Archive for the 'Meus heróis morreram de overdose' Category

Non habemus papam

O Avaí vai para o difícil jogo contra o Joinville sem Marquinhos. O Galego, a cabeça pensante desse time sem muito brilho,  forçou o terceiro cartão amarelo na partida contra o Guarani para não correr o risco de ficar fora do clássico. Uns acharam certo, outros, errado, e eu estou nesse segundo grupo.

Montagem feita pelo Gérson dos Santos, do blogue Avaixonados (www.avaixonados.com)

O confronto deste domingo é mais decisivo para classificação que o clássico. Se ganhar hoje, o Avaí abre sete pontos de vantagem para o Joinville e praticamente afasta esse hoje adversário direto da briga pela vaga na semifinal. Se perder, a pontuação fica em 22 a 21, e trazemos os tricolores de volta para a disputa. O co-irmão, com 28 29 pontos e ainda um jogo contra o Juventus a fazer, já está virtualmente classificado, pelo menos pelo índice técnico. O clássico só vai ser um duelo de vida ou morte se perdermos para o JEC. Por isso, a presença de Marquinhos lá no Norte seria importante.

“Ah, mas todo clássico é um duelo de vida ou morte.” Discordo, acho que é muita moral que estamos dando pro Figão, mas agora está feito, e é assim que vai ser. Sem Marquinhos, devemos ver um Avaí mais corredor e menos pensador hoje. Não lembro de jogador no elenco que tenha as mesmas características que o Galego. Talvez o Higor, 19 anos, sete jogos como profissional no Fluminense. Nadson, Maranhão, Marrone e Ricardinho são muito mais pulmão que cérebro.

Haja o que hajar, uma certeza eu tenho: como hoje é Páscoa, leremos/ouviremos/veremos muitos editores, repórteres, narradores, apresentadores etc. fazendo piadas infames com o fato de o JEC ser o “Coelho”. Haja fígado.

Um dos piores investimentos

Ainda não tive tempo pra escrever sobre o jogo de ontem. Fui a Palhoça e cheguei tarde em casa.

Dinélson foi talvez um dos piores investimentos da história do Avaí. Veio numa época (2009) em que o Leão contratava jogadores, digamos, bichados, a custo baixo e tentava recuperá-los. Deu muito certo com Leo Gago, deu certo até certa época com Marcinho Guerreiro, mas, com Dinélson, não, nunca deu certo.

Suspeito que Dinélson tenha disputado, desde 2009, mais jogos pelo Paraná e pelo Daegu (Coréia do Sul), clubes para o qual foi emprestado, que pelo Avaí. A única fonte que encontrei não tão segura assim: Wikipédia. A enciclopédia livre (de conteúdo, às vezes) diz que o meia fez, nesse período, 26 jogos pelo Daegu, 18 pelo Paraná e 14 pelo Avaí. Podem não ser bem esses os números, mas não está muito longe da verdade.

Dinélson deixa a Ressacada depois de quatro anos e sem um jogo, um lance, um momento digno de nota, sem nunca ter sido o jogador que disseram que poderia ser.

O ídolo transparente

A tarde de quarta-feira foi de apavoro para a torcida azurra. César Sampaio veio a Florianópolis bater um papo com Cléber Santana, o guardião das esperanças avaianas de acesso, o jogador que vale por um time inteiro, e tentar convencê-lo a vestir verde. Parece que não ocorrerá, pelo menos por agora.

E isso quem disse foi o próprio Cléber, numa franca entrevista ao site InfoEsporte. Falou sem problemas que foi procurado, que o Palmeiras não foi o único e, vejam só, que ele tem sim interesse em voltar a jogar em um clube grande, daqueles bem maiores que o Avaí (Palmeiras, São Paulo, Flamengo etc.). Falou sem melindres, sem se preocupar em esconder informações da imprensa e dos corneteiros (uma verdadeira neura na Ressacada), sem fazer média e juras de amor eterno ao Leão da Ilha.

Cléber Santana está aqui há apenas seis meses. Virou ídolo porque joga muito, porque dedica-se ao time durante 90 minutos e porque somos carentes de ídolos. Os jogadores “identificados” com o Avaí parece que estão sempre com bicho carpinteiro e não param quietos aqui, vide as trocentas passagens de jogadores como Evando, William e Marquinhos pela Ressacada. Evando, por exemplo, ama muito o Avaí, mas nunca completou um ano inteiro no Sul da Ilha (ficou, no máximo, de agosto de 2008 a junho de 2009).

Gosto da postura de Cléber Santana em ser transparente como água (nem parece que joga no Avaí), em não fazer média, não sair por aí beijando a camisa e fazendo juras de amor no Twitter pra depois ir correndo atrás da primeira nota de 100 reais que aparecer pela frente. Ele é profissional, gosta da cidade e do clube, mas tem planos para seu futuro, que não envolvem o Avaí (a não ser que subamos para a Série A) e não tem medo de falar sobre eles.

Se é esse o ídolo dos meus sonhos? Não exatamente. Queria que meu ídolo fosse um cara que jogasse muito, que se dedicasse durante os 90 minutos, beijasse a camisa, fizesse juras de amor no Twitter, tirasse sarro do Figueirense e permanecesse aqui durante anos e anos, sem sair correndo atrás da primeira nota de 100 reais que aparecesse pela frente. Eu não sou profissional, sou torcedor, sou passional. Queria que meu ídolo fosse doente pelo meu clube como eu sou. Mas, ok, eles são os profissionais. Então, que se comportem assim e não tentem me fazer de bobo. Que sejam como o Cléber.

Um Maria indeciso

E vendo o povo confuso
Que terrível, cada vez mais lhe seguia
Fugiu pra floresta sozinho
Pra Deus perguntar pra onde ia

(“Um messias indeciso“, de Raul Seixas)

Nas trocentas horas de voo que separam Maceió de Florianópolis tenho quase certeza de que passará pela cabeça de Hémerson Mourinha* a dúvida: Nunes, Felipe Alves, Diogo Acosta, Laércio, Capixaba, Evando ou 4-6-0? Chegamos a 10 rodadas da Série B e o Avaí tem míseros 11 gols marcados, dos quais a incrível quantia de TRÊS foram anotados por atacantes. Um deles por Felipe Alves, contra o Joinville, em completo impedimento.

Nunes chegou ao Avaí em fevereiro, como uma grande e acertada contratação, e tem dois gols marcados em cinco meses (o terceiro gol dele, na verdade, foi contra, de Fabiano, da Chapecoense). Felipe Alves começou bem, com cinco gols nos primeiros quatro jogos. Aí, nos últimos 10, só marcou dois. Diogo Acosta também começou arrombando, com dois gols nas duas primeiras partidas. Nas últimas três, só pixotadas.

Desempenho tão soberbo tem causado dor-de-cabeça no nosso messias, aquele que nos tirou das trevas e nos levou à terra prometida. Com tantas opções e nenhuma ao mesmo tempo, ele tem mudado o setor ofensivo jogo após jogo. Bota o Patric na frente, joga o Julinho pra ponta esquerda, mete o Felipe Alves, tenta o Jéferson Maranhão na direita, tira o Nunes, põe o Nunes e continuamos dependendo de lampejos do Cléber Santana para ganhar partidas.

Sabemos a escalação de cor até o terceiro jogador do meio campo (Cléber). Dali em diante, mistério…

Em determinado momento do primeiro tempo contra o CRB, o Avaí passou dos 60% de posse de bola, essa estatística outrora irrelevante e que agora é atualizada por narradores e comentaristas a cada dez segundos de partida. O Leão tocava bem, passes de pé em pé, até chegar à intermediária ofensiva. Nesse espaço do campo habitado por centroavantes molengas e pontinhas milongueiros vestidos de azul qualquer jogada até então bem trabalhada virava pó. A cada tentativa de ataque, me vinha a imagem de nove jogadores construindo um belo castelo de cartas e Nunes e Diogo Acosta, só de sacanagem, puxando as cartas da base pra ver tudo ruir.

Essa foi a tônica de mais uma derrota do Avaí fora de casa, a terceira em seis partidas, que nos deixou exatamente na meiúca da tabela de classificação. Depois de tomar o 1×0 numa falha do até ontem infalível Leandro Silva (rabou na hora de cortar o cruzamento), Hemerson Maria perdeu-se. Tentou a vitória colocando atacantes em campo. Ora, tudo que o Avaí não precisa para fazer gols são de atacantes. Felipe Alves, por exemplo, entrou em campo e nos fez lembrar que nem todo mundo é Marcílio ou Metropolitano. Chance clara mesmo, nenhuma. No fim, Aloísio Chulapa, ex-Brusque, 37 anos, fez o que nenhum dos nossos consegue: gol.

Mas Felipe Alves, ex-matador da Penapolense, e Diogo Acosta, ex-artilheiro do São Bernardo, ainda têm a desculpa de que são apostas, e aposta pode dar certo ou errado. Já Nunes, aquele centroavante xarope, que incomodava as defesas na época de Santo André, não sei onde anda. Esse Nunes do Avaí não faz pivô, não dá passes pra gol, não faz gols, não cabeceia, não marca e não corre. Tirando isso, até que o resto faz tudo bem.

Nossa torcida é para que os (H)Émersons encontrem uma resposta até terça-feira. Vem aí o Atlético Paranaense, que até outro dia estava na zona de rebaixamento e hoje está À NOSSA FRENTE. Depois tem o Goiás. Não dá nem tempo pra respirar. E não é que a solução pode ser o Evando? Ave Maria…

*copyright Eduardo Roberge Goedert

Meu ídolo de volta? Não, obrigado

Essa história surgiu esta semana, de uma possível troca entre Avaí e Grêmio do Renato Santos pelo Marquinhos. O Galego é meu ídolo, é um dos grandes jogadores da história do clube, mas eu, sinceramente, não o quero de volta. E explico.

Acho que já temos um meia melhor que o Marquinhos, que chama-se Cléber Santana, um jogador cujo salário mais o do Galego seria difícil de manter numa Série B. Também acho que vai ser difícil os dois jogarem juntos. Em outro clube, talvez desse certo. No Avaí, penso que não. Marquinhos foi até volante no Santos, mas era o Santos. No Avaí, eu, tu, o presidente e toda nossa torcida sabemos que isso seria quase impossível de ocorrer.
E se nós já temos um meia melhor que o Marquinhos (que não é um ídolo como o Marquinhos, porque não tem a história que o Galego tem aqui, mas tecnicamente acho melhor), prefiro que se invista em outras posições: zagueiro, lateral-esquerdo, segundo-volante e centroavante são mais urgentes.
Por fim, essa seria a quinta passagem do Marquinhos no Avaí (as outras foram 1999-2000; 2006; 2008-2009 e 2011). Chega, né? Todo ano vai ser isso? Vamos ficar esperando pelo Marquinhos chegando de helicóptero? O clube tem que andar pra frente. Ele tem uma história legal aqui, construída principalmente em 2008-2009, mas a última passagem não foi tão boa e deixou a imagem dele, se não ruim, arranhada. Nunca o vaiei, mas me decepcionei ao saber que ele teve um comportamento no Grêmio diferente do que teve aqui, com o clube que ama. O Grêmio, cabe ressaltar, está longe de ser um exemplo de organização.
Do Marquinhos, prefiro ficar com as lembranças de 2008-2009, do golaço contra o Bahia, do Criciúma pagando o pato, de ele comemorando o acesso como um torcedor, como nós. Isso ninguém vai apagar. Mais uma passagem dele aqui, não sei o que pode acrescentar.

Raio-x do craque do Twitter

Nunes

– 8 jogos disputados

– 3 jogos  como titular

– 426 minutos em campo (média de 53min15s por jogo)

– Nenhum gol

– Um passe pra gol

Parecia um William melhorado (não culpo a diretoria, foi uma contratação acertada). Mas tem se mostrado um Jandson piorado.

100 gols…

No domingo, o atacante Lima, do Joinville, marcou seu centésimo gol com a camisa do tricolor do Norte. A partida foi contra o Figueirense, clube pelo qual, em 2011, Fernandes marcou seu centésimo gol.

E o Avaí com isso? Bom, te pergunto: sabes qual foi o último jogador a marcar 100 gols pelo Avaí? Tenta lembrar, vai.

Se já é difícil um jogador fazer 100 jogos pelo Avaí (100 jogos dá um ano e meio a dois anos no clube) que dirá 100, gols, né? Nosso clube é um balcão de negócios, que negocia seus melhores (e até os piores!) jogadores na velocidade da luz.

Marquinhos não ficou mais que duas temporadas seguidas sem ser negociado. William, um ano e meio. Evando, um ano. Muriqui, sete meses. Ninguém para quieto na Ressacada.

Respondendo à pergunta, segundo o não muito confiável “livro oficial do Avaí*” (Avaí Futebol Clube: de 1923 a 2008), o último jogador a fazer 100 gols pelo Leão foi Cavallazzi, que jogou de 1963 a 1971. Marcou, no total, 122 vezes pelo Avaí. Além dele, apenas Saul (187 gols entre 1938 e 1955) e Nizeta (175 entre 1938 e 1951) fizeram mais de 100, de acordo com o livro.

*é inacreditável, mas o “livro oficial” tem tantos erros, mas tantos erros (faltam centenas de jogos – até jogo que deu o título ao Avaí da Copa Santa Catarina de 1995 não está lá! -, há escalações erradas, erros nas informações sobre adversários e estádios onde os jogos foram realizados…), que não dá pra confiar muito no que há lá. Isso porque é o oficial…


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