Arquivo de abril \29\UTC 2012

Pensamento positivo

“Não sabendo que era impossível, ele foi lá e fez.”

Frase atribuída a Jean Cocteau (1889-1963), poeta / romancista / cineasta / designer / dramaturgo / ator francês ou a Mark Twain (1835-1910), escritor norte-americano, dependendo da fonte. Seja quem for, certamente falava sobre o Avaí. Pra cima deles, Leão!

Que dá, dá

Amanhã, todos os caminhos levam a Chapecó. Sairei de casa de manhã cedinho e chegarei à Capital do Oeste perto da hora da partida. Porque, ao contrário da turma lá de dentro do clube que o nosso capitão Leandro Silva criticou na coletiva (em tempo: achei inoportuno ele falar isso agora. Fala depois do jogo), eu acredito. Acho que, se o Avaí jogar como jogou em Blumenau, tem chance.

Claro que a Chapecoense não é o Metropolitano. O time do Oeste defende-se melhor e dá menos espaços que os blumenauenses. Também ao contrário daquela partida, desta vez é o Avaí que precisa vencer (naquela, o empate servia). Por fim, estaremos desfalcados de Bruno e Nunes. Mesmo assim, dá, claro que dá.

Acredito que será fundamental a participação de Robinho (achei que ele tava suspenso) e dos laterais nesse jogo, pois com certeza Cléber Santana será muito marcado, como foi aqui (mas, claro, ele que saia da marcação também, né?). Tenho minhas dúvidas se Mika é um bom primeiro volante – é um bom segundo -, mas, enfim, é o que temos para o momento, sem Bruno, Diogo Orlando e Marcinho Guerreiro.

No ataque, todo o apoio ao garoto Maurício. Que entre e arrebente. Assim como todo o time.

Meu parceiro, meu exemplo

Nosso futuro parceiro segundo o Roberto Alves (que, engraçado, ninguém nunca desmente), o Corinthians mantém em seu site um artigo chamado “Transparência“, que tem como subtítulo “O Corinthians jogando aberto com sua torcida” (grifo meu, sob lágrimas). O que esse link contém? Tudo isso:

 

a) Atas da Comissão de Reforma do Estatuto

b) O novo estatuto do clube

c) Regimento Interno do Conselho Deliberativo

d) Regimento Eleitoral

e) Atas de reuniões extraordinárias do Conselho Deliberativo

f) Orçamento 2012

g) Balancetes patrimoniais

h) Relatórios de Sustentabilidade

i) Outros documento e até uma mensagem “se desejar mandar sua mensagem para o Diretor de Finanças do Timão, clique aqui.”

 

Não bastasse isso tudo para me emocionar, ainda caí na besteira de clicar no link do Balancete Patrimonial de 26/04/2012. Aí, na segunda página, olha o que aparece:

O CORINTHIANS PRESTA CONTAS A SEUS MAIS DE 30 MILHÕES DE TORCEDORES!!!!

Sem mais, senhores. Quando me recompor, volto a escrever. Sobre o jogo de domingo, claro, que amanhã já é sábado.

Um clube indeciso

Toda vez que aparece alguém pedindo satisfações ou transparência para o Avaí, surgem também as vozes contrárias dizendo que o clube não deve satisfação nenhuma a não ser aos seus órgãos internos e, quando muito, a seus sócios. É uma visão, respeito e, por isso, tenho todo o direito de discordar. Discordo porque acho que o Avaí tem que decidir qual é a sua identidade.

O Avaí é popular, tem 500 mil torcedores segundo as pesquisas, externa isso com orgulho (“A maior e mais apaixonada torcida de Santa Catarina”), mas muitas pessoas dentro do clube e até torcedores acham (ou o que dizem e fazem me levam a crer que acham) que ele é um clubinho fechado, para uma meia dúzia, para os 200 e tantos conselheiros, para integrantes de famílias avaianas “tradicionais”, para a “elite” azurra, não tem? Portanto, deve satisfação apenas a esses. O avaiano que puxa rede na Armação do Pântano do Sul, que tem um box no Camelão de Campinas, ou que está lá, perdido e isolado em Xanxerê, Urussanga ou Braço do Trombudo, esse que se contente em saber apenas do resultado dentro de campo. O resto não lhe interessa.

Acontece que a internet – principalmente depois das redes sociais – potencializou o acesso das pessoas às informações. Elas estão aí, disponíveis, a um clique de distância. E nós queremos saber cada vez mais o que ocorre com as coisas que nos interessam, entre elas, o nosso time de futebol. Não é só com o Avaí, mas com todos os clubes. Procure blogues/fóruns/sites de torcedores de qualquer clube e verás gente leiga, torcedor de arquibancada, discutindo gestão, cifras, planejamento… Fechar-se dentro de uma casca, esconder informação é ir na contramão desse desejo de participação do torcedor.

Algumas vezes, o Avaí abre-se a todos. Isso ocorre em ações que apelam justamente para a participação do torcedor: “Nosso amor é azul”, “Paixão pra toda vida”, “Avaí, ame-o ou deixe-o” (eu inventei, ok, mas essa corrente de pensamento existe entre os avaianos). Quando o interesse é um, o Avaí comporta-se como uma fábrica de salsichas: o que é feito lá dentro e como é feito só interessa para quem está lá dentro. Nesses casos, o Avaí é descrito como uma instituição privada, que deve satisfação a poucos. Pior ainda é quando mercantilizam a paixão. Se pagou a mensalidade, se é sócio, merece satisfação. Se não pagou, cai fora, volta a capinar teu terreninho aí na Vargem Grande.

Mas quando o interesse é outro, o Avaí vende-se como a nossa paixão, como algo público, como nosso patrimônio, como uma Ponte Hercílio Luz, que pode estar caindo aos pedaços e sugando recursos a dar com pau, mas a gente não quer que vá abaixo de jeito nenhum, porque é nossa, faz parte da nossa história, da nossa identidade, mesmo que nunca tenhamos passado por ela. “Venha, participe, tu és importante, precisamos de ti”. Aí é que está a confusão. O que é o Avaí, afinal? É como a fábrica de salsichas ou como a Ponte Hercílio Luz?

Lembro sempre que o Avaí não tem dono, mas é uma sociedade civil com um presidente eleito na forma democrática escolhida pelo clube (no caso atual, eleito pelo Conselho Deliberativo; no futuro, espero, será pelos sócios) e que tem, na minha visão, nos seus órgãos internos (conselhos Deliberativo e Fiscal), nos seus sócios e torcedores, apoiadores e, ao mesmo tempo, fiscais das decisões da diretoria. Tudo isso com o um objetivo: o crescimento do clube no cenário futebolístico nacional e internacional. Por isso, deve satisfação a todos esses segmentos.

Uma noite para sempre

Show McCartney, digo, Paul McCartney entrou no palco pontualmente às 21h30, vestindo azul e saudando o público com um “boa noite, manezinhos”, com direito ao “s” chiado típico do manezês. Foi apenas o início de uma noite que já era histórica antes mesmo de começar e continuará sendo até que o último de nós que compareceu à Ressacada ontem não esteja mais neste planetinha.

Eu, que gosto mas não sou um fã apaixonado por Beatles ou mesmo pelo Macca (conheço algumas músicas e aprecio, mas não tenho CD, DVD etc.), já fiquei embasbacado, imagina quem idolatra o cara e jamais imaginaria vê-lo aqui em Meiembipe. Paul McCartney mostrou toda sua genialidade e uma simpatia fora do comum, falando (e sabendo o que estava falando) algumas palavras em português e expressões em manezês (como “istepô” e “coisa mais quiridja” e ), cativando o já admirado público. Não falou de futebol em nenhum momento, não vestiu camisa do Avaí nem de outro clube, e fez bem (aliás, o Paul torce pro Everton, que é azul e branco).

O ponto alto, claro, foi quando ele cantou “Hey, Jude”. “Live and let die” também levantou o público. Foi, com certeza, o maior show da história de Santa Catarina. E vai ser difícil ter outra igual.

Da parte do Avaí, acho que saiu tudo perfeito. Estádio bem cuidado, instalações em boas condições, enfim, nada que o público pudesse se queixar do clube. Parabéns a todos os envolvidos.

As reclamações foram contra a organização (que não envolvia o Avaí), principalmente no que diz respeito ao transporte na volta. Realmente, não pensaram que, para tirar 30 mil pessoas do Carianos, seriam necessários cerca de 400 ônibus (quem veio de carro teve que parar na Via Expressa Sul, em “bolsões” de estacionamento, e tomar um busão de graça até o estádio). As filas pra pegar o latão eram gigantescas.

Some-se a isso os fatos de que o show acabou depois da meia-noite e de que a Ressacada fica num local pouco privilegiado em transportes (só duas linhas de ônibus passam ali, o ponto de táxi mais próximo fica no aeroporto, a 4km, e só existe uma saída para o Centro), e o caos foi instalado. Teve gente chegando em casa depois das 3h da manhã. Eu fui a pé até o primeiro bolsão (uns 30min de caminhada) e, de lá, peguei um ônibus até perto de casa. Cheguei às 2h.

Tirando esse problema na volta, no mais, quase tudo certo. Tem uma história engraçada de falta de noção da organização – não o Avaí -, que conto num post futuro. Quem foi, foi, quem não foi, torça para ter outro. O “istePaul” deu um banho.

Grandes vitórias longe de casa

O Avaí coleciona grandes vitórias em jogos decisivos nos estádios adversários. Separei algumas delas para lembramos e nos inspirarmos para domingo.

1973 – Uma vitória por 1×0 contra o Figueirense no Scarpelli deixou o Avaí na liderança do quadrangular final faltando uma rodada para o fim. O título foi confirmado com uma vitória por 2×1 contra o Juventus de Rio do Sul no Adolfo Konder.

1975 – Pela primeira vez, Avaí e Figueirense chegaram à final do estadual, numa melhor de três disputada toda no Scarpelli. Depois de perder o primeiro jogo (3×2), o Avaí venceu os dois seguintes (3×0 e 1×0) e conquistou o título.

1995 – Na final da Copa Santa Catarina, o Avaí empatou com o Joinville em casa no primeiro jogo (1×1) e venceu na volta, por 3×1 , no Ernestão, conquistando o título e frustrando os 10 mil joinvilenses presentes.

1997 – O Avaí disputou a final do estadual daquele ano porque venceu o primeiro turno. E como foi? Empatou em casa com a Chapecoense (2×2) e, depois, fez 2×1 lá no Condá. Vai que se repete…

1998 – Na primeira fase da Série C, o Avaí chegou à penúltima rodada disputando uma das três vagas à segunda fase com os gaúchos Pelotas, Brasil de Pelotas e 15 de Campo Bom. Uma vitória por 1×0 em Campo Bom deixou a vaga encaminhada, depois confirmada com uma goleada por 6×0 na Chapecoense na Ressacada na última rodada. No quadrangular final, foi uma vitória por 2×1 contra a Itabaiana em Sergipe que colocou o Avaí a um passo do acesso, confirmado na rodada seguinte, com um 0x0 em casa contra a Anapolina.

1999 – Para chegar à final do estadual daquele ano, o Avaí teve que passar pelo Criciúma na semifinal. Empatou em casa (0x0) e venceu no Heriberto Hülse, por 3×2, de virada, com direito a gol de Alex Rossi no finalzinho (40 do segundo tempo).

2001 – Em Piraciaba (SP), na última rodada da primeira fase da Série B, o XV de Novembro lutava contra o rebaixamento, e o Avaí, para se classificar às quartas-de-final. Deu Leão, 2×0.

2009 – Para chegar ao quadrangular semifinal do Catarinense, o Avaí teve que derrotar e eliminar o Metropolitano em Blumenau por 2×1, de virada, na última rodada. Já no quadrangular, fez 3×2 no Criciúma no Sul do Estado, com gol de Cristian aos 47 do segundo tempo, e chegou à final com esse resultado.

2010 – Na Copa do Brasil, o Avaí empatou com o Coritiba em casa (1×1) e foi buscar a classificação com uma vitória por 1×0 em Curitiba – o time da casa ainda perdeu um pênalti nos minutos finais. No estadual, novamente eliminou o Metropolitano em Blumenau, com outra vitória por 2×1, com gol da vitória aos 47 do segundo tempo (Vandinho), e chegou à semifinal como primeiro colocado na fase classificatória.

2011 – Jogando no Scarpelli, o Avaí eliminou o Figueirense do estadual, com uma vitória por 2×0 na semifinal do segundo turno.

2012 – Mais uma vez, o Avaí teve que eliminar o Metropolitano em Blumenau. Dessa vez, foi mais fácil: 5×2. Com o resultado, classificamo-nos para a semifinal.

Espetáculo

Enquanto vocês leem essas linhas, eu, se nada der errado, estarei na Ressacada assistindo ao maior espetáculo musical da história de Santa Catarina. Era algo tão inimaginável até dois meses atrás termos o mais famoso ex-Beatle tocando aqui em Meiembipe, que só posso elogiar com veemência quem lá do Avaí conseguiu captar esse show para a nossa casa, como diz a KK de Paula. É algo que lembraremos por décadas. Muito bonito.

É uma pena que tantos ingressos tenham encalhado. Ainda ontem havia tíquetes para venda, de um total de 32 mil que foram postos para comercialização. Considero um fiasco. Os pernambucanos, por exemplo, esgotaram 55 mil ingressos para o primeiro dos dois shows que McCartney fez lá quatro dias antes do espetáculo. Em Montevidéu, no Uruguai, bastaram 40 minutos para 28 mil ingressos serem vendidos via internet. Em ambos os casos, os preços são semelhantes aos de Florianópolis. Por que isso ocorreu aqui? Não sei dizer. Depois a gente reclama por ser o zero da BR-101.

Também é uma pena que a gente não possa saber o que o nosso clube – além do evidente ganho de imagem, que não é quantificável em números – vai faturar de dinheiro com esse show. “Ah, o contrato impede que se divulgue”, dizem. Pois é, é lamentável isso. A gente sabe, por exemplo, que o Santa Cruz ganhou entre R$ 1 milhão (aquiaqui e aqui) e R$ 1,3 milhão (aqui) pelas duas apresentações de Macca no Estádio do Arruda, em Recife.

Agora me deem licença que vou voltar a assistir o show. “And when the broken hearted people / Living in the world agree
There will be an answer / Let it be…