Archive for the 'Nebulosidades' Category

Os fins e os meios

Ter amigos questionadores é isso. O Felipe Matos, do Memória Avaiana, fez várias críticas, via Twitter, às medidas tomadas no Reino Unido para combate à violência no futebol durante os anos 1990. E me deixou em um dilema.

As consequências das medidas tomadas para, oficialmente, combater a violência no futebol inglês foram a elitização das torcidas e a transformação do futebol em puro business, com clubes multinacionais dentro e fora de campo, cada vez mais distantes de suas comunidades locais, e alguns com forte suspeita de serem usados para lavagem de dinheiro. Por trás do plano de combate à violência poderia estar isso, me alertou o xará: o interesse comercial. Pois é, pode ser. Não duvido.

Ainda assim, se fosse só isso, diria que foi mais positivo que negativo. Claro que o afastamento do torcedor tradicional, operário, mais pobre, é algo que não quero que ocorra aqui. Do mesmo modo, não gostaria de ver o modelo inglês de administração dos clubes aplicado no Brasil. Mesmo assim, entre isso e a selvageria que ocorria principalmente entre as décadas de 1970 e 1980 por lá, ficaria com a opção que os ingleses tomaram. Entre tornar os estádios um local para passatempo para endinheirados ou deixá-los continuar como praças de guerra, fico com a primeira opção. Mas pode não ser tão simples assim, conforme o puxão de orelhas que o Felipe me deu.

A vontade de fazer algo contra a violência no futebol na Inglaterra vinha desde metade da década de 1980, mesmo antes da tragédia de Heysel, na Bélgica, quando 39 pessoas morreram depois de um ataque de torcedores do Liverpool a torcedores da Juventus, da Itália. Dois meses antes desse episódio, uma briga entre torcedores do Millwall e do Luton Town provocou a criação de um comitê de combate ao hooliganismo pela primeira-ministra Margareth Thatcher. Os clubes ingleses ficaram cinco anos fora das competições europeias depois de Heysel, numa decisão tomada primeiro pela própria associação de futebol do país (FA) e depois pela Uefa. O desejo de combater o hooliganismo ficava claro nas falas de Thatcher e de dirigentes da FA em 1985.

Mas o “estopim” para as mudanças mesmo foi a tragédia de 1989, no estádio Hillsborough, quando 96 pessoas morreram antes de um jogo entre Liverpool e Nottingham Forest. A polícia falhou no controle do acesso dos torcedores ao superlotado estádio e as vítimas morreram depois de serem pisoteadas ou esmagadas  contra o alambrado. Na época, a torcida do Liverpool foi considerada a maior culpada pelo episódio. O caso gerou o famoso relatório Taylor, que originou as mudanças no futebol inglês visando a identificar e punir os torcedores criminosos e a melhorar as condições de estrutura nos estádios.

Passados 23 anos, em setembro de 2012, foi revelado que o relatório policial foi manipulado para culpar os torcedores pela tragédia. O governo britânico pediu desculpas oficiais às famílias da vítimas. Até o momento, o que se sabe é que foi um relatório manipulado (com testemunhos alterados e até inventados) e que escondia falhas grotescas da polícia e demais autoridades. Mas pode ter sido manipulado para ser a “desculpa” que faltava para o governo neoliberal da líder do Partido Conservador, Margareth Thatcher (os liberais da economia são os conservadores da política. É curioso.), aplicar as mudanças que tornariam o futebol inglês um dos mais mercantilizados do mundo. Ou inclusive a própria tragédia pode ter sido orquestrada para ser essa “desculpa”, já que houve falhas tão primárias e até estranhas naquele dia?

Seria algo terrível, mas, olha, pode. Eu não duvido de nada nesse mundo. Se amanhã me disserem que o homem não pisou a Lua e que o 11 de Setembro foi provocado pelo governo dos Estados Unidos, eu não vou dizer “eu já sabia”, mas direi “não me surpreende”.

Sendo assim, o Felipe Matos me fez pensar que, embora o resultado final tenha sido o de diminuir bastante a selvageria no futebol inglês e melhorar o conforto para os torcedores daquele país, o meio adotado para isso não seria válido. Manipular (ou, mais grave, quem sabe até planejar) uma tragédia para que ela funcione como estopim para as mudanças, por mais positivas que sejam, é inaceitável. Eis o dilema em que fiquei, depois de ter considerado a Inglaterra um “exemplo” no texto de ontem.

A vontade mostrada pelo governo e dirigentes do futebol inglês em 1985 para combater a violência é louvável – e a autoexclusão dos times ingleses das competições europeias mostra que havia mesmo a vontade de “arrumar a casa”. Esse é o exemplo que gostaria que o Brasil seguisse. O modus operandi adotado na Inglaterra para essas mudanças é bastante questionável (ou inaceitável, talvez), como o Felipe me alertou e me fez refletir a respeito. Obrigado, xará.

Realismo fantástico

Trecho da entrevista do presidente Zunino ao Diário Catarinense, da sempre mui parceira RBS, no domingo:

A receita caiu mais de um terço. Em 2011, ela chegou a R$33 milhões e, neste ano, achávamos que chegaria aos R$22 milhões, mas não atingirá os R$15 milhões.

Ano passado votamos o orçamento 2012 no Conselho. Havia o orçamento de R$ 21 milhões, o “realista”, e o de R$ 35 milhões, o “otimista” que contava com a possibilidade de uma cota de TV de R$ 9 milhões dita de boca por um diretor da Globo. Quando perguntei, na hora de votar, qual dessas propostas iríamos votar, a resposta que me deu um diretor avaiano foi “vota-se a realista, mas podemos chegar ao otimista”.

Então tá. Aprovamos por unanimidade que o orçamento seria de R$ 21 milhões, podendo chegar a R$ 35 milhões. Eu duvidava que pudéssemos atingir essa proposta “otimista”, mas não imaginava quem nem a “realista” alcançaríamos. Parando em 15 milhões, significa que tivemos uma queda de mais de 50% na receita (57%, pelos meus cáuculos) de um ano para outro.

Mais adiante na entrevista, diz o presidente:

O problema é que, no meio do caminho, fui obrigado a fazer uma mudança e tirar o gerente de futebol Carlito Arini. Não fiz isso pela sua competência e falei para ele dois meses antes. O Carlito nos ajudou a ser campeão estadual, foi um dos grandes responsáveis, mas precisamos mudar e mudamos. Foi uma imposição que veio de fora.

Imposição “de fora”. De quem, ele não disse (e o repórter? Perguntou?). Seria a/o pareceiro/a? Se for, não deve ter injetado dinheiro no Avaí ainda, pois o orçamento, como visto anteriomente, diminuiu até em relação à perspectiva otimista. Agora, outro ponto da entrevista que gostaria de destacar:

Mesmo assim, quando assumi o Avaí, em 2002, a receita mal passava dos R$ 2 milhões. Quer dizer, mesmo diante de tantos problemas, conseguimos dar um salto grande.

É um avanço, mas me espantaria se, passados 10 anos, ainda estivéssemos com orçamento de R$ 2 milhões. Além da inflação, nesse período houve um evidente acréscimo no dinheiro que circula no futebol. O próprio presidente constata isso ao dizer que “Os valores gastos hoje no futebol estão fora da realidade”. Em 2008, nosso orçamento foi de aproximadamente R$ 8 milhões. Hoje, com R$ 15 milhões, quase o dobro, não conseguimos montar um time com a qualidade daquele que nos levou à Série A.

Para efeito de comparação, a Chapecoense, na Série C, tem orçamento estimado em R$ 5 milhões para 2012. E essa pesquisa feita pelo blogue Olhar Crônico Esportivo com 20 clubes que hoje estão nas séries A e B (o Avaí não está nela; o Figueirense, sim) apontou crescimento de 133% das receitas desses 20 clubes entre 2007 e 2011.

Só de cotas de TV o Avaí recebe hoje o mesmo que todo o orçamento de 10 anos atrás. Sempre lembrando que, em 2001, ficamos a um ponto da Série A. Não éramos, portanto, um clube sem série, como às vezes alguns querem fazer crer. E uma perguntinha final: em 2002, a dívida era de R$ 30 milhões, como agora?

Quedê?

Émer100

No domingo, Émerson, zagueiro do Coritiba, completou 100 jogos pelo time paranaense. Ele chegou ao Coxa no início de 2011. Ou seja, fez uma centena de partidas em um ano e meio. Na média, dá 67 jogos por ano.

Émerson deixou o Avaí. Para substitui-lo, o Leão contratou nada menos que OITO zagueiros: Cássio, Cláudio Caçapa, Dirceu, Gian, Gustavo Bastos, Leonardo, Thiago Sales e Welton Felipe. Dizem que Émerson saiu porque queria ganhar mais. Eu não consigo crer que esses oito caras juntos ganhassem menos que (vou chutar baixo) R$ 200 mil por mês. E, somando os oito, não dá meio Émerson em se falando de futebol.

Como disse, Émerson disputou até agora uma média de 67 jogos por ano no Coxa. Sabes quantas partidas o jogador que mais atuou pelo Avaí em 2011 disputou? 49. De um total de, coincidentemente, 67 que o Leão jogou ano passado.

São essas coisas que são difíceis de entender. Troca-se um cara reconhecidamente muito bom (não é um Neymar, mas também é de Seleção) por oito nabas. Aí tem mais que cair como lanterna e 100% Z4 mesmo.

Parabéns ao Émerson pela marca. Merece o sucesso que tem.

Money, que é good, nós have?

Na semana em que Carlos Arini foi limado da Ressacada para a chegada de Marcelinho Paulsita, cujo currículo como gerente de futebol é parecido com o meu, Hemerson Maria e Ênio Gomes deram entrevistas ao Fabrício Correa na Rádio Record e falaram coisas parecidas. Quando perguntados sobre essa troca (Arini por Paulista), disseram mais ou menos isso: “é, gostávamos do Carlito, blá blá blá, mas a situação financeira do clube não é muito boa, o clube precisa de dinheiro, blá blá blá”.

Na hora, me lembrei de um dia, no meio do campeonato estadual, em que um funcionário do Avaí (não é bagrinho não) disse na minha frente sobre a situação financeira do clube algo como “nós temos que subir pra Série A este ano, senão…”. E juntou as mãos em frente ao peito e olhou pro céu como se estivesse pedindo intervenção divina. É, amigos, 2011 foi um ano destruidor para o Leão dentro e fora de campo.

Então, as declarações de Hemerson & Enio me levaram a crer que a chegada de Marcelinho Paulista estaria relacionada também à chegada de dinheiro. Aí, pintou aquela história de que o Marcelinho trouxe um checão pra pagar os salários atrasados de jogadores e funcionários (guerreiros. Foram campeões estaduais de bolsos vazios), que depois ninguém sabia dizer se era verdade, enfim, esse diz-que-me-disse que só ganha força quando não há um mínimo de transparência.

Se é grana que veio com Marcelinho, não deve ser muita, afinal vamos a 15 dias passados do fim do estadual e ainda não pintou ninguém novo na Ressacada. Está pra chegar Jaílton, ex-Joinville, que sinceramente não lembro de ver jogar, mas dizem que é bom. Então, que venha e contribua. Mas ainda não é nada que indique que o Avaí tenha recebido um aporte financeiro. A “volta” de Evando, gerente do FairPlay, então… meu Deus… (pode dar certo, mas não deixa de ser bizarro)

Menos mal que a base do estadual, até o momento, está mantida. Dos titulares, só Robinho, o desligado, saiu. O elenco, no entanto, não é suficiente para um campeonato longo (vamos de Marcinho Guerreiro e Diogo Orlando contra o América). Mas quem sabe venha aí dinheiro dos portugas, quem sabe venham jogadores do Corinthians, quem sabe do Grupo DIS/Sonda, quem sabe, quem sabe, quem sabe… quem sabe?

Eu é que não sei de nada. Nosso futuro é duvidoso. Veremos grana ou veremos dor?

​Robinho has been shut down​

Joguei no Google Translator, só de brincadeira, a frase “Robinho foi desligado”, e o programa traduziu a frase como aquela que usei ali no título: Robinho has been shut down.

Shut down, pelo pouco de inglês que conheço, significa desligar no sentido de “tirar a energia”. Um computador pode ser shut down. Um jogador de futebol, não.

Um jogador de futebol pode ser vendido (não ele como pessoa, mas seus direitos econômicos, ok), emprestado, ter seu contrato rescindido ou encerrado. Robinho, o desligado, tem (ou tinha) contrato com o Avaí até 2014. Então, a última opção, pra ele, não vale.

Ou foi vendido, ou foi emprestado, ou teve o contrato rescindido. Segundo as palavras do presidente, ele foi embora porque era muito criticado. Estranho. Porque, se era pra ele ter saído por chateação com a torcida, deveria ter saído ano passado, quando foi rebaixado e era execrado, não agora, que é campeão e recebia até aplausos quando era substituído.

E por que raios o Avaí, o clube, não diz qual a modalidade de negociação feita com Robinho, jogador que tem no contrato – segundo divulgado por sua própria assessoria – uma cláusula de confidencialidade que impede a divulgação de seus empresários? Não sei. Mas se não foi dito, é porque há algum interesse em que não seja dito.

Esperemos. Vai que a imprensa do Paraná e o Coritiba – clube da Série A, tricampeão estadual, vice-campeão da Copa do Brasil, que em 2011 arrecadou mais grana que o Botafogo, que tem um caminhão de ex-jogadores do… Avaí -, divulgam como Robinho foi parar lá. Fiquemos no aguardo.

Câmbio e desligo.

Hã?

Reportagem publicada no InfoEsporte na terça-feira, dia 15 (clique para ampliar):

Reportagem publicada no Diário.com na quinta-feira, dia 17 (clique para ampliar):

E aí, comofas?

Claro, existe a possibilidade de ter ocorrido um engano de algum dos jornalistas. Se for isso, é o risco que se corre quando se usa a imprensa (um terceiro, um agente externo) e não as ferramentas de comunicação institucionais para divulgar os projetos do clube. Que eu saiba, o Avaí tem site, página no Facebook, perfil no Twitter, rádio on-line, revista e não sei se ainda tem aquele jornal impresso. Canais não faltam.

Por mais que a imprensa e o jornalismo trabalhem com credibilidade (palavrinha boa essa, né?) e veracidade da informação, eles não são veículos de comunicação institucionais, do clube.

E agora, em quem acreditar?


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