Archive for the 'Treineiros' Category

Tente, invente, faça algo diferente

Estamos perto da classificação para a semifinal, mas nós, que não tapamos o sol com a peneira, sabemos das limitações do nosso time. Pra chegar no Chevettão, quem sabe até ser campeão, dá. O que não significa que seja uma grande equipe. A de 2012, por exemplo, eu considero que era muito melhor.

Só que não adianta ficar chorando as pitangas agora. O elenco é esse e Ricardinho que se vire. Talvez ele possa se inspirar em dois ex-treinadores azurras: Silas e Hémerson Maria.

Na Série A de 2009, o Avaí perdia, perdia, perdia, até que Silas resolveu inovar. Colocou um centroavante de 1,84m de ala pela direita, fez um 3-6-1 com Muriqui de meia-atacante, puxou Ferdinando da lateral para a volância e o time que era lanterna acabou em sexto.

Silas também fez um entrevero no time que foi semifinalista da Copa do Brasil em 2011. Se lembrarem, nossa “zaga” no 3-5-2 tinha dois cabeças-de-área (Bruno e Révson). Diogo Orlando foi ser ala pela direita e até Julinho virou atacante no primeiro tempo contra o São Paulo (tá, essa não deu certo, mas ele tentou).

Hémerson Maria também mexeu bastante no time que era treinado por Mauro Ovelha. Colocou Pirão na lateral, Mika no meio, Felipe Alves como meia-atacante e deu certo. Na hora do aperto e com a falta de opções, na semifinal em Chapecó (eu fui e vi), colocou o lateral Patric de atacante – e ele fez o gol da virada por 2 a 1.

Vai dar certo sempre? Não. Mas tentar, inovar, pode trazer bons resultados. Difícil é querer que as coisas mudem fazendo as mesmas coisas de sempre. Aproveita que o jogo é contra o Camboriú e arrisca alguma coisa, Ricardinho. Fica a dica.

A motivação de quem está começando

Comentário do leitor Rafael Xavier dos Passos (@xavierpassos), sobre o Ricardinho. Os grifos são meus.

Acho que é um bom nome. Apesar de questionado por membros da imprensa que citam o pouco trabalho como um fator negativo, acredito que pese a seu favor exatamente essa pouca experiência. Como? Simples. Pelo menos o Avaí pode contar com a dúvida, com a surpresa. Se trouxesse o Silas, por exemplo, não teria nada novo. Já sabemos seus métodos, sua personalidade, seu jeito de jogar. E o pior: sem a LA na retaguarda para socorrê-lo.

Ricardinho tem o perfil do técnico que acredito ser o melhor para clubes da envergadura do Avaí. Uma cara nova. Não um desconhecido qualquer, mas alguém que tem ambição na carreira, que quer crescer, chegar a ser um grande do futebol, como o Avaí também quer.

Um medalhão pode tratar o Avaí como mais um clube na vida. “Se der, beleza. Se não, parto pra outra”. Ricardinho é um recém-aposentado em uma carreira e novato em outra. Chega com ideias, convicções e trabalhos novos. Com certeza vai tratar essa passagem com muita seriedade.

O melhor treinador do Chevettão 2013

O único com 100% de aproveitamento. O resto é Professor Pardal.

A aposta da vez

Quando chegou ao Avaí, em 2008, Silas vinha de uma experiência como auxiliar de Zetti no Paraná e de treinador do Fortaleza. Cinco anos depois, Ricardinho, o novo treinador avaiano, começou a carreira como técnico no Paraná e, antes de assumir o Leão da Ilha, também havia dirigido um clube da terra de Chico Anysio – no caso, o Ceará, o Vozão. Se as coincidências entre esses dois ex-meias da Seleção em Copas do Mundo vão parar por aí ou não, só o trabalho do novo técnico dirá.

Foto: Estadão.com.br

Dono da Ricardinho Sports – tipo um FairPlay curitibano, não tem? – e aposentado dos gramados há pouco mais de um ano, o nosso novo treinador começou a carreira na casamata no início de 2012, dirigindo o Paraná na segunda divisão do estadual deles. Venceu a competição, como esperado, tendo o glorioso Nacional de ROLÂNDIA (ui!) como vice.

A campanha paranista na competição foi excepcional, com 15 vitórias, um empate e só duas derrotas em 18 partidas. Mas era segunda divisão do Paraná e ele dirigia um dos grandes do estado contra adversários como o supracitado time da “terra da rola”, ou o Cincão Esporte Clube (é sério) e, ainda, o Junior Team Futebol (wtf???). Façamos essa ressalva.

Na Copa  do Brasil de 2012, o Paraná foi até as oitavas. Depois de eliminar a (o?) Luverdense e o Ceará, caiu com duas derrotas para o Palmeiras (1×2 e 0x4), que viria a ser o campeão do torneio.

Na Série B, teve oito vitórias, oito empates e nove derrotas em 25 partidas pelo Paraná, antes de ser demitido. Não era uma campanha ruim, se considerarmos que o elenco paranista era bem fraquinho. Sem querer rimá, mas do Paraná ele foi para o Ceará dirigir o Vozão. Foram apenas 13 partidas entre Copa do Nordeste e Campeonato Cearense, com cinco vitórias, dois empates e seis derrotas, segundo a sempre questionável Wikipédia. Na Copa, levou o Ceará às semifinais, deixando pelo caminho a dupla Ba-Vi, mas foi eliminado pelo ASA.

Bom, ainda é uma carreira que nos faz ter mais dúvidas que certezas. Uma aposta, mais uma, como foi Silas lá atrás. Se os resultados forem parecidos, que bom. Torceremos.

A média continua

Chutar cachorro morto agora seria fácil. Falei quando ele veio que seria uma boa aposta e continuo achando que foi, talvez encerrada precipitadamente.

Sérgio Soares chegou ao Avaí com boas credenciais – não fantásticas, mas boas. Pelo Santo André, foi quarto colocado no Paulista de 2005, vice na Série B de 2008 e vice no Paulista de 2010. No Grêmio Barueri, conseguiu o acesso da Série C para a B em 2006. Com o Atlético Paranaense, foi quinto colocado na Série A em 2010, ficando perto da Libertadores. Seu único título, um Paulista da Segunda Divisão com o Santo André, em 2008.

Se não era um gênio da bola, Soares também não deveria ser uma anta completa. Fez bons trabalhos em 2005, 2006, 2008 e 2010 (em dois clubes). Não sei sobre os bastidores de sua saída, sei que o time do Avaí não evoluía, mas, fica a questão: será que era culpa dele?

Trocar técnico não é novidade no Avaí. A média é de três por ano. O próximo que vir será o de número 33 desde 2002 (na lista ali, falta o 32, que foi o Soares). Tem gente que achar normal, que é isso mesmo, tem que dar satisfação à torcida, criar “fato novo”, mas, pra mim, é muito. Não há continuidade, planejamento, nada.

Deu certo em 2012 com Hémerson Maria, deu errado tantas outras vezes e na melhor fase do Avaí na gestão Zunino (2008-2010), o acesso à Série A e os dois títulos foram conquistados com treinadores que iniciaram e terminaram os campeonatos(Silas e Péricles Chamusca).

Cotado para voltar ao Leão, Silas teve um desempenho muito ruim no primeiro turno do campeonato de 2009. Apenas 13 pontos em nove jogos, só um a mais do que somamos em 2013. No segundo turno, melhorou muito, foi à final e ficou com a taça. Teve tempo para fazer isso.

Ainda sobre a saída do Soares, recomendo a leitura do ótimo texto do Rafael Eleutério, do Minha VidAvaí, que reproduzo abaixo. Os grifos são meus.

Sérgio Soares já vai muito cedo

Ao contrário do que o torcedor brasileiro acostumou-se a ver todos os anos, com a passagem de 3 a 4 treinadores por temporada em alguns times, como no caso do Avaí,  esse rodízio não é o normal e muito menos o saudável aos clubes
 
Essas constantes trocas só fazem onerar os caixas das instituições, sem que tenham resultados garantidos. A tendência, aliás, é que não façam diferença a ponto de se justificarem. Faz-se um elenco inteiro conforme as indicações do técnico que iniciará o ano e cogita-se demiti-lo após uma série de 10 resultados ruins. 
 
Infelizmente, ainda existem dirigentes que não conseguem enxergar a necessidade de continuidade de um trabalho. Que não compreendem que perder um campeonato sendo vice ou oitavo colocado é a mesmíssima coisa. Mas, principalmente, que não observam o óbvio: se o técnico é tão temporário, ele que deve adequar-se o máximo que puder ao elenco de que o clube dispuser
 
Se os técnicos pretendidos só aceitam fechar contrato sob a condição de trazerem mais uma carrada de jogadores, descarte-se a hipótese de suas contratações. Mesmo sabendo que seria praticamente impossível contratar alguém para comandar o time, o Avaí é um clube que não pode reclamar disso. 
 
Tivemos um técnico competente, com visão de longo prazo e habilidade em tirar o melhor do elenco e que praticamente caiu do céu. Hemerson Maria foi demitido quando todos viam que não se poderia tirar mais daquele time. Saiu com o time na sétima colocação e terminamos o ano na sétima colocação, com a diferença de termos aumentado enormemente nossas dívidas já gigantes. 
 
O nosso Leão é um caso gritante de erros nesta área tão intimamente ligada a uma palavra inexistente nos escritórios da Ressacada: planejamento. Independente de Sérgio Soares não ter alcançado os resultados desejados, de não ter a simpatia do grupo de jogadores, foi embora muito cedo. Ao menos em relação ao que precisamos.

Casamata e senzala

Grande parte dos jogadores de futebol são negros, a maioria dos treinadores são ex-jogadores, mas pouquíssimos treinadores de ponta no Brasil são negros. Conversei sobre isso há uns 20 dias com um colega na Semana da Consciência Negra do Instituto Federal de Santa Catarina e, dias depois, por coincidência, o excelente blogue Impedimento abordou o tema, inclusive levantando alguns dados. De fato, são raros os negros técnicos de times de expressão no Brasil. E, vejam só, o Avaí tem sido nos últimos anos uma bela exceção a essa regra.

hemerson_mariaAproximadamente 45% dos jogadores da elite nacional nesta temporada eram negros, de acordo com análise do Impedimento. Eles não sabiam a autodeclaração de cada um, apenas fizeram a classificação pelo fenótipo (características físicas). No entanto, não creio que o percentual de jogadores negros seja menor que isso, pois 51% da população brasileira é autodeclarada negra. Os negros são maioria entre os pobres, a maioria dos jogadores vem das classes mais baixas, então a tendência é de que pelo menos metade dos jogadores de futebol brasileiros sejam negros.

A turma do Impedimento identificou que 27 dos 36 treinadores que dirigiram times da Série A em 2012 foram ex-jogadores, o que dá 75% do total. E dentre os 36, apenas três foram identificados pelos blogueiros como tendo traços que os caracterizariam como negros (não sabiam, mais uma vez, a autodeclaração de cada um): Joel Santana, Hélio dos Anjos e Cristóvão Borges. A proporção é de 1/12, ou 8,3% do total de treinadores.

sergio_ramirezOs números, embora não precisos, apontam uma realidade que se percebe fazendo exercícios de memória. Quais times da Série A têm hoje treinadores negros? Qual foi o último treinador negro da Seleção Brasileira? Onde está Andrade, campeão brasileiro de 2009?

O negro é protagonista dentro das quatro linhas, mas não chega às casamatas. Por quê? Uns dizem que pode ser porque eles têm menos acesso à educação, mesmo quando comparados a brancos pobres. Seria mais difícil para eles fazer um curso para treinador, ou mesmo interessar-se em fazê-lo, pois é uma realidade distante da deles. Posagora, não vou dizer que não porque não tenho elementos para isso, mas pelo pouco que já li sobre o assunto, penso que o problema seja o seguinte: no futebol, assim como ocorre em empresas, negros não são colocados em postos de liderança/chefia – e o cargo de treinador de futebol é um posto de liderança/chefia. Pior: talvez o próprio negro não se veja como capaz de exercer esse papel.

lula_pereiraNo futebol, o negro é, ao mesmo tempo, trabalhador braçal (força) e artista (habilidade). Porém, não é visto como alguém capaz de ser um líder, um estrategista, um pensador. E é assim que, creio, funciona a nossa sociedade. Ao negro, são reservadas as funções que ele desempenha como jogador de futebol: a de trabalhador subalterno e a de entretenedor (cantores, atores etc.). Há exceções aqui e ali, que são sempre citadas para “provar” que o racismo não existe, mas elas são apenas… exceções. A regra é bem diferente.

Mas se essa é uma realidade do futebol brasileiro, legal ver que o Avaí não é assim. Nos últimos quatro anos, pelo menos três treinadores de destaque do Leão eram negros (no fenótipo; não sei a autodelcaração deles). O uruguaio Sergio Ramírez montou boa parte do time de 2008 e ficou a uma vitória de vencer o turno do estadual daquele ano – havia uma bicicleta chapecoense no meio do caminho… Caiu e em seu lugar veio Silas, que entre 2008 e 2011 fez as melhores campanhas azurras nas Séries A, B e Copa do Brasil, além de ganhar o estadual de 2009. Por fim, tivemos Hémerson Maria, o fenômeno campeão estadual de 2012.

Silas_AvaiPara 2013, o Avaí aposta em outro treinador negro: Sérgio Soares. Ele que, em 2005, era um dos únicos três treinadores negros entre 44 times das Séries A e B e foi entrevistado pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro, em reportagem sobre o tema. As respostas que ele deu na época coloco abaixo.

Torço pelo sucesso de Soares no Leão por óbvios motivos – afinal, sou avaiano – e também para que nosso clube continue sendo uma exceção à regra e ajude a promover a “inclusão social” dos treinadores negros no Brasil.

(entrevista de Sérgio Soares, então treinador do Santo André, para o jornal O Globo, em 24 de abril de 2005)

Você sabia que é um dos três técnicos negros das duas primeiras divisões do Brasileiro?

sergio_soares_avaiSÉRGIO SOARES: Estou surpreso. Não tinha a menor idéia. É uma pena porque o que vale é a competência, não a raça do treinador. Pensando agora, realmente só me lembro do José Carlos Serrão, do Guarani.

Por que há tão poucos técnicos negros?

SOARES: Talvez não haja interesse de o ex-jogador negro virar técnico. O César Sampaio, por exemplo, acabou de se aposentar e disse que não deseja ser treinador. Agora, por que isso acontece, não tenho idéia.

E por que você decidiu ser técnico de futebol?

SOARES: Foi sempre um sonho. Procurei aprender alguma coisa com técnicos com quem trabalhei, como Vanderlei Luxemburgo. Fiz curso de treinador em 1999, quando ainda era jogador.

Em 20 anos de carreira, você teve quantos técnicos negros?

SOARES: (depois de pensar alguns segundos) Dois. O Teodoro e o próprio Serrão, ambos no Juventus-SP. É muito pouco, né?

Fotos:

Hémerson Maria – Marco Dutra/FutebolSC

Sergio Ramírez – (não encontrei o autor/proprietário)

Lula Pereira – Acervo Polidoro Júnior

Silas – Ricardo Duarte/ClicRBS

Sérgio Soares – Ricardo Petcov/InfoEsporte

Bem-vindo, Sérgio!

Depois de uma semana de muitos chutes, mesmo sem bola rolando, finalmente foi anunciado que Sérgio Soares, 45 anos (faz 46 em janeiro), é o novo treinador do Avaí. O de número 32 a assumir o comando azurra desde 2002.

Sérgio não é daqueles nomes que faria o torcedor soltar foguetes, mas não deixa de ser uma boa aposta. Tem apenas dois títulos como treinador desde que iniciou a carreira, em 2004 – os Paulistas Série A2 de 2006 pelo Grêmio Barueri e 2008 pelo Santo André -, mas também coleciona alguns bons trabalhos que não resultaram em troféu. Por exemplo, dois vice-campeonatos com o Santo André, o da Série B (2008) e o Paulista (2010).

Foi, ainda, treinador do Atlético Paranaense na reta final da Série A de 2010, quando o clube curitibano terminou em quinto lugar, perto de uma vaga para a Libertadores.

Em oito anos de carreira, que incluem uma experiência internacional (Cerezo Osaca-JAP), Sérgio Soares já trocou de clube 13 vezes. Não é pouco, mas é proporcionalmente menos do que Argel (13 trocas em quatro anos). Isso quer dizer que fez trabalhos ruins também, mas treinador que só tem trabalhos bons só conheço dois: Hémerson Maria e Josep Guardiola.

Que seja bem-vindo e faça um bom trabalho. Torceremos para que supere a marca de quatro meses.


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