Archive for the 'O Avaí que eu quero' Category

Contraste

A classificação do Chevettão 2013 mostra o quanto Avaí e Chapecoense são diferentes. Eles têm mais que o dobro dos pontos que nós temos: 25 a 12. É goleada.

Assim como eles nos goleiam em número de vitórias (8 a 3), têm um ataque bem mais efetivo (24 a 15) e uma defesa bem menos vazada (11 a 18). Ah, e meteram 4 a 1 na gente no primeiro turno.

Só esses números já mostram a pauleira que vai ser essa partida de amanhã. Assim que é bom. Quem for à Ressacada – vamos? – deve ver um bom duelo, de um Avaí bagunçado mas jogando a vida para continuar com chances de classificação contra o melhor time do Chevettão 2013. Sei que o torcedor brasileiro – não é exclusividade do avaiano. TODOS são assim – costuma virar as costas para o time nas fases ruins, mas, olha, pra quem gosta de um bom futebol, com disputa e emoção, essa partida tem tudo para ser divertida. Eu não deixaria de ir.

Falando em Chapecoense, interessante como o mundo dá voltas. Depois do estadual de 2010, o Avaí estava no topo. Bicampeão catarinense, vinha de um sexto lugar na Série A, estava nas oitavas da Copa do Brasil, teria Copa Sul-americana naquele ano, enfim, era o pica das galáxias, inquestionável e incriticável. Já o time do Oeste amargou um rebaixamento fake para a segunda divisão do Catarinense, que só não ocorreu por causa de um estranha “licença” que o Atlético de Ibirama pediu – primeira vez que vejo um clube pedir licença porque não consegue se manter na primeira divisão e voltar, como se nada tivesse acontecido, na segunda divisão do ano seguinte -, e estava na Série C do Brasileirão.

Quase três anos depois, Avaí e Chapecoense estão na mesma divisão do Campeonato Brasileiro e, por enquanto, os verdes estão dando de relho nos azuis no estadual. E já que gosto de números, tem um que talvez ajude a explicar o porquê de estarmos em queda e eles em ascensão.

Sabiam vocês que desde novembro de 2010 a Chapecoense teve QUATRO* treinadores, e o Avaí, OITO**? Pois é.  Aí fica difícil discutir planejamento e organização com os caras.

*Mauro Ovelha (novembro/2010 a novembro/2011), Gilberto Pereira (novembro/2011 a março/2012), Itamar Schulle (março/2012 a setembro/2012) e Gilmar dal Pozzo (desde setembro/2012)

**Vágner Benazzi (outubro/2010 a fevereiro/2011), Silas (fevereiro/2011 a junho/2011), Alexandre Gallo (junho/2011 a agosto/2011), Toninho Cecílio (agosto/2011 a novembro/2011), Mauro Ovelha (dezembro/2011 a março/2012), Hémerson Maria (março/2012 a setembro/2012), Argel Fucks (setembro/2012 a dezembro/2012) e Sérgio Soares (dezembro/2012 a março/2013).

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Nova chance para a transparência

Texto publicado por Daniel Cassol no blogue Impedimento. Os grifos são meus.

Um dos efeitos colaterais do clubismo cego é impedir qualquer crítica ao desempenho dos times e à administração dos clubes. Quem o faz é acusado de corneteiro, traidor da pátria, inimigo do povo e lacaio do imperialismo. E então somos surpreendidos novamente quando estoura uma crise sobre a qual alguns poucos alertavam tempos antes, sob uma saraivada de críticas.

Durante alguns anos foi um grande tabu gaúcho falar dos pontos do contrato da Arena do Grêmio que poderiam ser prejudiciais ao clube e aos associados num futuro próximo. Agora, paulatinamente e um pouco desencontradas, surgem notícias de que a direção tricolor estuda formas de resolver problemas como os altos custos da Arena e a falta de ingerência do clube sobre o novo estádio.

Sem entrar no mérito dos problemas do Grêmio com a construtora OAS e com a Arena, esta é mais uma oportunidade para discutirmos a questão da transparência nos clubes de futebol. Eles se modernizam, movimentam cifras milionárias, adotam modernas estratégias de gestão mas não abrem mão de serem caixas pretas.

Posso estar errado, mas me parece que esta postura hermética em relação às contas e negócios dos clubes deveria ter ficado no passado. A grande novidade, que deveria provocar esta mudança, são os milhares de sócios que pagam mensalidades, têm direito a voto e, de certa forma, mudam a natureza dos clubes de futebol.

Mas enquanto esta mudança não ocorre, informações sobre negócios fundamentais para o futuro dos clubes só aparecem parcialmente, na base de vazamentos, disputas internas, trabalho de poucos jornalistas que se interessam por estes assuntos ou iniciativa de alguns conselheiros. Nada de uma política séria de transparência nas informações que parta dos próprios clubes. O que contribui para aumentar a polêmica e a desinformação.

No Rio Grande do Sul, a discussão atual gira em torno da Arena do Grêmio, mas em breve o Internacional estará reinaugurando o Beira-Rio reformado pela construtora Andrade Gutierrez. O estádio estará em condições de receber a torcida? Aumentarão as despesas do Inter? O que vai mudar na vida e no bolso dos sócios colorados?

Se alguém levantar ponderações sobre o Beira-Rio agora, é bem possível que seja chamado de traidor da pátria.

Participe!

Amanhã (28) é o último dia para que torcedores avaianos possam enviar propostas para a comissão que organiza a reforma do Estatuto do Avaí.  O endereço para envio é o estatuto@avai.com.br.

Para saber mais, veja nota do presidente da comissão, conselheiro Alessandro Balbi Abreu, e um texto que fizemos para o site da Conselharia Azurra sobre o tema. Não deixe de participar. É importante para o futuro do nosso clube.

Podes acessar o estatuto atualmente em vigor – e que será reformado – clicando aqui.

Continuidade

Não há muito mistério para essa campanha quase perfeita da Chapecoense no primeiro turno (87,5% dos pontos conquistados). O time do Oeste manteve grande parte da boa equipe que subiu para a Série B no ano passado e trouxe alguns reforços pontuais. Tudo isso tendo metade, ou menos que isso, do orçamento do Avaí.

Dos 11 titulares que entraram em campo na vitória por 5 a 2 contra o Guarani, sete já estavam na Chapecoense no ano passado, incluindo destaques do time do acesso, como Athos, Neném e Rodrigo Gral. O treinador também é o mesmo: Gilmar dal Pozzo.

Foi assim, mudando pouco e mantendo seus melhores jogadores, que a Chapecoense conquistou o primeiro turno com uma rodada de antecedência, abrindo cinco pontos de vantagem para o Figueirense, 10 para o Joinville e Criciúma e 13 para o Avaí, que tem um jogo a menos. Uma receita mais velha que andar para a frente, mas que nem todo mundo aprendeu.

Um alento

Vi os números ontem no blogue Avaixonados, do Gérson dos Santos. O Avaí é o quarto colocado na média de público do Campeonato Catarinense, com curiosos 4.444 pagantes por partida. Não é das posições mais honrosas – provavelmente estaríamos em quinto se a Chapecoense não estivesse jogando em Xanxerê -, mas é um avanço em relação ao ano passado, por exemplo.

De todos os estádios catarinenses que conheço – das canchas do Chevettão 2013, só não fui ainda ao João Marcato, em Jaraguá do Sul -, o do Avaí é o que possui o pior acesso. Se ficou mais fácil chegar à Ressacada do que era nos anos 1990, o pós-jogo ainda é um tormento. O Carianos também não é um bairro populoso como Estreito ou Comerciário (Criciúma), nem fica no Centro, próximo da principal avenida da cidade, como o Índio Condá. Por isso, acho que o Avaí só pode ser comparado com o próprio Avaí quando falamos em público.

Pois bem, 4.444 pagantes por jogo é apenas um quarto da capacidade total da Ressacada. É pouco, mas em comparação com 2012, está bem melhor. Naquele campeonato, nossa média mal passou de 3 mil pagantes na primeira fase, e isso contando com público de clássico. Só chegou a 5,3 mil graças a uma promoção no decisivo jogo contra o Joinville – o último em casa no segundo turno -, semifinal e final. Praticamente metade do nosso público total no estadual de 2012 assistiu a essas três partidas.

Em 2013, o Avaí reduziu os valores de ingressos e mensalidades, depois de três anos de gritaria da torcida contra o que foi feito em 2010. Coincidentemente, a média de público melhorou. Pode ser que piore se o time não conseguir brigar por vaga na semifinal, mas não deixa de ser um alento. Sinto saudades daquela torcida parceira e presente que surgiu na Série C de 2007 e durou até a Série A de 2009, empolgante, participativa. Quem sabe ela volte. Tomara.

Democracia e participação

Texto publicado no site da Conselharia Azurra, esse bando de loucos formado por mim e alguns de meus amigos.

Democracia Avaiana, sim! Mas participativa!

É clássica no mundo jurídico a diferenciação entre os patamares de atuação democrática em “representativa” e “participativa”. Em síntese, a primeira resume a ingerência popular sobre os desígnios do Estado (ou da instituição) à escolha de seus representantes. A segunda, por sua vez, amplia este horizonte para que, além da dita escolha, também seja possível a sua participação nos processos da entidade.

Há uma possibilidade histórica sendo aberta para que uma atuação democrática mais próxima do segundo modelo se apresente para que o sócio, possibilitando a ele que tenha voz ativa na vida do Avaí.

O Conselho Deliberativo do clube tomou a frente da iniciativa de apresentar à Assembleia Geral – órgão máximo do Avaí – uma proposta de reforma estatutária e, dentro do procedimento que escolheu para elaborar esta proposta, disponibilizou espaço para que os sócios participassem. (Detalhes em http://avai.com.br/nota-do-conselho)

Uma reforma da qual qualquer sócio do Avaí pode participar. Para tanto, o sócio, se tem propostas a fazer, deve mandá-las para o endereço eletrônico “estatuto@avai.com.br”. Há uma comissão formada pelo Conselho Deliberativo que vai receber as propostas e organizá-las conjuntamente com as que já estão sob o poder desta comissão para apresentação em reunião do CD para votação. Depois disso, vai ser convocada a Assembleia Geral, onde, mais uma vez, o sócio vai poder participar e decidir o rumo da reforma do Estatuto.

Uma das propostas da reforma do estatuto do clube é a de voto direto do associado para presidente do Leão. Isso já ocorre em outros clubes, como a dupla gaúcha Grêmio e Internacional – ambos com expressivo número de associados – e é como o Palmeiras fará a escolha de seu presidente a partir de 2014.

No sistema eleitoral atualmente em vigor no Avaí, o sócio tem direito a eleger uma chapa para o Conselho Deliberativo e o CD é que escolhe quem será o presidente. Ou seja, temos um Conselho Deliberativo alinhado com a Diretoria Executiva. Isso se mantém com o argumento de que é bom para “não atrapalhar” o trabalho da diretoria, como se avaianos com pensamentos divergentes fossem uma ameaça ao clube por simplesmente pensar diferente e apontar outros caminhos que poderiam ser seguidos.

Desvincular a eleição do Conselho Deliberativo da eleição para presidente diminui as chances de termos um conselho “decorativo”, “comemorativo”, “submisso”, “omisso”, enfim, escolha o adjetivo que quiser. Indo além, pode-se pensar em, como há no Internacional, por exemplo, composição do Conselho Deliberativo proporcional à votação recebida por cada chapa na eleição. No Avaí hoje, a chapa eleita compõe 100% do Conselho Deliberativo.

Esses são apenas dois exemplos de mudanças que podem ocorrer na reforma do estatuto.

Assim, chamamos a atenção para o fato de que, tão importante quanto a eleição direta para presidente, pelos sócios – que além do valor simbólico de efetivar a democracia (o pior sistema de governo com exceção de todos os outros, nas sábias palavras de Winston Churchill) também possibilita a fidelização dos sócios que deverão permanecer adimplentes por um período maior do que um ano – é outra proposta que deve ganhar intensa mobilização do sócio a seu favor: a de composição proporcional do Conselho à votação das chapas que se apresentarem ao pleito eleitoral.

Em outras palavras, as 300 cadeiras do Conselho devem ser, a nosso ver, reservadas proporcionalmente ao percentual de votos obtidos por cada Chapa na eleição. Às chapas deve caber, ao apresentar suas nominatas, elencar a preferência de ocupação das eventuais cadeiras, num sistema de “listas”.

Estas duas medidas são, acreditamos, essenciais para uma revolução nos termos em que as discussões internas do clube se dão. Um clube de futebol não apresenta uma contraposição “situação x oposição” como se dá na política, em que a luta, muito mais do que pelo bem comum, é pelo poder instituído. No pequeno universo representado pelo clube de futebol, a contraposição se dá (ou deve ser dar, ao menos) entre ideias diferentes para um mesmo objetivo e a discussão que o confronto entre elas propicia se demonstra essencial para a evolução da instituição.

Se você pensa como nós, sugerimos que faça propostas para estabelecer eleições diretas para presidente do Avaí e composição proporcional do Conselho Deliberativo, de acordo com os votos recebidos por cada chapa. Se pensa diferente, faça também sua proposta. Quanto mais sócios-torcedores avaianos participarem dessa discussão, melhor para o clube será.

E mais: após participar deste importante processo, não interrompa sua participação. Ela é essencial em todos os momentos da vida do clube. Afinal, a democracia que queremos é muito mais do que representativa.

É nisso que acreditamos.

E o profissionalismo?

Na semana passada, vimos aquele espetáculo lamentável do presidente Zunino durante uma coletiva de imprensa convocada para anunciar que Marcelinho Paulista tem novo cargo. Fugindo completamente do tema da coletiva, disparou contra jogadores, imprensa, empresários, conselheiros que já se apresentaram como integrantes de um grupo interessado em assumir a gestão do clube… Sobrou até pro campeão Hémerson Maria, ironizado por não ter, segundo o presidente, usado jogadores da base.

Ou o presidente não foi orientado para a entrevista, ou ignorou qualquer orientação. As tosqueiras que proferiu em nada contribuem com o clube, absolutamente nada. Ficaria feio se fosse o presidente de um clube de várzea, que dirá do clube catarinense com mais títulos e torcedores.

Durante a coletiva, ficamos sabendo que o presidente não aprecia muito os contratos e que com o vínculo do Marcelinho Paulista como clube  é “no fio do bigode”. Marcelinho não teria contrato, assim como lá atrás a parceria com a LA Sports também não foi pro papel. Que loucura.

E pra finalizar, ficamos sabendo que Carlos Arini foi demitido por pressão do Corinthians, com quem o presidente negociava uma parceria, que, no fim, não saiu. Um clube de fora mandando no Avaí. Já pensasse?

Eu acho que profissionalismo não é só ter computador, software e cadeiras estofadas. Acho que o profissionalismo está mais nas ações que nisso. E algumas ações tomadas no Avaí me dão um sentimento devolta para o passado(nos tempos da brilhantina, não tem?), pois não condizem com o discurso oficial de que esse é um clube muderno e profissional.


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