Archive for the 'Viagens' Category

Únicos entre muitos

Não sei dizer exatamente quantos, mas suspeito que haja no mundo dezenas, quiçá centenas de milhares de clubes de futebol. Cada um tem sua história e é único para seus torcedores, incomparável a qualquer outro. No entanto, creio que haja alguns que são mais “únicos” que outros, que se destacam nessa imensidão de clubes sociais, empresa, chocadeira e todas as classificações possíveis e imagináveis.

Na Alemanha, por exemplo, há um pequeno clube chamado Sankt Pauli que é fora do comum. Pra começar, seu uniforme é marrom. “Primo pobre” de Hamburgo, onde o mais vitorioso é o time que leva o nome da cidade (campeão europeu em 1983), o Sankt Pauli tem sede na região do porto, perto de muitas “casas das primas” e de agitada vida noturna. O presidente anterior do clube (2002-2010) é gay, a torcida tem forte influência de movimentos de esquerda e tanto os torcedores quanto a instituição fazem abertamente campanha contra racismo, sexismo, xenofobia e homofobia. O clube chegou a retirar um anúncio de revista masculina de seu estádio porque era ofensivo às mulheres (já pensasse?). Por essas e outras, o Sankt Pauli tem mais fãs do que seus fracos resultados em campo poderiam lhe dar (está na segunda divisão alemã e não tem nenhum título de destaque em seus quase 103 anos de história).


Torcida do Sankt Pauli fazendo manifestação contra a homofobia.

O Sankt Pauli desperta orgulho por sua atuação em causas sociais. Outros clubes geram o mesmo sentimento por representarem perante o mundo uma região. São os casos dos espanhóis (contra a vontade de muitos de seus torcedores) Barcelona e Athletic Bilbao. É famosa a história de que os jogos do Barça eram um dos raros momentos em que os catalães podiam falar seu idioma e expressar seu orgulho nacional durante a ditadura de Francisco Franco. Recentemente, num jogo contra o Real Madri, diversas bandeiras da Catalunha foram vistas nas arquibancadas do Camp Nou.

Mas o Barcelona, como clube, hoje não entra muito nessa dividida de Catalunha x Espanha – é mais um comportamento de sua torcida. Diferente do que faz o Athletic, que só aceita em suas equipes jogadores nascidos ou formados nas categorias de base de clubes do País Basco. Não importa origem étnica (há descendentes de angolanos e ganeses na equipe), nem local de nascimento (Amorebieta, zagueiro da Seleção Venezuelana, joga no Athletic), desde que o atleta tenha sido criado dentro dessas regiões, conheça sua cultura e seus valores. Isso não está escrito em nenhum lugar, nem em estatutos – é uma filosofia do clube de sua torcida.

Athletic e Barcelona simbolizam, para seus torcedores, a resistência ao governo central espanhol. Não raro, em jogos entre os dois, ambas as torcidas vaiam a execução do hino da Espanha. Pode haver outros casos como os de Barcelona e Athletic, mas são, sem dúvidas, clubes singulares.

Assim como o Athletic, Chivas (México) e El Nacional (Equador)  também só usam jogadores “locais” – no caso, nascidos em seus países. O Chivas adota essa prática desde o início do profissionalismo no futebol mexicano. Por isso, ganhou o apelido de Mexicanísimo (“Mexicaníssimo”). Já o Nacional equatoriano é o time das Forças Armadas e, provavelmente, vem daí seu “orgulho nacional”.

Há clubes, como os dois espanhois ou Sankt Pauli, que já estiveram associados a causas políticas e sociais em algum momento de sua história e carregam isso até hoje. Aqui no Brasil, embora já se saiba que não tenha sido o pioneiro em escalar um jogador negro, o Vasco da Gama foi o primeiro clube do Rio de Janeiro a formar uma equipe com maioria de jogadores negros, mulatos e pobres, tendo importante papel na integração racial e social no futebol carioca e brasileiro (na época, o futebol era dazelite, não tem?).

No Uruguai, o Defensor foi um símbolo da resistência contra a ditadura na década de 1970. Com pequena torcida e treinado por um esquerdista (Ricardo de León), recebia reforço nas arquibancadas de torcedores de Peñarol e Nacional, que iam aos jogos do Defensor protestar contra o governo. Quando foi campeão uruguaio pela primeira vez, em 1976, o time do Defensor começou a volta olímpica no sentido anti-horário, pela esquerda, e essa tradição segue até hoje. Genial.

Protestos, politização, ditadura. Lembra a campanha “Diretas Já” da década de 1980 no Brasil, da qual participaram jogadores do Corinthians, que na época vivia sob a “Democracia Corintiana”, um movimento que pregava as decisões democráticas e a autogestão entre jogadores do clube, liderado por Sócrates, Wladimir, Casagrande e o avaiano Zenon. Essa foi uma das passagens mais ricas da história do Corinthians, mas o que realmente marca o clube paulista, o torna diferente dos outros, é sua torcida. Dizem que o Corinthians “é uma torcida que tem um time”, e não o contrário, e que o número de corintianos cresceu durante os 23 anos de jejum de títulos estaduais (1954-77) – daí o apelido Fiel para a torcida. A invasão corintiana no Japão no Mundial de Clubes de 2012 (estima-se de 15 a 25 mil torcedores) entra para a história do futebol mundial. Não à toa, os jogadores do Chelsea ficaram boquiabertos quando entraram em campo e viram aquele mar alvinegro nas arquibancadas. Difícil imaginar torcida que seja tão fiel e doente.

Do outro lado do mundo.

Paixão e loucura de uma torcida, associadas a um estádio mítico, é o que torna único o argentino Boca Juniors. Eu tenho essa teoria, a de que o Boca não é nem um clube, nem um time, mas uma torcida e um estádio. Quando se fala no nome dele, o que vem à cabeça logo, mais do que títulos e grandes jogadores que eles tiveram, são as imagens da Bombonera lotada, chuva de papel picado, malucos trepados no alambrado, chamas ardendo ao redor do gramado, facas e adagas voando contra os adversários e tigres e leões saindo de alçapões para dentro do campo (tipo Gladiador, não tem?). Isso, pra mim, é o Boca Juniors, mais do que as seis Libertadores, Maradona ou Riquelme.

Dedicação a causas sociais e políticas, orgulho nacional, resistência a ditaduras, torcidas numerosas, fiéis e fanáticas. Esses  características ajudam a diferenciar alguns clubes  dentro desse cada vez mais pasteurizado mundo do futebol, onde as agremiações fundadas por operários viram empresas, têm acionistas e donos bilionários, são compradas e vendidas como fábricas de salsicha e comportam-se como corporações multinacionais, buscando “novos mercados”, “clientes” na Ásia etc. Pra mim, hoje é mais fácil identificar a diferença entre o charm e o funk que entre vários dos grandes clubes do futebol mundial.

E o Avaí, hein? O que tem de diferente dos outros? Será que tem? Ou é igual a um Joinville, um Figueirense, um Criciúma, só muda a cor da camisa e o endereço? O que nos faz apaixonados por ele? Já pararam para pensar? O mais perto que cheguei foi isso. Recomendo que leiam também os textos (todos) sobre “avaianidade” que o Felipe Matos publicou no Memória Avaiana. Quem sabe daí saia uma resposta.

A virada do ano

A cada 31 de dezembro é assim: em meio a taças de champanhe (champanha, para os frescos), pulos sobre ondas e fogos de artifícios, imagina-se e deseja-se que tudo seja melhor dali em diante. Que tenhamos mais saúde, sucesso, dinheiro e felicidade com um simples virar de ano no calendário gregoriano. Pois, já que todo mundo faz isso sem se importar em parecer ridículo, eu também desejo que a vitória de virada no domingo tenha o poder renovador de um réveillon para o lado azul da força, o início de um ano em que clube e torcida caminharão juntos. Se precisar, até faço umas oferendas a Iemanjá para que isso ocorra.

Se não foi excepcional, o público de domingo (10.732 pagantes) foi o melhor registrado na Ressacada desde a final do estadual de 2012. Muitos torcedores foram receber o time e apoiá-lo na chegada ao estádio, ali entre o estacionamento dos conselheiros e o FairPlay. Teve carreteiro, carros com música e narração de gols no entorno do estádio, congestionamento defronte à Toca do Leão e outras pequenas coisas, típicas de um dia com clima de jogo, mas que há tempos não víamos na Ressacada.

Faz tempo que a Ressacada e seu entorno vivem clima de velório antes dos jogos. Não há barulho, algazarra, churrasco embaixo da arquibancada. Dentro do estádio, não é muito diferente. Uns poucos tentam puxar os cantos, outros poucos descruzam os braços, largam o saquinho de amendoim, respondem com palmas e fica por isso mesmo. Sinto falta da torcida e do ambiente que existiu em priscas eras, principalmente no período 2007-2009. Era muito mais divertido ir a jogo naquele período, mesmo que o time não vencesse.

Há diversos perfis de torcedor, inclusive aquele que vai a campo pra ver o time ganhar e isso lhe basta. Eu, claro, gosto que meu time vença, mas gosto muito mais do futebol em si, do clima, do ambiente, de tudo que o cerca.

Já saí do estádio orgulhoso mesmo numa derrota em clássico, num 1 a 0 na Ressacada em 2007, gol no último minuto do Ramon, aquele guri de Araranguá que fez seis gols na vida, cinco deles contra o Avaí. Eram nove anos sem título, freguesia em clássico, fracasso atrás de fracasso (hoje em dia é fácil dizer que é “verdadeiro avaiano”), mas nossa torcida cantou, empurrou, apoiou e até aplaudiu o time que, mesmo derrotado, mostrou uma disposição fora do comum. Foi uma das noites em que me senti mais avaiano. Por outro lado, posso citar dezenas de jogos que vencemos e que, entre um bocejo e outro, esparramado pelas cadeiras vazias do estádio, me perguntei: “o que raios vim fazer aqui mesmo?”.

Sei que não vai mudar tudo da noite pro dia, assim como ninguém fica mais rico, feliz ou saudável só por assistir os fogos na Beira-Mar Norte no Ano Novo, mas, se adiantasse alguma coisa, desejaria que o domingo marcasse o início de um novo tempo para a relação entre clube e torcida. Na verdade, “novo tempo” não, mas a volta aos velhos tempos em que os dois caminhavam juntos. Uma época boa, que se perdeu em algum lugar do passado, mas que ainda podemos resgatar. Por via das dúvidas, vou ali na Armação (a do Pântano, não tem?), minha praia favorita (ou o que restou dela) pular sete ondinhas.

Pitacos sobre os ingressos

Semana de clássico já é tensa por natureza e o Avaí ainda inventa sarna pra se coçar. Agora tá feito, não tem mais volta, mas não foi todo mundo que apreciou o fato de os alvinegros terem um setor a mais a sua disposição no clássico que é mais decisivo para nós que para eles.

Pois bem, vamos aos meus pitacos sobre o tema, que o mundo inteiro estava aguardando ansiosamente.

a) A história da excelente relação entre as duas diretorias – acho bacana que exista essa camaradagem entre diretorias e espero vê-la também entre as torcidas. Creio que não é ruim termos, daqui em diante, 20% dos ingressos para os visitantes em todos os clássicos. “Ah, mas por que não fizeram lá no Scarpelli?” Teoricamente, porque ainda não havia essa ideia naquela época, mas, que seja, uma hora tem que começar. Inclusive no primeiro turno tivemos que comprar ingressos lá no Scarpelli, enquanto os alvinegros não precisarão ir à Ressacada comprar os seus, caso esgotem todos os bilhetes que estão à venda no Remendão do Estreito. Tudo bem, olho por olho, dente por dente, não, não, o Avaí é muito maior que isso. A questão é que essa história da “excelente relação” só veio à tona em nota oficial do Avaí dois dias após o anúncio dos preços dos ingressos e dos setores em que cada torcida ficará. Foram dois dias  de avaianada gritando na internet, sentindo-se desprestigiada, até que viesse a nota. Pode não ter sido, mas soou como uma desculpa que arrumaram para justificar a ampliação do espaço para os atuais vice-campeões estaduais. Se havia essa ideia legal antes, por que não a divulgaram com antecedência? Com a divulgação atrasada, perderam uma boa chance de saírem dessa por cima.

b) Os preços – Mais uma coisa que chama a atenção são os preços cobrados. Não lembro de ter visto antes os setores C e E, que ficam nas curvas, serem mais caros que o A e o D, que ficam na parte do central. Por que isso agora? Só consigo imaginar que seja porque no E vai ficar o espaço ampliado à torcida do Figueirense e, pra meter a faca neles, o Avaí teve que colocar um setor seu, equivalente (coberto, na curva), ao mesmo preço. Senão, a Justiça vem e carca na gente por cobrar preços diferentes pelo mesmo serviço. Nessas horas, se alvinegro fosse, além de ser infeliz, eu pensaria: “mas que belo ‘parceiro’ do meu time é esse Avaí, hein? Quer me explorar na cara dura“. Ah, e claro, a cobrança de preço acima dos outros setores para os alvinegros não combina com o espírito de camaradagem que as duas diretorias querem passar. Só imagino como vai ser no próximo lá no Scarpelli.

c) Promoção nos jogos importantes – Ninguém me explicou ainda como podem os ingressos para os jogos mais importantes serem mais baratos que os dos jogos que valem menos. No Avaí é assim. Quem for ao clássico vai ganhar um ingresso para Avaí x Camboriú, último jogo da primeira fase. Podemos fazer duas leituras: 1) Que Avaí x Camboriú vai sair de graça; 2) Que Avaí x Figueirense e Avaí x Camboriú vão custar R$ 20 cada pra quem for aos setores B, G e H, R$ 25 para os setores A e D e R$ 35 para o setor C. No primeiro caso, é várzea – só em futebol de várzea se assiste jogo de graça. No segundo, é uma inversão de valores, pois o clássico e o jogo que pode ser o da decisão da vaga na semifinal (“ah, mas pode não ser”. E se for?) vão ser mais baratos que uma partida contra o Juventus ou o Atlético de Ibirama no início do campeonato (aliás, setores A e D por R$ 40 já fazem o clássico sair mais barato. O Avaí cobrou R$ 50 para os setores A, C, D e E nesses jogos contra Atlético e Juventus). Por favor, alguém me convença de que isso tá certo. Pra mim, continua sendo cobrar mais pelo show do Tiririca que pelo espetáculo do Paul McCartney.

d) O Avaí precisa de dinheiro – Enquanto a história da “excelente relação” entre as diretorias não aparecia, quem apoiou a ideia defendia a tese de que tem que ser assim mesmo porque o Avaí tá duro e precisa de dinheiro. Obrigado. Da próxima vez que seis ou mais conselheiros preocuparem-se com as contas do clube, não reclamem.

E era isso. Alvinegros, compareçam. A casa é sua também. E precisamos do seu dinheiro.

Que vença o pior

Existe a teoria de que o clássico equilibra as forças, mesmo que um time esteja num momento bem superior ao outro. Creio que seja verdade. A imprensa cobre os dois times com a mesma intensidade, lembra-se de grandes vitórias dos dois lados, as torcidas motivam-se e fazem uma bonita festa no estádio, enfim, cria-se um clima em que o “superior” enxerga no “inferior” um grande adversário, independentemente da fase em que se encontre.

No clássico de Florianópolis, essa teoria foi elevada à enésima potência. As zebras ocorridas nos últimos anos, a estranha inversão do mando de campo (o Avaí ficou seis anos sem ganhar na Ressacada, e o Figueirense, seis anos sem vencer no Scarpelli), a crença quase religiosa do torcedor de que o destino vitorioso de seu time está escrito nas estrelas e um belo e inexplicável amor às causas impossíveis fez com que alguns criassem um verdadeiro dogma: é melhor chegar ao clássico por baixo, em pior fase, rastejando, se possível, e enfrentando um adversário poderoso e bajulado pela imprensa.

É praticamente garantia de vitória, pois a lei universal dos clássicos de futebol diz que o fraco se tornará gigante, e o forte fraquejará. Pena que o Avaí tomou só 3 a 0 do Joinville. Deveria ter tomado 6 a 0, 9 a 0, se possível, pra chegar ainda mais por baixo no clássico e, assim, triunfar diante do rival. Será?


Figueirense 2×3 Avaí em 2011: a maior zebra que já vi em clássicos

Discordo, claro. Prefiro que meu time chegue bem ao clássico, jogando bom futebol. Não é garantia de vitória, mas uma grande possibilidade de vê-lo jogando um futebol de qualidade e, consequentemente, com mais chances de ganhar. Claro que há espaço para zebras. O Barcelona do Estreito de 2012 tomou duas sacolas na final. Na Série A em 2011, tínhamos metade dos pontos deles, tivemos 30 finalizações e um pênalti contra e ainda vencemos por 3 a 2 de virada no Scarpelli. Já em 2008, liderávamos e jogávamos bem no estadual até tomarmos 3 a 0 deles na Ressacada. Acontece.

Mas, assim como há as zebras, muitas outras vezes o melhor venceu. Eles ficaram na Série A de 2002 a 2008 e, nesse período, tiveram nove vitórias, sete empates e só três derrotas. Eram muito melhores em 2006, venceram três de quatro clássicos, inclusive um por 4 a 1. Lembro bem porque eu fui a esse jogo, no Scarpelli. Eu, a Kátia de Paula e não mais que mil avaianos num setor visitante vazio para os padrões de um clássico, pois a maioria já tinha desistido do quase eliminado time do Avaí, que amargava oito anos sem título e tinha Marcos Tora como camisa 10 (hoje em dia é muito fácil dizer que é “verdadeiro avaiano”). Quem apanha nunca esquece, diz o Miguel Livramento, por isso esse jogo sempre me vem à cabeça quando alguém diz que “é melhor chegar por baixo no clássico”. Não é bem assim.


Quem diz que é melhor chegar por baixo no clássico, favor assistir esse vídeo

No clássico de domingo, o “pior” é o Avaí. Se não tecnicamente, já que o Figão também não é nenhum Carlos Renaux de 1958,  pelo menos na classificação geral (estamos sete pontos atrás) e no momento. Eles não perdem desde a penúltima rodada do turno, enquanto nós levamos uma lambada do JEC na última rodada. Há favorito: eles.

Quer dizer que vão ganhar? Não, claro. Mesmo que fôssemos o Camboriú, não existe vitória de véspera. Mas não somos o Cambura, somos o Avaí, o mais vezes e o atual campeão de Santa Catarina. Somos os rivais deles, é um clássico e em clássico há a tendência ao equilíbrio de forças. É nisso que acredito.

Como valorizar uma torcida

O co-irmão Figão decidiu cumprir seu jogo de perda de mando de campo na Arena Joinville. Possivelmente, dentre todas as opções que tinha, a pior escolha para os torcedores deles. Joinville não tem torcida do Figueirense, não é tão perto (180km) e costuma ser hostil com os times de Florianópolis. Em 2002, por exemplo, o Figueirense mandou no Ernestão um jogo da Série A contra o Guarani, e pessoas, supostamente torcedores do JEC atiraram, de fora do estádio, rojões contra as arquibancadas enquanto rolava o jogo. É muita amizade, não?

Ficou claro que o torcedor é a última coisa em que o Figão pensou. Até as dimensões do gramado são mais importantes que aquele que sustenta o clube. Tivesse feito o jogo em Palhoça, Camboriú ou Blumenau, o co-irmão teria mais público e, quem sabe, poderia até fazer umas palhaçadinhas tipo essa que o Boca Juniors fez, no vídeo abaixo, mostrando como sua torcida é capaz de lotar e fazer tremer um estádio longe de Buenos Aires (em San Juan, quase na fronteira com o Chile, na final da Copa Argentina 2012 contra o Racing).

Só que o Boca exalta e valoriza seu torcedor de verdade e criou muito da imagem que tem em cima de sua torcida. Quem já visitou a Bombonera sabe como é: eles te ensinam até a cantar músicas da torcida boquense e a comemorar um gol subindo no alambrado, como aqueles doentes que vemos pela TV.

Os nossos times não chegam nem perto de fazer algo minimamente parecido. Aliás, pelo contrário. Aqui, ainda somos culpados por fracassos.

Pé na estrada

Nas primeiras oito partidas do estadual, o Avaí saiu da Grande Florianópolis apenas duas vezes (a terceira é hoje, contra o Camboriú). Isso porque dois de seus quatro jogos fora de casa foram contra Guarani e Figueirense. A mamata de ter 75% das partidas disputadas aqui na nossa região vai acabar de hoje em diante.

Nas próximas 10 partidas, o Avaí vai ao Vale do Itajaí três vezes (Camboriú, Ibirama e Blumenau) e duas vezes ao Norte (Jaraguá do Sul e Joinville). Se é verdade o que dizem, que o Leão tem dificuldade em vencer no interior, isso vai ter que acabar, se quisermos chegar às semifinais. Vale lembrar que o Avaí ainda não venceu jogando fora de casa no estadual deste ano – dois empates e duas derrotas.

No ano passado, perdemos para Camboriú, Joinville e Atlético fora de casa e vencemos o Metropolitano. O Juventus estava na segunda divisão.

Viagens: curiosidades

– O time que mais viaja é a Chapecoense, único representante do Oeste no estadual. Fazendo, por meio do Google Maps, os cálculos das distâncias por terra entre as cidades dos clubes do Chevettão 2013, descobrimos que a equipe de Chapecó vai viajar algo em torno de 9,2 mil quilômetros somente na primeira fase do campeonato. Claro que eles devem fazer a maior parte das viagens de avião, mas me deem essa licença poética.

– A mesma ferramenta (Google Maps) indica que o Camboriú é o time que menos viajará: aproximadamente 2,9 mil quilômetros na primeira fase. O Avaí deve viajar 3,1 mil km.

– A maior distância é entre Chapecó e Florianópolis. A viagem é de aproximadamente 1,1 mil quilômetros, contando ida e volta. Mas a viagem que leva mais tempo creio que seja entre Chapecó e Criciúma (1.050km, ida e volta), por causa das condições das estradas entre Lages e Criciúma e da Serra do Rio do Rastro.

– A viagem mais curta é a de Florianópolis a Palhoça. Cerca de 34km, contando ida e volta. Dentre as viagens entre duas mesorregiões diferentes, a mais curta é a de Blumenau (Vale do Itajaí) a Jaraguá do Sul (Norte), que  tem 122km, considerando ida e volta.

– Os times do Chevettão 2013 dividem-se assim entre as mesorregiões: três da Grande Florianópolis (Avaí, Figueirense e Guarani), três do Vale do Itajaí (Atlético, Camboriú e Metropolitano), dois do Norte (Joinville e Juventus), um do Sul (Criciúma) e um do Oeste (Chapecó). A mesorregião Serrana não tem representante no estadual.

A final que nunca houve

Estou em viagem desde quarta, por isso deixei programados textos sem muita factualidade. Volto nos próximos dias.

O Avaí já disputou diversas finais de campeonato contra seus principais adversários catarinenses, com exceção de um: o Criciúma, com quem jogaremos logo mais, às 17h deste domingo. As duas equipes enfrentam-se há cerca de cinco décadas, desde o tempo em que o atual Tigre era azul e branco e atendia pelo nome de Comerciário.

Contra o Figueirense, já disputamos três finais de Catarinense (1975, 1999 e 2012), além de citadinos, torneios inícios, decisões de vagas em Campeonatos Brasileiros etc. Contra o Joinville, disputamos a final da Copa Santa Catarina de 1995, do estadual de 2010 e aquele jogo da última rodada do hexagonal de 1985, em que os dois poderiam ser campeões – o empate era deles, e eles venceram por 2×0. Ah, houve também a disputa por vaga na Copa do Brasil de 2007 – dá pra chamar de final do Torneio Seletivo? A Chapecoense foi nossa adversária nas finais dos estaduais de 1977 e 2009.

Dos times que ainda estão em atividade no futebol profissional – ou que pelo menos estiveram até ano passado – também já enfrentamos em finais o Caxias (estadual de 1945), o Brusque (estadual de 1992), o Marcílio Dias (estaduais de 1930 e 1944) e o Hercílio Luz (segundona do estadual de 1994). Já pensasse uma final com o Criciúma, o da Série A, em 2013? Seria massa, hein?


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