time do coração de Ivete Sangalo.

As maiores goleadas nesse confronto, iniciado em 1974, foram um vitória por quatro gols de diferença para cada lado: 5×1 para o Vitória na Série B de 2007 e 4×0 para o Avaí na Série A de 2009 (vídeo abaixo).

Jogando contra o Leão da Barra em Salvador, o Avaí não costuma ir bem: em cinco jogos, apenas uma vitória, quatro derrotas, dois gols marcados e 13 sofridos. Credo! Mas vai mudar neste sábado, tenho certeza.

Nesses 10 jogos disputados em 38 anos, os de maior relevância talvez tenham sido os da Copa do Brasil de 1989. Aquela foi a primeira edição do torneio, na qual o Avaí representou Santa Catarina junto com o Blumenau. A estreia foi justamente contra o Vitória, na primeira fase. Perdemos por 2×0 em Salvador, ganhamos por 1×0 em Florianópolis e fomos eliminados.

Eis um resumo da história desses 10 confrontos entre Avaí e Vitória.

Jogos: 10
Vitórias do Avaí: 4
Vitórias do Vitória: 5
Empates: 1
Gols do Avaí: 8
Gols do Vitória: 14
Maior vitória: Vitória 5-1 Avaí (12.05.2007)
Artilheiros: Muriqui (Avaí) e Sorato (Vitória), dois gols

Os jogos:

23.09.2010
Barradão – Série A
Vitória 3-0 Avaí [Júnior 3′, Elkeson 57′ e Thiago Humberto 77′]

29.05.2010
Ressacada – Série A
Avaí 0-0 Vitória

07.11.2009
Barradão – Série A
Vitória 0-1 Avaí [William 77′]

30.07.2009
Ressacada – Série A
Avaí 4-0 Vitória [Marquinhos 8′, Luiz Ricardo 16′, Muriqui 69′ e Caio 88′]

21.08.2007
Ressacada – Série B
Avaí 1-0 Vitória [Muriqui 90+1’]

12.05.2007
Barradão – Série B
Vitória 5-1 Avaí [Jean 30’, Sorato 32’ e 38’, Joãozinho 55’ e Hugo Henrique 68’; Fábio Fidélis 45+1’]

12.06.2005
Ressacada – Série B
Avaí 0-1 Vitória [Gilmar 73’]

22.07.1989
Ressacada – Copa do Brasil
Avaí 1-0 Vitória [Toninho Cajuru]

19.07.1989
Fonte Nova – Copa do Brasil
Vitória 2-0 Avaí [Hugo e Jairo]

04.05.1974
Fonte Nova – Série A
Vitória 3-0 Avaí [André Catimba, Osni e Paim]

Cadê aquele ataque?

Nos oito jogos de Hemerson Maria no estadual, o Avaí marcou 22 gols. Média, excelente, de 2,75 por partida.

Em sete jogos na Série B, o Leão fez nove gols. A média caiu para 1,28 por partida. Menos da metade, portanto.

O que mudou? A qualidade dos adversários? Pode ser. Daqueles 22 gols, 11 o Avaí marcou em duas partidas, contra Metropolitano e Marcílio Dias. Mas também fez sete em três jogos contra o Figueirense, o da Série A, o que não é pouco.

O que mudou, principalmente, vejam só, foi Robinho. Naquele esquema do estadual, jogávamos com dois meias. Cléber Santana tinha com quem dividir a armação. Hoje jogamos com um meia só. Patric e Julinho atuam mais como alas, quase pontas, muito distantes do camisa 10. Pode não ser só isso, mas acho que é um dos fatores principais

Se lembrarem, o jogo em que mais criamos chances de gol na Série B foi na estreia, contra o Boa. Robinho ainda estava no time.

“Ah, mas o Robinho…”. Sim, sim, não acho que seja ele um grandiosíssimo jogador, mas exercia uma função importante naquele esquema. Talvez Maria nem precisa mudar o 4-5-1, seja só questão de posicionamento. Com Patric e Julinho menos pontas e mais meias, acho que a tendência é nosso poder ofensivo melhorar.

Equilíbrio

O Avaí ocupa o sexto lugar na classificação da Série B, com dois pontos a menos que o quarto colocado, coincidentemente o nosso próximo adversário, o Vitória. Só por isso, e pelo fato de o time baiano ser um dos pesos-pesados da segundona, o jogo de sábado já se torna fundamental.

Mas tem mais. Assim como o Avaí, outros cinco times também somaram 11 pontos até o momento: Boa, São Caetano, Paraná, Joinville e Goiás (o décimo colocado, que fecha a turma dos 11 pontos). Então, meus queridos, uma derrota em Salvador pode nos empurrar lá pra baixo na tabela.

Além de somarmos pontos, não custa dar aquela secadinha, mas não vai ser fácil. Hoje tem Goiás x Guaratinguetá. Pelo que vimos do time paulista, vai ser difícil eles cometeremo o crime lá no Serra Dourada. Mas vai que… No fim da semana, tem dois confrontos diretos: São Caetano x Paraná e Boa x Joinville. Ou seja, pelo menos dois da turma dos 11 vão somar pontos.

Mesmo com o meio campo esfacelado pelas ausências de Mika, Bruno e Pirão, em Salvador tem que ser como no nosso hino: a ordem é vitória, vencer, vencer. Senão, desgarramos do G4. Ah, esse empate com o Guaratinguetá…

Émer100

No domingo, Émerson, zagueiro do Coritiba, completou 100 jogos pelo time paranaense. Ele chegou ao Coxa no início de 2011. Ou seja, fez uma centena de partidas em um ano e meio. Na média, dá 67 jogos por ano.

Émerson deixou o Avaí. Para substitui-lo, o Leão contratou nada menos que OITO zagueiros: Cássio, Cláudio Caçapa, Dirceu, Gian, Gustavo Bastos, Leonardo, Thiago Sales e Welton Felipe. Dizem que Émerson saiu porque queria ganhar mais. Eu não consigo crer que esses oito caras juntos ganhassem menos que (vou chutar baixo) R$ 200 mil por mês. E, somando os oito, não dá meio Émerson em se falando de futebol.

Como disse, Émerson disputou até agora uma média de 67 jogos por ano no Coxa. Sabes quantas partidas o jogador que mais atuou pelo Avaí em 2011 disputou? 49. De um total de, coincidentemente, 67 que o Leão jogou ano passado.

São essas coisas que são difíceis de entender. Troca-se um cara reconhecidamente muito bom (não é um Neymar, mas também é de Seleção) por oito nabas. Aí tem mais que cair como lanterna e 100% Z4 mesmo.

Parabéns ao Émerson pela marca. Merece o sucesso que tem.

Quem foi o melhor de Guaratinguetá 1×1 Avaí?

O jogo foi ruim, mas sempre tem alguém que se destaca. Vota aí!

 

O melhor de Avaí 2×0 América (MG)

 

No jogaço que o Avaí fez contra o então líder, quem se destacou foi um defensor. Leandro Silva realmente foi muito bem e foi eleito por vocês o melhor em campo, encerrando uma sequência de cinco partidas seguidas em que Cléber Santana era eleito.

No total, sete jogadores foram votados. Mostra de que o time teve uma boa atuação.

 

Os votados

 

Leandro Silva – 10 votos (43,48%)

Cléber Santana – 3 (13,04%)

Bruno – 2 (8,7%)

Cássio – 2 (8,7%)

Diogo Acosta – 2 (8,7%)

Julinho – 2 (8,7%)

Mika – 2 (8,7%)

 

Mais vezes eleitos em junho

Cléber Santana – 2 vezes

Leandro Silva – 1

 

Mais vezes eleitos no ano

 

Cléber Santana – 5 vezes

Leandro Silva – 2

Diego – 1

Felipe Alves – 1

Mika – 1

Pirão – 1

 

Mais votos recebidos em junho

 

Cléber Santana – 17

Leandro Silva – 13

Mika – 8

Julinho – 3

Bruno – 2

Cássio – 2

Diogo Acosta – 2

Nunes – 2

 

Mais votos recebidos no ano

 

Cléber Santana – 71

Mika – 41

Leandro Silva – 33

Renato Santos – 15

Pirão – 15

Diego – 14

Robinho –11

Felipe Alves – 9

Nunes – 5

Bruno – 4

Julinho – 3

Aelson – 2

Cássio – 2

Diogo Acosta – 2

Diogo Orlando – 1

Laércio – 1

Ronaldo Capixaba – 1

O campeonato dos sonhos, 1a. semifinal

Depois de duas disputadíssimas fases, o Campeonato dos Sonhos chegou à semifinal. Ambos os jogos na Ressacada, claro. Mesmo depois de 28 partidas, o gramado continuou impecável, graças ao trabalho do Ademir (que, na verdade, chama-se Adenir), o guardião da relva azurra.

O público não foi o esperado, diante da grandeza dos dois espetáculos. Especula-se que tenha sido pelo preço dos ingressos, pelo trânsito, porque era dia de praia ou por causa do Miguel Livramento e dos blogueiros corneteiros. Ou por tudo isso junto. Ou por nada disso. O fato é que 4 mil pessoas dispuseram-se a ir ao estádio ver os jogos. Nem mais, nem menos.

A partida de abertura foi entre o Avaí 1945 e o Avaí 1988. Sergio Lopes, treinador do time dos anos 80, usou como estratégia motivacional na preleção uma manchete que dizia “Vai dar, Chocolate?”. “Olha lá, a imprensa já tá dizendo que eles vão ganhar de goleada! Nós vamos deixar isso?”, esbravejava. Na verdade, Chocolate era o meia da equipe da década de 1940 que era dúvida pra o jogo. Mas tudo bem, pra motivar o time vale tudo.

Foi, talvez, a partida mais bonita de todo o campeonato. Duas equipes de muita técnica, disputando um jogo franco, aberto. Parecia tênis: a torcida tinha que virar o pescoço de um lado para o outro o tempo todo. Lá e cá. Claro que o primeiro gol não demorou a sair. Aos 12 minutos, Nizeta e Felipinho tabelaram, fizeram “dois-contra-um” pra cima de Netinho, Felipinho cruzou e Saul antecipou-se a Maurício e abriu o placar com um toque de letra. Apesar de fortes emoções, os goleiros Fossati e Adolfinho impediram que mais gols saíssem. No intervalo, 1×0 para o time de 1945.

Em busca da vitória, o time de 1988 voltou com Mendonça no lugar de Belmonte. Mais ofensivo, mas também mais vulnerável. Solto na meiúca, Chocolate avançou até a intermediária e soltou o foguete, rasteiro, no canto direito de Fossati. O uruguaio esticou-se e conseguiu chegar à bola, mas deu rebote. Nizeta veio na corrida e ampliou: 2×0. Festa da torcida do time de 1945. Festa contida, claro, porque a turma já não tem mais idade pra muito agito.

Todo mundo imaginava que o time de 1945 só sabia fazer uma coisa: atacar. Mas com 2×0 no placar, a equipe do tetracampeonato estadual recuou e passou a defender-se ferozmente. Fateco e Tavinho espanavam qualquer ameaça ao gol de Adolfinho. Marcos Severo, coitado, mal tinha tempo pra respirar quando tocavam para ele. “O time de 1945 ganhou a meia-cancha”, repetia um certo comentarista a cada cinco minutos. O mesmo comentário que fez nos 10 jogos anteriores que comentou. Mas tudo bem, segue o baile.

A verdade é que o time de 1945 mostrou que era realmente muito bom, não apenas ofensivamente. Quando Adilson Heleno conseguia um espaço para finalizar, lá estava Henrique colado nele. Felipinho, Nizeta e Bráulio voltavam até o meio-campo quando o time estava sem a bola, deixando “só” dois atacantes lá na frente, esperando o contra-ataque. Um banho de tática e um espetáculo interessante para quem achava que o futebol nasceu há 20 ou 30 anos e que antes era um bando de loucos correndo para todos os lados. E foi um desses contra-ataques, já nos acréscimos, que definiu o placar.

Chocolate roubou a bola de Adilson Gomes na intermediária do time de 1945. Levantou a cabeça e viu Tião e Saul abertos, um em cada ponta. Tocou para Tião, que partiu antes da linha do meio do campo. O atacante avançou livre, driblou Fossati na entrada da área e só teve o trabalho de empurrar para as redes. 3×0. Ainda teve um último lance, uma cobrança de falta de Flávio Roberto que todo mundo diz que entrou e furou a rede, mas Dalmo Bozzano disse que foi tiro de meta. Como já tava 3×0, o time de 1988 nem reclamou muito.

No dia seguinte, o mesmo jornal estampou a manchete: “Deu chocolate”.

Como foi a segunda semifinal, entre o time de 1975 e o time de 2009, eu conto na semana que vem.

Foi ruim, mas foi bom

O empate com o Guaratinguetá foi ruim porque o Avaí enfrentou o vice-lanterna, time que vinha de quatro derrotas seguidas e que é, como vimos, muito ruim. Porque o Avaí conseguiu repetir a escalação que derrotou o então líder América-MG, mas o futebol apresentado ficou bem abaixo – a verdade é que a nossa equipe ainda está irregular na Série B. São dois pontos que podem fazer falta, já que o jogo contra o Vitória deve ser ainda mais difícil.

Mas o empate com o Guaratinguetá foi bom dadas as circunstâncias. Jogo fora de casa na Série B sempre é difícil. O gramado era horrível. Tomamos um gol logo no começo, tivemos um jogador expulso e ainda assim reagimos e chegamos ao empate. Depois, com outro expulso, segurar o resultado foi o que restou. Fica de bom o fato de, mesmo jogando não tão bem, o Avaí ter sido melhor que o adversário o tempo todo. E cada ponto é importante para chegar à Série A.

E aí? Com qual visão ficamos?