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A aposta da vez

Quando chegou ao Avaí, em 2008, Silas vinha de uma experiência como auxiliar de Zetti no Paraná e de treinador do Fortaleza. Cinco anos depois, Ricardinho, o novo treinador avaiano, começou a carreira como técnico no Paraná e, antes de assumir o Leão da Ilha, também havia dirigido um clube da terra de Chico Anysio – no caso, o Ceará, o Vozão. Se as coincidências entre esses dois ex-meias da Seleção em Copas do Mundo vão parar por aí ou não, só o trabalho do novo técnico dirá.

Foto: Estadão.com.br

Dono da Ricardinho Sports – tipo um FairPlay curitibano, não tem? – e aposentado dos gramados há pouco mais de um ano, o nosso novo treinador começou a carreira na casamata no início de 2012, dirigindo o Paraná na segunda divisão do estadual deles. Venceu a competição, como esperado, tendo o glorioso Nacional de ROLÂNDIA (ui!) como vice.

A campanha paranista na competição foi excepcional, com 15 vitórias, um empate e só duas derrotas em 18 partidas. Mas era segunda divisão do Paraná e ele dirigia um dos grandes do estado contra adversários como o supracitado time da “terra da rola”, ou o Cincão Esporte Clube (é sério) e, ainda, o Junior Team Futebol (wtf???). Façamos essa ressalva.

Na Copa  do Brasil de 2012, o Paraná foi até as oitavas. Depois de eliminar a (o?) Luverdense e o Ceará, caiu com duas derrotas para o Palmeiras (1×2 e 0x4), que viria a ser o campeão do torneio.

Na Série B, teve oito vitórias, oito empates e nove derrotas em 25 partidas pelo Paraná, antes de ser demitido. Não era uma campanha ruim, se considerarmos que o elenco paranista era bem fraquinho. Sem querer rimá, mas do Paraná ele foi para o Ceará dirigir o Vozão. Foram apenas 13 partidas entre Copa do Nordeste e Campeonato Cearense, com cinco vitórias, dois empates e seis derrotas, segundo a sempre questionável Wikipédia. Na Copa, levou o Ceará às semifinais, deixando pelo caminho a dupla Ba-Vi, mas foi eliminado pelo ASA.

Bom, ainda é uma carreira que nos faz ter mais dúvidas que certezas. Uma aposta, mais uma, como foi Silas lá atrás. Se os resultados forem parecidos, que bom. Torceremos.

A média continua

Chutar cachorro morto agora seria fácil. Falei quando ele veio que seria uma boa aposta e continuo achando que foi, talvez encerrada precipitadamente.

Sérgio Soares chegou ao Avaí com boas credenciais – não fantásticas, mas boas. Pelo Santo André, foi quarto colocado no Paulista de 2005, vice na Série B de 2008 e vice no Paulista de 2010. No Grêmio Barueri, conseguiu o acesso da Série C para a B em 2006. Com o Atlético Paranaense, foi quinto colocado na Série A em 2010, ficando perto da Libertadores. Seu único título, um Paulista da Segunda Divisão com o Santo André, em 2008.

Se não era um gênio da bola, Soares também não deveria ser uma anta completa. Fez bons trabalhos em 2005, 2006, 2008 e 2010 (em dois clubes). Não sei sobre os bastidores de sua saída, sei que o time do Avaí não evoluía, mas, fica a questão: será que era culpa dele?

Trocar técnico não é novidade no Avaí. A média é de três por ano. O próximo que vir será o de número 33 desde 2002 (na lista ali, falta o 32, que foi o Soares). Tem gente que achar normal, que é isso mesmo, tem que dar satisfação à torcida, criar “fato novo”, mas, pra mim, é muito. Não há continuidade, planejamento, nada.

Deu certo em 2012 com Hémerson Maria, deu errado tantas outras vezes e na melhor fase do Avaí na gestão Zunino (2008-2010), o acesso à Série A e os dois títulos foram conquistados com treinadores que iniciaram e terminaram os campeonatos(Silas e Péricles Chamusca).

Cotado para voltar ao Leão, Silas teve um desempenho muito ruim no primeiro turno do campeonato de 2009. Apenas 13 pontos em nove jogos, só um a mais do que somamos em 2013. No segundo turno, melhorou muito, foi à final e ficou com a taça. Teve tempo para fazer isso.

Ainda sobre a saída do Soares, recomendo a leitura do ótimo texto do Rafael Eleutério, do Minha VidAvaí, que reproduzo abaixo. Os grifos são meus.

Sérgio Soares já vai muito cedo

Ao contrário do que o torcedor brasileiro acostumou-se a ver todos os anos, com a passagem de 3 a 4 treinadores por temporada em alguns times, como no caso do Avaí,  esse rodízio não é o normal e muito menos o saudável aos clubes
 
Essas constantes trocas só fazem onerar os caixas das instituições, sem que tenham resultados garantidos. A tendência, aliás, é que não façam diferença a ponto de se justificarem. Faz-se um elenco inteiro conforme as indicações do técnico que iniciará o ano e cogita-se demiti-lo após uma série de 10 resultados ruins. 
 
Infelizmente, ainda existem dirigentes que não conseguem enxergar a necessidade de continuidade de um trabalho. Que não compreendem que perder um campeonato sendo vice ou oitavo colocado é a mesmíssima coisa. Mas, principalmente, que não observam o óbvio: se o técnico é tão temporário, ele que deve adequar-se o máximo que puder ao elenco de que o clube dispuser
 
Se os técnicos pretendidos só aceitam fechar contrato sob a condição de trazerem mais uma carrada de jogadores, descarte-se a hipótese de suas contratações. Mesmo sabendo que seria praticamente impossível contratar alguém para comandar o time, o Avaí é um clube que não pode reclamar disso. 
 
Tivemos um técnico competente, com visão de longo prazo e habilidade em tirar o melhor do elenco e que praticamente caiu do céu. Hemerson Maria foi demitido quando todos viam que não se poderia tirar mais daquele time. Saiu com o time na sétima colocação e terminamos o ano na sétima colocação, com a diferença de termos aumentado enormemente nossas dívidas já gigantes. 
 
O nosso Leão é um caso gritante de erros nesta área tão intimamente ligada a uma palavra inexistente nos escritórios da Ressacada: planejamento. Independente de Sérgio Soares não ter alcançado os resultados desejados, de não ter a simpatia do grupo de jogadores, foi embora muito cedo. Ao menos em relação ao que precisamos.

“R” de reforço?

Se a Seleção um dia teve o trio de “Rs” Rivaldo, Ronaldo e Romário, agora o Avaí tem Roberson, Rodriguinho e Reis. Galvão Bueno faria a festa narrando gols do Leão. Se eles ocorrerem e forem marcados pelos atacantes, claro.

Reis, o novo atacante, a 15ª contratação deste elenco ainda “não-qualificado” (quando chegar à 30ª, quem sabe), foi confirmado ontem. Tem 24 anos, passou por América-MG, Ponte Preta, Cruzeiro, Bahia e Náutico antes de chegar aqui.

Diz esse site que Reis disputou 65 jogos de estaduais, Brasileiro e Copa do Brasil desde 2009, sendo 34 deles como titular, e fez 15 gols. Tem 1,88m (minha altura, tu vês…), o que indica ser ele o novo Adriano Chuva. Pelo menos no tamanho. Esperamos que no futebol seja diferente.

Nunca muda

A dispensa de Adriano Chuva, contratado há cerca de três semanas, agradou a 9,5 entre 10 avaianos. Esse “0,5” sou eu, que, por um lado, vejo nesse ato um reconhecimento e correção do que diretoria e torcida consideraram um erro, mas, por outro, fico estupefato em ver que o método “tentativa-e-erro” ainda impera na política de contratações de um clube de parcos recursos como o Avaí. Seria muito bonito se dinheiro desse em árvore.

O discurso era de que 2013 seria um ano com elenco mais modesto e aposta nas categorias de base. Isso acontece, em parte. Vindos da base, há somente dois jogadores que têm atuado com frequência (Alef e Marrone). E o elenco é modesto mesmo, mas não por falta de contratações.

Já foram 14 contratados até o momento, o que dá mais que um time inteiro. Desses, quantos mostraram qualidade? Será que muitos desses não poderiam ser substituídos por guris da base? Se falta dinheiro, não entendo por que trazer 14 jogadores, dos quais pelo menos 10 são “apostas” (tire dessa lista Diego, Marquinhos, Eduardo Costa e mais um de tua preferência). Aposta por aposta, a base está aí à disposição e é bem mais barata.

Claro que mesmo boas contratações podem dar errado. Estão frescos na nossa memória os casos de Nunes e Ricardo Jesus, contratações muito bem feitas pela diretoria, mas que simplesmente não jogaram nada aqui. Posso citar também Fábio Santos, artilheiro do Paulista de 2011 e que deve ter feito, sei lá, um gol pelo Leão (na estreia contra o Atlético Mineiro, em 2011. Eu tava lá).

Acontece, é do futebol. Também houve os Émersons da vida, que vieram da reserva de um Sertãozinho e acabaram jogando muito no Avaí.

Mas te diria que pra cada Nunes, há uns três Lincolns, Marquinhos e Cléber Santana, jogadores daqueles que confirmaram em campo o que se esperava deles. E pra cada Émerson, há uns três Didis, Dirceus e Romanos, apostas, desconhecidos, que ninguém nunca viu em lugar nenhum, e que, como esperado, não jogaram nada.

E o Avaí volta ao mercado para tentar mais “reforços”. Já trouxe CATORZE pro estadual e ainda não reforçou o elenco. Não muda nunca.

Os 14 contratados

Diego (G), Gustavo (LD), Alex Lima (Z), Pablo (Z), Paulinho (LE), Alê (V), Eduardo Costa (V), Ricardinho (V), Marquinhos (M), Nádson (M), Adriano Chuva (A), Danilo (A), Roberson (A), Rodriguinho (A)

Tudo como planejado

Hémerson Maria foi demitido “por causa dos resultados”, com um aproveitamento de 57,57%.

Então, não seriam os 56,41% de aproveitamento que segurariam Argel Fucks no comando do Leão.

Com isso, o Avaí encerra mais um ano com três treinadores, mantendo sua média de um a cada quatro meses nos últimos 10 anos.

Não choro pelo Argel, pois nunca o quis no Avaí. Lamento pelo fato de meu time do coração estar à deriva.

E isso tudo fazia parte do planejamento, tenho certeza.

Segue o baile.

Mais um que se vai

Em 10 anos, 30 trocas de treinadores. Média de três professô por ano ou um a cada quatro meses. Somente Silas começou e terminou a mesma temporada no clube.

É sempre o caminho mais fácil responsabilizar o treinador pela incompetência e falta de resultados. Isso não só no Avaí, claro.

Agora, dizer que Hémerson Maria saiu por causa dos “resultado na Série B”? Ah vá… Nascemos ontem, nós todos. Perderam mesmo a vergonha.

Os nomes abaixo peguei da lista de jogos do livro Avaí Futebol Clube: de 1923 a 2008 e atualizei a partir de 2008. Se houve algum erro, aponte que, se eu errei, corrigirei. Se o erro não foi meu, favor reclamar na Ressacada porque esse é o “livro oficial” do Avaí, embora tenha erros a dar com pau (pelo livro, por exemplo, o Avaí nunca ganhou a Copa SC de 1995, já que a final não aparece na lista de jogos).

Treinadores a partir de 2002

1)      Flamarion Nunes

2)      Júlio Spinosa

3)      Adílson Batista

4)      Roberto Cavalo

5)      Lula Pereira

6)      Play Freitas

7)      Jair Pereira

8)      Abel Ribeiro

9)      Marcos Paquetá

10)   Roberto Cavalo (2ª passagem)

11)   José Galli Neto

12)   Márcio Araújo

13)   Casemiro Mior

14)   Vágner Benazzi

15)   Dorival Júnior

16)   Edson Gaúcho

17)   Josué Teixeira

18)   Sergio Ramírez

19)   Zé Teodoro

20)   Alfredo Sampaio

21)   Sergio Ramírez (2ª passagem)

22)   Silas

23)   Péricles Chamusca

24)   Antônio Lopes

25)   Vágner Benazzi (2ª passagem)

26)   Silas (2ª passagem)

27)   Alexandre Gallo

28)   Toninho Cecílio

29)   Mauro Ovelha

30)   Hémerson Maria

31)   Argel Fucks

A maior das apostas

O Avaí contratou 22 jogadores em 2012, dois times inteiros, muitas apostas, mas certamente nenhuma no nível de Jóbson, o novo atacante da Ressacada.

Já vieram jogadores da Penapolense, do São Bernardo e do Itumbiara. Veio Evando, quase ex-jogador. Mas nenhum deles foi uma aposta como Jóbson.

Apostar em Jóbson não é apenas acreditar na recuperação de um jogador, mas de uma pessoa. O ex-atacante do Botafogo admitiu ter usado crack, droga da qual poucos dependentes conseguem se livrar. Se ele é um desses poucos, já é um vencedor.

Jóbson já passou por Botafogo, Brasiliense, Bahia, Barueri (todos com “B”, tu vês) e agora chega ao Leão para mais uma chance de retomar sua antes promissora carreira. Pode dar muito certo, pode dar muito errado. Se der certo, o Avaí ganha um atacante de nível de Série A. Se der errado, pode ser um estorvo no elenco e dinheiro jogado fora. A torcida, claro, é para que a primeira opção prevaleça.