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Exagero

Marquinhos pode ter exagerado ao bradar aos microfones que Celinho Amorim “rouba” o Avaí. Mas ele já recebeu uma punição proporcional ao seu “erro”: advertência. Beleza. É o recado de que ele não é intocável e, se fizer de novo, pode ser suspenso por um a seis jogos. Acho que todo mundo percebeu isso.

No entanto, o procurador Feipe Bogdan acha que não foi o suficiente. Ele recorreu da decisão anterior do TJD e lá vai o Marquinhos ser julgado novamente. Para o procurador, um punição justa seria de um a dois jogos de suspensão pro camisa 10 da Ressacada.

Pois eu, leigo em direito desportivo, discordo. Como disse, acho que Marquinhos já recebeu uma punição proporcional ao seu erro. Nos último dias, houve muitas críticas na internet às decisões do TJD, e o seu presidente, Mário Bertoncini, teve que prestar esclarecimentos aqui e ali, defendendo o tribunal, dizendo que a paixão clubística não interfere nos julgamentos e por aí vai. Acho que o presidente vai ter mais trabalho agora, por causa dessa vontade de punir severamente o Galego.

Em tempo: Maylson, do Figueirense, disse após o clássico que o Avaí só ganha com ajuda da arbitragem. Vai ser julgado? Punido? Advertido? Ficamos no aguardo.

Pitacos sobre os ingressos

Semana de clássico já é tensa por natureza e o Avaí ainda inventa sarna pra se coçar. Agora tá feito, não tem mais volta, mas não foi todo mundo que apreciou o fato de os alvinegros terem um setor a mais a sua disposição no clássico que é mais decisivo para nós que para eles.

Pois bem, vamos aos meus pitacos sobre o tema, que o mundo inteiro estava aguardando ansiosamente.

a) A história da excelente relação entre as duas diretorias – acho bacana que exista essa camaradagem entre diretorias e espero vê-la também entre as torcidas. Creio que não é ruim termos, daqui em diante, 20% dos ingressos para os visitantes em todos os clássicos. “Ah, mas por que não fizeram lá no Scarpelli?” Teoricamente, porque ainda não havia essa ideia naquela época, mas, que seja, uma hora tem que começar. Inclusive no primeiro turno tivemos que comprar ingressos lá no Scarpelli, enquanto os alvinegros não precisarão ir à Ressacada comprar os seus, caso esgotem todos os bilhetes que estão à venda no Remendão do Estreito. Tudo bem, olho por olho, dente por dente, não, não, o Avaí é muito maior que isso. A questão é que essa história da “excelente relação” só veio à tona em nota oficial do Avaí dois dias após o anúncio dos preços dos ingressos e dos setores em que cada torcida ficará. Foram dois dias  de avaianada gritando na internet, sentindo-se desprestigiada, até que viesse a nota. Pode não ter sido, mas soou como uma desculpa que arrumaram para justificar a ampliação do espaço para os atuais vice-campeões estaduais. Se havia essa ideia legal antes, por que não a divulgaram com antecedência? Com a divulgação atrasada, perderam uma boa chance de saírem dessa por cima.

b) Os preços – Mais uma coisa que chama a atenção são os preços cobrados. Não lembro de ter visto antes os setores C e E, que ficam nas curvas, serem mais caros que o A e o D, que ficam na parte do central. Por que isso agora? Só consigo imaginar que seja porque no E vai ficar o espaço ampliado à torcida do Figueirense e, pra meter a faca neles, o Avaí teve que colocar um setor seu, equivalente (coberto, na curva), ao mesmo preço. Senão, a Justiça vem e carca na gente por cobrar preços diferentes pelo mesmo serviço. Nessas horas, se alvinegro fosse, além de ser infeliz, eu pensaria: “mas que belo ‘parceiro’ do meu time é esse Avaí, hein? Quer me explorar na cara dura“. Ah, e claro, a cobrança de preço acima dos outros setores para os alvinegros não combina com o espírito de camaradagem que as duas diretorias querem passar. Só imagino como vai ser no próximo lá no Scarpelli.

c) Promoção nos jogos importantes – Ninguém me explicou ainda como podem os ingressos para os jogos mais importantes serem mais baratos que os dos jogos que valem menos. No Avaí é assim. Quem for ao clássico vai ganhar um ingresso para Avaí x Camboriú, último jogo da primeira fase. Podemos fazer duas leituras: 1) Que Avaí x Camboriú vai sair de graça; 2) Que Avaí x Figueirense e Avaí x Camboriú vão custar R$ 20 cada pra quem for aos setores B, G e H, R$ 25 para os setores A e D e R$ 35 para o setor C. No primeiro caso, é várzea – só em futebol de várzea se assiste jogo de graça. No segundo, é uma inversão de valores, pois o clássico e o jogo que pode ser o da decisão da vaga na semifinal (“ah, mas pode não ser”. E se for?) vão ser mais baratos que uma partida contra o Juventus ou o Atlético de Ibirama no início do campeonato (aliás, setores A e D por R$ 40 já fazem o clássico sair mais barato. O Avaí cobrou R$ 50 para os setores A, C, D e E nesses jogos contra Atlético e Juventus). Por favor, alguém me convença de que isso tá certo. Pra mim, continua sendo cobrar mais pelo show do Tiririca que pelo espetáculo do Paul McCartney.

d) O Avaí precisa de dinheiro – Enquanto a história da “excelente relação” entre as diretorias não aparecia, quem apoiou a ideia defendia a tese de que tem que ser assim mesmo porque o Avaí tá duro e precisa de dinheiro. Obrigado. Da próxima vez que seis ou mais conselheiros preocuparem-se com as contas do clube, não reclamem.

E era isso. Alvinegros, compareçam. A casa é sua também. E precisamos do seu dinheiro.

Por que o torcedor não vai ao estádio?

Essa é uma pergunta tão difícil de responder quanto “Por que o frango atravessou a estrada?“. Principalmente porque não estamos falando de robôs, nem de ratos de laboratório, mas de pessoas, que têm reações, paixões, sentimentos, pensamentos etc., os mais diversos. O que afasta um torcedor do estádio pode não ser um motivo que afete o outro. Pelo contrário, pode até ser que o motive a ir à cancha. Uma campanha ruim, por exemplo, pode fazer um torcedor deixar de ir aos jogos, enquanto outro, que estava afastado, volta “para ajudar o clube”. Já vi isso acontecer.

O peso com que um fator influencia a decisão de um torcedor em deixar de ir aos jogos pode não ter o mesmo peso para outro. Há também diferentes níveis de “fanatismo” na relação do torcedor com seu clube. O que um atura por bastante tempo pode ser motivo para que outro, igualmente torcedor, deixe de ir ao estádio na hora. Eu vou a todos os jogos na Ressacada e em muitos fora (ano passado, por exemplo, assisti in loco 16 de 22 jogos que o Avaí fez no estadual. Neste ano, estive em nove de 14), mas nem por isso me acho mais torcedor que outros. Vou porque posso, gosto, quero e relevo algumas dificuldades. Mas esse é o meu perfil, somente um entre tantos possíveis e imagináveis.

Descobrir os verdadeiros motivos da debandada que ocorreu das arquibancadas da Ressacada pós-2010 não é tarefa fácil, demanda tempo e uma pesquisa parruda. Moleza é chutar que a torcida não vai porque é chata, corneteira e escuta o Miguel Livramento. A preguiça de pensar abunda.

Pois bem, quinta-feira foi um dia de boas reflexões sobre o porquê do baixo público nos jogos do Avaí e até do futebol brasileiro em geral. O Adir José Jr. fez isso em seus perfis no Twitter e no Facebook, e os blogues O Meu AvaíAvaixonados e Sangue Azurra reproduziram. Quem também abordou o assunto foi o Rafael Botelho, no TV Blogueiro. Vale a pena ler ambos.

E, por fim, na mesma quinta, vi uma análise feita por Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, com 17 pontos (coincidentemente, ou não, o número de regras do futebol) que ele avalia como os que mais afastam os torcedores brasileiros dos estádios. Prestem atenção neste trecho:

… não há como negar que  por trás deste problema há um pressuposto equivocado cultivado por anos dentro dos clubes, de que a paixão pelo futebol faz com que o torcedor aceite qualquer desaforo para ver de perto o seu time do  coração. No passado isso poderia se justificar, mas a realidade mudou, e hoje o futebol tem que disputar mercado com outras opções de entretenimento, num mundo onde a preocupação em atender bem ao consumidor é a regra.

O que fica implícito no pensamento do Fernando é o seguinte: temos dirigentes com pensamento de anos 1970 comandando clubes que precisam se adaptar ao século XXI. Aí fica difícil mesmo. Bom, quanto aos 17 motivos para o torcedor não ir ao estádio, ele divide em dois tipos: os de alto impacto (oito) e os de médio e baixo impacto (nove). São esses abaixo.

Não é a verdade absoluta, mas é a visão de alguém com experiência em pesquisas no mercado do futebol. Acho que todos esses fatores podem influenciar mesmo, em maior ou menor medida. No caso avaiano, por exemplo, “acesso ao estádio”, creio, seria um fator de alto impacto, enquanto “qualidade do estádio” seria de baixo impacto. E ainda considero que, embora todos influenciem e estejam relacionados, o fator “preço” ainda é o mais relevante, pois é ele que define o público que os clubes querem atingir – mas o que fazem para cativá-lo?

Leiam e vejam se concordam:

Fatores de alto impacto

a) Violência

b) Preço dos ingressos

c) Qualidade dos estádios

d) Oferta de pay-per-view

e) Outras opções de entretenimento (cinemas, teatro, bares, praia, etc.)

f) Pouca importância dos jogos

g) Baixa qualidade / tradição do adversário

h) Nível de competitividade do time local / má posição na tabela

Fatores de médio e baixo impacto

a) Horário dos jogos

b) Dificuldade na compra de ingressos

c) Acesso ruim ao estádio

d) Oferta de Meios de transporte

e) Oferta de estacionamento

f) Oferta de alimentação

g) Oferta de serviços

h) Clima

i) Excesso de jogos na TV

Violência

Sei que o tema da violência no futebol é chato e complexo. Mas vou tentar tratar dele sempre que for possível, já que não podemos fingir que não existe.

Do desabafo sobre a violência no futebol e a “criminalização” de torcedores da paz que o Rafael Botelho fez em seu blogue TV Blogueiro, e que foi reproduzido em outros blogues, a parte que mais me chamou a atenção foi essa:

– No intervalo [de Juventus 2×3 Avaí, em Jaraguá do Sul], meu filho pergunta: “Pai, por que aquele policial está com uma escopeta na mão e olhando pra gente?”

Aparato policial para um jogo do Campeonato Sergipano. Precisaria isso tudo pra um simples jogo de futebol? (Foto: Batalhão de Choque PMSE)

É difícil mesmo de explicar ao filho de 9 anos do Rafael o porquê de termos policiais armados até os dentes para fazer a segurança de um simples jogo de futebol. Mas, vejam, é algo que “evoluiu” com o tempo. Os mais antigos lembram que as torcidas de Avaí e Figueirense iam juntas aos clássicos e nem existia divisão entre elas nas arquibancadas. A minha geração não pegou essa época e tem dificuldade em aceitar a possibilidade de haver, por exemplo, um setor misto em clássicos, algo que seria normal algumas décadas atrás. 

A minha geração também acostumou-se com a ideia de que um alvinegro não pode ficar na Toca do Leão até minutos antes de um clássico na Ressacada e, daqui a pouco, não conceberemos mais a ideia de que uma torcida organizada pode ir ao clássico sem que seja escoltada pela PM. Se nada for feito, a geração do filho do Rafael pode crescer com a ideia de que cavalaria, spray de pimenta, bala de borracha e helicóptero são tão inerentes a uma partida de futebol quanto a bola, o árbitro e os jogadores.

Quando falo em algo a ser feito, não sei dizer exatamente o quê. Na verdade, creio que sejam “o quês”, um conjunto de ações, que envolvam governo, Justiça, segurança pública, federações, clubes e mesmo nós, torcedores. Por isso, vejo como positivas punições como a que o Figueirense recebeu pela baderna provocada pela Gaviões Alvinegros após o último clássico. Sei que muita gente vai defender que “o clube não é responsável pelos atos de seus torcedores”, mas considero que essa é uma das ações que podem ajudar no combate à violência no futebol. O Figueirense foi prejudicado e a sua torcida também, pelo ato dos “organizados”. É uma ótima oportunidade para que clube e demais torcedores repensem sua relação com esses caras.

Briga entre torcedores da Roma (Itália) e do Manchester Untied (Inglaterra) em 2007. Era apenas um jogo de futebol… (Foto: Daily Mail)

Gostem ou não, na maioria dos casos, a violência ligada ao futebol tem origem nas torcidas organizadas, e isso não é só no Brasil – o mesmo acontece com as barras bravas nos nossos vizinhos sul-americanos ou com os ultras na Europa. Se os casos de violência têm origem não na totalidade de uma torcida, mas por uma pequena parte dela, não fica mais fácil combatê-los? Em teoria, deveria ser, mas as organizadas têm, muitas vezes, apoio dos clubes para viagens e compra de ingressos, recebem um espaço no estádio só para elas e são idolatradas por muitos torcedores – inclusive pelos atos de violência que cometem.


Em ambos os casos, é o o que se pode chamar de “ode à violência”

É verdade que quase sempre são elas que fazem a festa, puxam os cantos, são o “pulmão” do estádio e, eu também acredito nisso, a maioria de seus componentes não se envolvem em brigas.  Mas se o objetivo delas é só o de apoiar o clube, e se elas são “organizadas”, não conseguem identificar e retirar esses maus elementos dos seus quadros? Esses caras que aprontaram no clássico serão expulsos da Gaviões? Ou vão, ao contrário, ser vistos como “referência” na torcida? A Mancha Azul, a União Tricolor, a Fúria Marcilista etc., aceitam como seus componentes torcedores com histórico de participar de atos de violência? Por que os bons não conseguem afastar os maus?

Imagem pesada, né? É para nós não esquecermos. Ah, e era apenas um jogo de futebol… (Foto: Diário Catarinense)

Não quero criar alarmismo, mas em Santa Catarina a violência no futebol é latente. Às vezes, parece que está tudo calmo, mas sempre acontece um apedrejamento de ônibus aqui, uma tocaia ali, nada que ganhe muito espaço no noticiário, até que, um belo dia, alguém é baleado dentro do estádio, ou morre por causa uma pedrada na cabeça, ou tem a mão decepada por uma bomba caseira – e, pra mim, a discussão sobre quem atirou a primeira pedra é clubista e irrelevante.

Aí, a imprensa e a sociedade convocam discussões sobre a violência no futebol, que em pouco tempo serão esquecidas, até o próximo caso “grave”. Quem vai a estádio, ou viaja para ver seu time, com o Rafael Botelho, sabe que o clima de tensão é constante. Algo que o filho dele, de 9 anos, talvez ainda não entenda completamente, mas parece já ter notado que existe.

Corneta censurada

Não concordo com a parte do “muda de canal” (TV aberta é concessão pública. Temos direito a uma programação de qualidade), mas, no mais, está de parabéns esse cidadão por dizer o que pensa. E péssima a atitude do repórter em censurá-lo e não deixar que concluísse sua resposta.

Contraste

A classificação do Chevettão 2013 mostra o quanto Avaí e Chapecoense são diferentes. Eles têm mais que o dobro dos pontos que nós temos: 25 a 12. É goleada.

Assim como eles nos goleiam em número de vitórias (8 a 3), têm um ataque bem mais efetivo (24 a 15) e uma defesa bem menos vazada (11 a 18). Ah, e meteram 4 a 1 na gente no primeiro turno.

Só esses números já mostram a pauleira que vai ser essa partida de amanhã. Assim que é bom. Quem for à Ressacada – vamos? – deve ver um bom duelo, de um Avaí bagunçado mas jogando a vida para continuar com chances de classificação contra o melhor time do Chevettão 2013. Sei que o torcedor brasileiro – não é exclusividade do avaiano. TODOS são assim – costuma virar as costas para o time nas fases ruins, mas, olha, pra quem gosta de um bom futebol, com disputa e emoção, essa partida tem tudo para ser divertida. Eu não deixaria de ir.

Falando em Chapecoense, interessante como o mundo dá voltas. Depois do estadual de 2010, o Avaí estava no topo. Bicampeão catarinense, vinha de um sexto lugar na Série A, estava nas oitavas da Copa do Brasil, teria Copa Sul-americana naquele ano, enfim, era o pica das galáxias, inquestionável e incriticável. Já o time do Oeste amargou um rebaixamento fake para a segunda divisão do Catarinense, que só não ocorreu por causa de um estranha “licença” que o Atlético de Ibirama pediu – primeira vez que vejo um clube pedir licença porque não consegue se manter na primeira divisão e voltar, como se nada tivesse acontecido, na segunda divisão do ano seguinte -, e estava na Série C do Brasileirão.

Quase três anos depois, Avaí e Chapecoense estão na mesma divisão do Campeonato Brasileiro e, por enquanto, os verdes estão dando de relho nos azuis no estadual. E já que gosto de números, tem um que talvez ajude a explicar o porquê de estarmos em queda e eles em ascensão.

Sabiam vocês que desde novembro de 2010 a Chapecoense teve QUATRO* treinadores, e o Avaí, OITO**? Pois é.  Aí fica difícil discutir planejamento e organização com os caras.

*Mauro Ovelha (novembro/2010 a novembro/2011), Gilberto Pereira (novembro/2011 a março/2012), Itamar Schulle (março/2012 a setembro/2012) e Gilmar dal Pozzo (desde setembro/2012)

**Vágner Benazzi (outubro/2010 a fevereiro/2011), Silas (fevereiro/2011 a junho/2011), Alexandre Gallo (junho/2011 a agosto/2011), Toninho Cecílio (agosto/2011 a novembro/2011), Mauro Ovelha (dezembro/2011 a março/2012), Hémerson Maria (março/2012 a setembro/2012), Argel Fucks (setembro/2012 a dezembro/2012) e Sérgio Soares (dezembro/2012 a março/2013).

A média continua

Chutar cachorro morto agora seria fácil. Falei quando ele veio que seria uma boa aposta e continuo achando que foi, talvez encerrada precipitadamente.

Sérgio Soares chegou ao Avaí com boas credenciais – não fantásticas, mas boas. Pelo Santo André, foi quarto colocado no Paulista de 2005, vice na Série B de 2008 e vice no Paulista de 2010. No Grêmio Barueri, conseguiu o acesso da Série C para a B em 2006. Com o Atlético Paranaense, foi quinto colocado na Série A em 2010, ficando perto da Libertadores. Seu único título, um Paulista da Segunda Divisão com o Santo André, em 2008.

Se não era um gênio da bola, Soares também não deveria ser uma anta completa. Fez bons trabalhos em 2005, 2006, 2008 e 2010 (em dois clubes). Não sei sobre os bastidores de sua saída, sei que o time do Avaí não evoluía, mas, fica a questão: será que era culpa dele?

Trocar técnico não é novidade no Avaí. A média é de três por ano. O próximo que vir será o de número 33 desde 2002 (na lista ali, falta o 32, que foi o Soares). Tem gente que achar normal, que é isso mesmo, tem que dar satisfação à torcida, criar “fato novo”, mas, pra mim, é muito. Não há continuidade, planejamento, nada.

Deu certo em 2012 com Hémerson Maria, deu errado tantas outras vezes e na melhor fase do Avaí na gestão Zunino (2008-2010), o acesso à Série A e os dois títulos foram conquistados com treinadores que iniciaram e terminaram os campeonatos(Silas e Péricles Chamusca).

Cotado para voltar ao Leão, Silas teve um desempenho muito ruim no primeiro turno do campeonato de 2009. Apenas 13 pontos em nove jogos, só um a mais do que somamos em 2013. No segundo turno, melhorou muito, foi à final e ficou com a taça. Teve tempo para fazer isso.

Ainda sobre a saída do Soares, recomendo a leitura do ótimo texto do Rafael Eleutério, do Minha VidAvaí, que reproduzo abaixo. Os grifos são meus.

Sérgio Soares já vai muito cedo

Ao contrário do que o torcedor brasileiro acostumou-se a ver todos os anos, com a passagem de 3 a 4 treinadores por temporada em alguns times, como no caso do Avaí,  esse rodízio não é o normal e muito menos o saudável aos clubes
 
Essas constantes trocas só fazem onerar os caixas das instituições, sem que tenham resultados garantidos. A tendência, aliás, é que não façam diferença a ponto de se justificarem. Faz-se um elenco inteiro conforme as indicações do técnico que iniciará o ano e cogita-se demiti-lo após uma série de 10 resultados ruins. 
 
Infelizmente, ainda existem dirigentes que não conseguem enxergar a necessidade de continuidade de um trabalho. Que não compreendem que perder um campeonato sendo vice ou oitavo colocado é a mesmíssima coisa. Mas, principalmente, que não observam o óbvio: se o técnico é tão temporário, ele que deve adequar-se o máximo que puder ao elenco de que o clube dispuser
 
Se os técnicos pretendidos só aceitam fechar contrato sob a condição de trazerem mais uma carrada de jogadores, descarte-se a hipótese de suas contratações. Mesmo sabendo que seria praticamente impossível contratar alguém para comandar o time, o Avaí é um clube que não pode reclamar disso. 
 
Tivemos um técnico competente, com visão de longo prazo e habilidade em tirar o melhor do elenco e que praticamente caiu do céu. Hemerson Maria foi demitido quando todos viam que não se poderia tirar mais daquele time. Saiu com o time na sétima colocação e terminamos o ano na sétima colocação, com a diferença de termos aumentado enormemente nossas dívidas já gigantes. 
 
O nosso Leão é um caso gritante de erros nesta área tão intimamente ligada a uma palavra inexistente nos escritórios da Ressacada: planejamento. Independente de Sérgio Soares não ter alcançado os resultados desejados, de não ter a simpatia do grupo de jogadores, foi embora muito cedo. Ao menos em relação ao que precisamos.