Archive for the 'Saudades' Category

Um leão na Toca

Para quem quer matar saudades do jogador mais raçudo de todos os tempos, tá aí a chance!

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Blumenau, nós te amamos

Acho que, quando o pessoal do Metropolitano olha a tabela do estadual e vê que tem jogo contra o Avaí nas rodadas finais, já começa a se preocupar. A partida de domingo será a quarta, em cinco campeonatos, decisiva para a classificação dos dois times à etapa seguinte da competição. Em 2009, 2010 e 2012, o Leão eliminou o Metrô sempre na última rodada do segundo turno. Sempre em Blumenau.

No jogo de 2009, os dois disputavam a vaga no quadrangular semifinal. O Metropolitano saiu na frente, mas, com gols de Evando e Leo Gago, viramos e vencemos por 2 a 1. Com o placar, fomos campeões do segundo turno e conquistamos a vaga no quadrangular, junto com Criciúma, Joinville e Chapecoense.

Em 2010, o Avaí repetiu a vitória por 2 a 1 em Blumenau, desta vez com gols de Vandinho e de Leonardo aos 48 minutos do segundo tempo. A derrota tirou o Metropolitano da semifinal do segundo turno e eliminou o time blumenauense do campeonato. Para o Leão, a vitória era fundamental, pois, caso empatasse, perderia a primeira colocação no segundo turno para o Figueirense e disputaria a final dessa etapa na casa deles e tendo que ganhar (o empate seria deles). Como venceu, ficou em primeiro, disputou a semifinal do turno contra o Brusque, ganhou, e fez a final contra o Figão na Ressacada. Empatou por 1 a 1 e foi campeão do segundo turno.

Em 2012, os dois chegaram à última rodada disputando uma vaga na semifinal do campeonato. Mesmo com a empolgação dos blumenauenses, que haviam derrotado o Criciúma fora na rodada anterior, o Avaí fez 5 a 2 em Blumenau e classificou-se para a semifinal, deixando o Metropolitano pelo caminho.

O Avaí não perde para o Metropolitano em Blumenau desde 2007, mesmo se contarmos jogos do time “B” pela Copa Santa Catarina. Foram quatro vitórias e dois empates em seis partidas nesse período. Que as boas vibrações trazidas pelo Estádio do Sesi continuem empurrando o Leão para a vitória!

A virada do ano

A cada 31 de dezembro é assim: em meio a taças de champanhe (champanha, para os frescos), pulos sobre ondas e fogos de artifícios, imagina-se e deseja-se que tudo seja melhor dali em diante. Que tenhamos mais saúde, sucesso, dinheiro e felicidade com um simples virar de ano no calendário gregoriano. Pois, já que todo mundo faz isso sem se importar em parecer ridículo, eu também desejo que a vitória de virada no domingo tenha o poder renovador de um réveillon para o lado azul da força, o início de um ano em que clube e torcida caminharão juntos. Se precisar, até faço umas oferendas a Iemanjá para que isso ocorra.

Se não foi excepcional, o público de domingo (10.732 pagantes) foi o melhor registrado na Ressacada desde a final do estadual de 2012. Muitos torcedores foram receber o time e apoiá-lo na chegada ao estádio, ali entre o estacionamento dos conselheiros e o FairPlay. Teve carreteiro, carros com música e narração de gols no entorno do estádio, congestionamento defronte à Toca do Leão e outras pequenas coisas, típicas de um dia com clima de jogo, mas que há tempos não víamos na Ressacada.

Faz tempo que a Ressacada e seu entorno vivem clima de velório antes dos jogos. Não há barulho, algazarra, churrasco embaixo da arquibancada. Dentro do estádio, não é muito diferente. Uns poucos tentam puxar os cantos, outros poucos descruzam os braços, largam o saquinho de amendoim, respondem com palmas e fica por isso mesmo. Sinto falta da torcida e do ambiente que existiu em priscas eras, principalmente no período 2007-2009. Era muito mais divertido ir a jogo naquele período, mesmo que o time não vencesse.

Há diversos perfis de torcedor, inclusive aquele que vai a campo pra ver o time ganhar e isso lhe basta. Eu, claro, gosto que meu time vença, mas gosto muito mais do futebol em si, do clima, do ambiente, de tudo que o cerca.

Já saí do estádio orgulhoso mesmo numa derrota em clássico, num 1 a 0 na Ressacada em 2007, gol no último minuto do Ramon, aquele guri de Araranguá que fez seis gols na vida, cinco deles contra o Avaí. Eram nove anos sem título, freguesia em clássico, fracasso atrás de fracasso (hoje em dia é fácil dizer que é “verdadeiro avaiano”), mas nossa torcida cantou, empurrou, apoiou e até aplaudiu o time que, mesmo derrotado, mostrou uma disposição fora do comum. Foi uma das noites em que me senti mais avaiano. Por outro lado, posso citar dezenas de jogos que vencemos e que, entre um bocejo e outro, esparramado pelas cadeiras vazias do estádio, me perguntei: “o que raios vim fazer aqui mesmo?”.

Sei que não vai mudar tudo da noite pro dia, assim como ninguém fica mais rico, feliz ou saudável só por assistir os fogos na Beira-Mar Norte no Ano Novo, mas, se adiantasse alguma coisa, desejaria que o domingo marcasse o início de um novo tempo para a relação entre clube e torcida. Na verdade, “novo tempo” não, mas a volta aos velhos tempos em que os dois caminhavam juntos. Uma época boa, que se perdeu em algum lugar do passado, mas que ainda podemos resgatar. Por via das dúvidas, vou ali na Armação (a do Pântano, não tem?), minha praia favorita (ou o que restou dela) pular sete ondinhas.

Homenagem

A diretoria do Avaí homenageia hoje Augusto Barbosa da Fonseca, ex-jogador avaiano de 91 anos de idade, campeão citadino em 1949. Segundo nota oficial do clube, Augusto é o mais velho o ex-atleta avaiano ainda vivo, e a será homenageado antes da partida contra a Chapecoense, como parte das comemorações pelos 90 anos de fundação do Avaí.

Augusto jogou no Avaí em 1949. Fez 11 partidas, cinco gols (um deles num clássico que o Leão venceu por 3 a 2) e foi campeão citadino. (Foto: Avaí F.C.)

Que bom que seja feita essa homenagem e acho que é a correção de um erro. No ano passado, Augusto foi citado em reunião do Conselho Deliberativo para receber uma homenagem. No entanto, o nome dele foi vetado sob o argumento de que é torcedor declarado do Figueirense e muito identificado com o atual vice-campeão estadual. E é verdade.

Augusto jogou de 1945 a 1949 no Figueirense e  fez 64 gols, segundo o historiador Adalberto Kluser. Uma média bem superior a de outros ídolos deles, como Calico e Fernandes. Augusto é também alvinegro e inclusive concedeu entrevista a Marcos Castiel em 2011, em sua casa, no Morro da Caixa do Centro, vestindo a camisa do co-irmão. A entrevista e mais informações sobre Augusto Barbosa encontras no blogue Memória Avaiana.

No entanto, acho isso algo muito pequeno para que não se faça uma homenagem ao ex-jogador. O Avaí, que completa 90 anos em setembro, é muito maior que isso. Bela iniciativa da diretoria do clube, que o trata até como um “grande ex-atleta”, como diz a nota no site. Que bom. E obrigado ao Augusto por ter vestido e honrado a camisa do Leão e feito parte da nossa vitoriosa história.

Um alento

Vi os números ontem no blogue Avaixonados, do Gérson dos Santos. O Avaí é o quarto colocado na média de público do Campeonato Catarinense, com curiosos 4.444 pagantes por partida. Não é das posições mais honrosas – provavelmente estaríamos em quinto se a Chapecoense não estivesse jogando em Xanxerê -, mas é um avanço em relação ao ano passado, por exemplo.

De todos os estádios catarinenses que conheço – das canchas do Chevettão 2013, só não fui ainda ao João Marcato, em Jaraguá do Sul -, o do Avaí é o que possui o pior acesso. Se ficou mais fácil chegar à Ressacada do que era nos anos 1990, o pós-jogo ainda é um tormento. O Carianos também não é um bairro populoso como Estreito ou Comerciário (Criciúma), nem fica no Centro, próximo da principal avenida da cidade, como o Índio Condá. Por isso, acho que o Avaí só pode ser comparado com o próprio Avaí quando falamos em público.

Pois bem, 4.444 pagantes por jogo é apenas um quarto da capacidade total da Ressacada. É pouco, mas em comparação com 2012, está bem melhor. Naquele campeonato, nossa média mal passou de 3 mil pagantes na primeira fase, e isso contando com público de clássico. Só chegou a 5,3 mil graças a uma promoção no decisivo jogo contra o Joinville – o último em casa no segundo turno -, semifinal e final. Praticamente metade do nosso público total no estadual de 2012 assistiu a essas três partidas.

Em 2013, o Avaí reduziu os valores de ingressos e mensalidades, depois de três anos de gritaria da torcida contra o que foi feito em 2010. Coincidentemente, a média de público melhorou. Pode ser que piore se o time não conseguir brigar por vaga na semifinal, mas não deixa de ser um alento. Sinto saudades daquela torcida parceira e presente que surgiu na Série C de 2007 e durou até a Série A de 2009, empolgante, participativa. Quem sabe ela volte. Tomara.

Números da invencibilidade

Estatísticas do período recorde em que o Avaí ficou 10 jogos (2007-2012) sem perder para o Figueirense no Orlando Scarpelli.

5 vitórias

5 empates

20 gols marcados

12 gols sofridos

Maior vitória: Figueirense 0x2 Avaí (Catarinense 2008, Copa Santa Catarina 2009 e Catarinense 2011)

Maior sequência de vitórias: 2 (Catarinense 2011 e Série A 2011)

Maior sequência de empates: 2 (Catarinense 2010 e Catarinense 2011)

Mais gols marcados e jogo com mais gols: Figueirense 2×3 Avaí (Série A 2011)

Mais gols sofridos: Figueirense 2×2 Avaí (Copa Santa Catarina 2007, Catarinense 2010 e Catarinense 2011) e Figueirense 2×3 Avaí (Série A 2011)

Artilheiro: William (2011), 4 gols

Foi-se o tabu, mas fica o recorde

Perdemos e, com isso, caiu o “tabu”. Eram 10 clássicos sem derrota no Scarpelli, desde 2007. Mas se o tabu foi-se, fica o recorde. Essa foi a maior invencibilidade avaiana em clássicos disputados no estádio do Estreito. Conseguimos cinco vitórias e cinco empates nesse período.

Os dados que obtive são da lista de jogos que há no livro Figueirense x Avaí – o clássico de Florianópolis, de Jairo Roberto de Sousa. Antes dessa impressionante marca obtida entre 2007 e 2012, nosso recorde era de seis clássicos seguidos sem derrota no Scarpelli. Todas essas partidas ocorreram em 1983, quando obtivemos duas vitórias e quatro empates.

Dos principais recordes avaianos em clássicos no Scarpelli, não conseguimos igualar ou superar entre 2007 e 2012 os de: vitórias consecutivas (foram três entre 1975 e 1976), empates consecutivos (também foram três, em várias oportunidades), maior vitória (4×0 em 1981 e em 1982) e gols marcados (quatro, nos mesmos jogos citados anteriormente).

O recorde delas

Ficamos a três partidas de igualar o recorde de invencibilidade do Figueirense em clássicos disputados no Scarpelli: 13 confrontos entre 1999 e 2007 (oito vitórias e cinco empates). Curiosamente, o último jogo da série invicta deles de 13 partidas foi o primeiro do início da nossa série de 10. Foi o empate por 2×2 pela Copa Santa Catarina de 2007.