Arquivo para dezembro \31\UTC 2012

O jogo do ano

Se estiver com tempo, assista. Um feliz 2013 a todos.

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Mais informações sobre a grana da TV

Ainda sobre o tema do dinheiro que os nossos clubes receberam da RBS pelo estadual, algumas informações que surgiram depois que publiquei o texto de hoje de manhã:

a) O André Tarnowsky me alertou pra um post no blogue dele com a informação de que a RBS vai desembolsar desembolsou em 2012 impressionantes R$ 32 35 milhões pelo Campeonato Gaúcho, sendo R$ 12 milhões para Grêmio, R$ 12 milhões para Inter e mais R$ 800 mil para cada uma das 10 14 equipes restantes. A diferença é que lá, além dos direitos de transmissão dos jogos, a RBS comprou os direitos de comercializar a publicidade de campo.

b) Achei duas notas no site da RBS falando sobre a audiência das finais do Catarinense e do Gaúcho de 2012. Não lembro se houve transmissão de Figueirense 1×2 Avaí pro interior, mas na Grande Florianópolis, diz  a emissora gaúcha, a audiência foi de aproximadamente 126 mil pessoas. Isso dá 12% dos moradores da nossa mesorregião (também achei pouco), de acordo com a população estimada pelo IBGE (1,027 milhão. No entanto, o conceito de “Grande Florianópolis” da RBS não deve ser o mesmo do IBGE, já que até em Urupema, na mesorregião Serrana, a programação que a RBS transmite é a de Florianópolis). Lembrando que o confronto envolvia os dois times que se brigam pra ver quem tem a “maior torcida de Santa Catarina”  e que 90% da torcida dos dois está aqui na Grande Florianópolis.

Já no Rio Grande do Sul, mesmo sem o Grêmio na final, o jogo entre Internacional e Caxias foi assistido, segundo a RBS, por 3,1 milhões de pessoas. Isso equivale a 30% da população de todo o Rio Grande do Sul (10,6 milhões, segundo o IBGE). Pode ser que esse jogo também tenha sido transmitido pra regiões de Santa Catarina, não sei. Mesmo assim, vejam que é bastante gente em uma final que não tinha o Grêmio.

Acho que é melhor não insistirmos na comparação com os gaúchos e comparar o Catarinense com ele mesmo. Se os clubes acham que podem receber mais, que usem os melhores argumentos possíveis pra isso. Ou achem outra alternativa que não a RBS. Eu adoraria. Não suporto jogo às 22h, e a RBS ainda mente pra mim, fazendo campanha pra que eu torça pra time catarinense, mas transmite jogo de time de fora (coerência?)

Porém, como o Felipe Matos comentou no meu texto anterior, até o presidente da federação já disse que só negocia com a RBS. Aí, quem come na mão de quem? Pois é… Depois não adianta vir com mimimi.

Vale quanto pesa

Enquanto aguardo a tabela “desmembrada” do estadual 2013 – com a definição de quais jogos vão ser no sábado, quais no domingo, quarta ou quinta – pra saber em quais estádios de Santa Catarina vou assistir o Avaí atuar no próximo ano, fico sabendo que Associação de Clubes e RBS fecharam em R$ 4 milhões o total pago pela emissora gaúcha para transmissão do Campeonato Catarinense. É quase o dobro do que a maior empresa de comunicação do Sul do Brasil pagou pelo torneio do ano passado, informa o Rodrigo Santos.

Não sei dizer se é muito ou pouco, pois não sei quanto a RBS gastará e lucrará com o estadual. Os clubes queriam R$ 6 milhões, a RBS dizia que não passaria de R$ 3,2 milhões e, no fim, fecharam por R$ 4 milhões. É bem possível que ainda houvesse mais pra tirar, como em qualquer negociação feita entre duas partes, mas, ficou assim.

Ainda segundo o Rodrigo Santos, ano passado a RBS pagou R$ 11,7 milhões pelo Campeonato Gaúcho. Isso fez com que clubes como o Avenida de Santa Cruz do Sul recebessem mais grana que Avaí ou Figueirense pelo seu estadual. É uma comparação interessante, mas, se a gente analisa melhor, vê que não dá para fazê-la (e eu mesmo já a devo ter feito). Isso porque a grana que a RBS paga é pelo campeonato, não para cada clube. A divisão, aí sim, é feita pelos clubes por sua associação ou federação (não sei exatamente como funciona no estado vizinho).

O Avenida recebe(ia?) mais dinheiro que Avaí e Figueirense pelo mesmo motivo que o Middlesbrough, pequeno clube inglês, recebia na temporada 2010-2011 praticamente a mesma grana da TV que Valência ou Atlético de Madri, importantes clubes espanhóis, cada um por seu campeonato. Os campeonatos são diferentes, de países diferentes, de economias diferentes, têm públicos diferentes (o Inglês tem uma grande penetração – ui! – em países asiáticos, por exemplo) e recebem valores diferentes da TV. O Gérson dos Santos abordou mais ou menos isso.

Enquanto no Rio Grande do Sul, estado com 10,5 milhões de habitantes, mais de 80% das pessoas afirmam torcer pra Grêmio ou Inter, em Santa Catarina, com seus 6 milhões de habitantes, as torcidas de Avaí, Joinville, Criciúma, Figueirense e Chapecoense somadas mal chegam a 30% do total. É o que dizem as pesquisas que nos colocam, com muito orgulho, como time catarinense com mais torcida. A realidade, no entanto, mostra que há mais catarinenses flamenguistas e até gremistas e colorados que torcedores de qualquer clube barriga-verde.

A diferença de “mercados” é muito grande e um argumento a favor da RBS para justificar a disparidade dos valores que paga pelos dois estaduais que transmite. A presença de Grêmio e Inter, que abocanham a maior parte da grana do Gauchão, beneficia os Avenidas da vida – algo que, espera-se, ocorra conosco com a volta do Palmeiras à Série B. Em Santa Catarina, não temos uma dupla Grenal (apesar de as grades de transmissão da RBS terem sempre quase 80% dos jogos transmitidos de Avaí ou Figueirense, para desespero dos interioranos) que atraia tanto público e gere, portanto, tanta audiência.

E poderia ser diferente? Sim. Se houvesse mais avaianos em Caçador, alvinegros em Canoinhas, jequeanos em São Joaquim, poderia ser diferente. E por que não há? Aí, vamos discutir o ovo ou a galinha – as pessoas não se interessam pelos clubes locais porque a TV transmite jogos de fora ou a TV transmite jogos de fora porque as pessoas não se interessam pelos clubes locais? Não sei dizer o que veio primeiro. Mas poderia a RBS, líder de audiência em Santa Catarina, promover, por exemplo, campanhas para valorizar os times locais? Sim. Deveria? Talvez sim, ainda mais porque suas emissoras de rádio e TV são concessões públicas e há (há?) interesse dos catarinenses em ver seus times de futebol mais fortes. É uma boa discussão e, se é o que queremos, cabe a nós, torcedores, pressioná-la para que isso ocorra.

Mas enquanto a mui parceira RBS não faz isso, cabe aos nossos clubes virarem-se como podem para conquistar corações e, com isso, garantir mais audiência ao estadual e, consequentemente, mais poder para barganhar recursos. Não sou o maior entendedor de comunicação organizacional do mundo, mas como trabalho com isso todos os dias há cinco anos e tenho formação (graduação e pós) na área, alguma coisinha eu entendo. E uma das coisas que aprendi foi que, embora os veículos de comunicação de massa sejam importantíssimos, as organizações têm que criar e fortalecer seus próprios canais de contato com os públicos prioritários. Não se pode ficar refém da mídia, que é um agente externo e passa a mensagem que quer, não a que nós (=organização) queremos.

Programas de “cônsules”, camisas em homenagem a cidades, entrar em campo com bandeira de Santa Catarina, escolinhas, maior contato com imprensa do interior, acho tudo válido e importante para os clubes tentarem ganhar mais torcedores fora de sua região de origem – desde que essas ações sejam integradas e bem-feitas, claro. Já observamos, nos anos mais recentes, um movimento de valorização dos clubes locais – torcia-se “ainda mais” pra times cariocas aqui ou gaúchos no Oeste há duas ou três décadas – e espero que ele continue a ocorrer.

Pra finalizar, lembro que os clubes quiseram a RBS. Houve briga judicial em 2009 pra tirar o campeonato da Record. Alegaram baixa qualidade técnica e que o campeonato na emissora gaúcha traria mais exposição aos clubes, mesmo eles recebendo menos pelos direitos de transmissão. Recordo até hoje da sorridente Suyane Quevedo anunciando no Globo Esporte de sexta a transmissão de “Avaí x Brusque, ao vivo” no sábado. Aí, veio a Dona Justa e, créu, disse que o Catarinense era da Record e não teve transmissão nenhuma da RBS. Foi pela “emissora do bispo” que o estado viu  o Leão acabar com o jejum de quase 11 anos sem título.

Sem a Record, sobra quem? RBS. E quando há apenas uma opção pra negociar, não dá pra tirar muita coisa mesmo.

A base vai bem

Enquanto não aparece uma parceria pra nos salvar da pindaíba, mesmo um ano após o maior orçamento da história, o Avaí vai em 2013 apostar nas suas categorias de base – pelo menos é esse o discurso oficial. E meno male que a base avaiana vai muito bem, obrigado. Os resultados são ótimos, como o mais recente, do Brasileiro Sub-20, competição em que chegamos às quartas-de-final.

Pra mim, base não é pra ganhar título, mas pra formar jogador pro time principal. Se não ganhar nada mas revelar atletas pro time de cima todo ano, cumpriu sua missão. Mas, é claro, as conquistas e boas campanhas na base são um indicativo de que um bom trabalho está sendo feito. E me parece que é isso que está acontecendo no Avaí.

Em 2012, o Avaí conquistou o campeonato estadual juvenil, o bicampeonato estadual infantil e o bicampeonato citadino infantil. No citadino juvenil, foi vice-campeão. No estadual júnior, foi semifinalista. Resultados que não renderam taças, mas nem por isso foram ruins.

Na Copa São Paulo não fomos bem. Ficamos na primeira fase, com dois pontos em um grupo que tinha América (MG), Audax (SP) e 7 de Setembro (MS). Na Copa do Brasil Sub-20, uma eliminação normal na primeira fase para o Corinthians, apesar de uma derrota por 4×0, mas, ok, normal. E no Campeonato Brasileiro Sub-20, fizemos a melhor campanha da história de Santa Catarina nessa competição. Classificamo-nos em primeiro num grupo que tinha também Fluminense, Grêmio, Atlético Mineiro e Portuguesa e caímos nas quartas, por 1×0, para o Coritiba. Campanha muito positiva.

Esses bons resultados no geral nos dão a esperança de dias melhores para o Leão. Se vai faltar grana para contratar, pelo menos parece que vai vir uma boa gurizada. O clube tem que saber lançá-los, e a torcida, ser paciente com os guris. Eles vão tropeçar na bola, rabar, posiconar-se errado. É normal nos primeiros jogos. Profissional é diferente de categoria de base. E desvalorizar o jogador da nossa base é desvalorizar o próprio patrimônio do clube.

Além dos resultados dentro de campo, a filosofia da categoria de base – lembrando que vejo tudo de fora, como torcedor – parece ser muito bacana. Lembro que numa conversa em reunião do Conselho Deliberativo, o coordenador das categorias de base do Avaí, Diogo Fernandes, falou sobre como era desenvolvido o trabalho.

Além da metodologia que ele explicou – como o trabalho com grupos menores e sem aquela de chegar jogador a toda hora, indicado por Fulano ou Sicrano -, achei extremamente positivo o fato de o Avaí firmar parceria com a prefeitura de Florianópolis para oferecer aos guris ensino fundamental por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e adotar a prática de a assinatura do primeiro contrato ser feita numa espécie de “apresentação à imprensa”. Acho que isso humaniza e valoriza o tratamento dado ao jogador da base.

A educação é importantíssima, já que nem todos serão atletas profissionais. Quanto à assinatura, é mais ou menos como formatura de curso de qualificação profissional com cerimônia, família presente, fotógrafo etc. Tem gente que acha bobagem, mas é um momento às vezes único na vida do formando e que ele vai guardar pra sempre. E não é porque ele não teve como cursar o ensino superior que não tem direito a viver um momento como esse. Do mesmo modo, a assinatura do primeiro contrato profissional é um momento importante na vida de um jogador (e de todos nós, não foi?) e é bem melhor ser feita assim que num gabinete fechado. Pelo menos eu acho.

Que os bons ventos continuem a soprar na base avaiana. O clube só tem a ganhar com isso.

Casamata e senzala

Grande parte dos jogadores de futebol são negros, a maioria dos treinadores são ex-jogadores, mas pouquíssimos treinadores de ponta no Brasil são negros. Conversei sobre isso há uns 20 dias com um colega na Semana da Consciência Negra do Instituto Federal de Santa Catarina e, dias depois, por coincidência, o excelente blogue Impedimento abordou o tema, inclusive levantando alguns dados. De fato, são raros os negros técnicos de times de expressão no Brasil. E, vejam só, o Avaí tem sido nos últimos anos uma bela exceção a essa regra.

hemerson_mariaAproximadamente 45% dos jogadores da elite nacional nesta temporada eram negros, de acordo com análise do Impedimento. Eles não sabiam a autodeclaração de cada um, apenas fizeram a classificação pelo fenótipo (características físicas). No entanto, não creio que o percentual de jogadores negros seja menor que isso, pois 51% da população brasileira é autodeclarada negra. Os negros são maioria entre os pobres, a maioria dos jogadores vem das classes mais baixas, então a tendência é de que pelo menos metade dos jogadores de futebol brasileiros sejam negros.

A turma do Impedimento identificou que 27 dos 36 treinadores que dirigiram times da Série A em 2012 foram ex-jogadores, o que dá 75% do total. E dentre os 36, apenas três foram identificados pelos blogueiros como tendo traços que os caracterizariam como negros (não sabiam, mais uma vez, a autodeclaração de cada um): Joel Santana, Hélio dos Anjos e Cristóvão Borges. A proporção é de 1/12, ou 8,3% do total de treinadores.

sergio_ramirezOs números, embora não precisos, apontam uma realidade que se percebe fazendo exercícios de memória. Quais times da Série A têm hoje treinadores negros? Qual foi o último treinador negro da Seleção Brasileira? Onde está Andrade, campeão brasileiro de 2009?

O negro é protagonista dentro das quatro linhas, mas não chega às casamatas. Por quê? Uns dizem que pode ser porque eles têm menos acesso à educação, mesmo quando comparados a brancos pobres. Seria mais difícil para eles fazer um curso para treinador, ou mesmo interessar-se em fazê-lo, pois é uma realidade distante da deles. Posagora, não vou dizer que não porque não tenho elementos para isso, mas pelo pouco que já li sobre o assunto, penso que o problema seja o seguinte: no futebol, assim como ocorre em empresas, negros não são colocados em postos de liderança/chefia – e o cargo de treinador de futebol é um posto de liderança/chefia. Pior: talvez o próprio negro não se veja como capaz de exercer esse papel.

lula_pereiraNo futebol, o negro é, ao mesmo tempo, trabalhador braçal (força) e artista (habilidade). Porém, não é visto como alguém capaz de ser um líder, um estrategista, um pensador. E é assim que, creio, funciona a nossa sociedade. Ao negro, são reservadas as funções que ele desempenha como jogador de futebol: a de trabalhador subalterno e a de entretenedor (cantores, atores etc.). Há exceções aqui e ali, que são sempre citadas para “provar” que o racismo não existe, mas elas são apenas… exceções. A regra é bem diferente.

Mas se essa é uma realidade do futebol brasileiro, legal ver que o Avaí não é assim. Nos últimos quatro anos, pelo menos três treinadores de destaque do Leão eram negros (no fenótipo; não sei a autodelcaração deles). O uruguaio Sergio Ramírez montou boa parte do time de 2008 e ficou a uma vitória de vencer o turno do estadual daquele ano – havia uma bicicleta chapecoense no meio do caminho… Caiu e em seu lugar veio Silas, que entre 2008 e 2011 fez as melhores campanhas azurras nas Séries A, B e Copa do Brasil, além de ganhar o estadual de 2009. Por fim, tivemos Hémerson Maria, o fenômeno campeão estadual de 2012.

Silas_AvaiPara 2013, o Avaí aposta em outro treinador negro: Sérgio Soares. Ele que, em 2005, era um dos únicos três treinadores negros entre 44 times das Séries A e B e foi entrevistado pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro, em reportagem sobre o tema. As respostas que ele deu na época coloco abaixo.

Torço pelo sucesso de Soares no Leão por óbvios motivos – afinal, sou avaiano – e também para que nosso clube continue sendo uma exceção à regra e ajude a promover a “inclusão social” dos treinadores negros no Brasil.

(entrevista de Sérgio Soares, então treinador do Santo André, para o jornal O Globo, em 24 de abril de 2005)

Você sabia que é um dos três técnicos negros das duas primeiras divisões do Brasileiro?

sergio_soares_avaiSÉRGIO SOARES: Estou surpreso. Não tinha a menor idéia. É uma pena porque o que vale é a competência, não a raça do treinador. Pensando agora, realmente só me lembro do José Carlos Serrão, do Guarani.

Por que há tão poucos técnicos negros?

SOARES: Talvez não haja interesse de o ex-jogador negro virar técnico. O César Sampaio, por exemplo, acabou de se aposentar e disse que não deseja ser treinador. Agora, por que isso acontece, não tenho idéia.

E por que você decidiu ser técnico de futebol?

SOARES: Foi sempre um sonho. Procurei aprender alguma coisa com técnicos com quem trabalhei, como Vanderlei Luxemburgo. Fiz curso de treinador em 1999, quando ainda era jogador.

Em 20 anos de carreira, você teve quantos técnicos negros?

SOARES: (depois de pensar alguns segundos) Dois. O Teodoro e o próprio Serrão, ambos no Juventus-SP. É muito pouco, né?

Fotos:

Hémerson Maria – Marco Dutra/FutebolSC

Sergio Ramírez – (não encontrei o autor/proprietário)

Lula Pereira – Acervo Polidoro Júnior

Silas – Ricardo Duarte/ClicRBS

Sérgio Soares – Ricardo Petcov/InfoEsporte

12/12/12, dia de sentir saudades da “camisa 12”

 

Marcos e o Avaí

– Eu estava doido para bater, mas achei que não era o momento, não ia mudar nada eu cobrar. Se fosse lá, o Felipão até iria aceitar. Mas havia um menino do outro lado (Aleks), que está começando a carreira e já tinha levado quatro. Iria parecer que estava pisando. Eu não sairia satisfeito.

Essa foi a declaração de Marcos, ex-goleiro do Palmeiras, que teve seu jogo de despedida ontem, comentando a recusa dele em bater um pênalti na partida entre Palmeiras e Avaí na Série A do ano passado. O Verdão já nos vencia por 4×0, e a torcida deles pedia para que o goleiro batesse o pênalti. São Marcos mostrou, mais uma vez, que é um cara fora de série.

A preocupação em não humilhar o adversário e em preservar o Aleks, então com 21 anos, são coisas raras de se ver no meio do futebol. Foi um momento muito bonito, mesmo com nossa acachapante derrota por 5×0.

Além desse jogo, há outros dois na relação entre Avaí e Marcos, um dos meus ídolos no futebol (por isso o post), que destaco. O primeiro é o Avaí 1×6 Palmeiras da Série B de 2003. Pelo meu levantamento, é a maior derrota do Leão na Ressacada em jogos de campeonato (iguala com um 6×1 do Vasco em 1983 e só é menor que um 6×0 do São Paulo em 2004, mas ambos em amistosos). Lembro até hoje da nossa torcida gritando “frangueiro!” quando ele fazia aquecimento. E nós com Gilberto no gol…

Marcos, aliás, nunca perdeu pro Avaí. Foram cinco jogos, com três vitórias do Palmeiras e dois empates. Nos gols, gesuis!, 17 pro Verdão contra apenas quatro nossos. Mas um desses gols deve ficar pra sempre na lembrança do goleiro campeão da Copa de 2002.

Foi num 1×1 contra o Avaí na Ressacada que Marcos sofreu seu último gol como jogador profissional. Batista em chute, que desviou na defesa alviverde, fez o gol avaiano. Podemos até ser fregueses, mas essa marquinha nós deixamos.

Valeu, Marcos! Uma pena que o tempo passa e, um dia, chega a hora de todo jogador parar. Até os excepcionais, como ele.


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