A virada do ano

A cada 31 de dezembro é assim: em meio a taças de champanhe (champanha, para os frescos), pulos sobre ondas e fogos de artifícios, imagina-se e deseja-se que tudo seja melhor dali em diante. Que tenhamos mais saúde, sucesso, dinheiro e felicidade com um simples virar de ano no calendário gregoriano. Pois, já que todo mundo faz isso sem se importar em parecer ridículo, eu também desejo que a vitória de virada no domingo tenha o poder renovador de um réveillon para o lado azul da força, o início de um ano em que clube e torcida caminharão juntos. Se precisar, até faço umas oferendas a Iemanjá para que isso ocorra.

Se não foi excepcional, o público de domingo (10.732 pagantes) foi o melhor registrado na Ressacada desde a final do estadual de 2012. Muitos torcedores foram receber o time e apoiá-lo na chegada ao estádio, ali entre o estacionamento dos conselheiros e o FairPlay. Teve carreteiro, carros com música e narração de gols no entorno do estádio, congestionamento defronte à Toca do Leão e outras pequenas coisas, típicas de um dia com clima de jogo, mas que há tempos não víamos na Ressacada.

Faz tempo que a Ressacada e seu entorno vivem clima de velório antes dos jogos. Não há barulho, algazarra, churrasco embaixo da arquibancada. Dentro do estádio, não é muito diferente. Uns poucos tentam puxar os cantos, outros poucos descruzam os braços, largam o saquinho de amendoim, respondem com palmas e fica por isso mesmo. Sinto falta da torcida e do ambiente que existiu em priscas eras, principalmente no período 2007-2009. Era muito mais divertido ir a jogo naquele período, mesmo que o time não vencesse.

Há diversos perfis de torcedor, inclusive aquele que vai a campo pra ver o time ganhar e isso lhe basta. Eu, claro, gosto que meu time vença, mas gosto muito mais do futebol em si, do clima, do ambiente, de tudo que o cerca.

Já saí do estádio orgulhoso mesmo numa derrota em clássico, num 1 a 0 na Ressacada em 2007, gol no último minuto do Ramon, aquele guri de Araranguá que fez seis gols na vida, cinco deles contra o Avaí. Eram nove anos sem título, freguesia em clássico, fracasso atrás de fracasso (hoje em dia é fácil dizer que é “verdadeiro avaiano”), mas nossa torcida cantou, empurrou, apoiou e até aplaudiu o time que, mesmo derrotado, mostrou uma disposição fora do comum. Foi uma das noites em que me senti mais avaiano. Por outro lado, posso citar dezenas de jogos que vencemos e que, entre um bocejo e outro, esparramado pelas cadeiras vazias do estádio, me perguntei: “o que raios vim fazer aqui mesmo?”.

Sei que não vai mudar tudo da noite pro dia, assim como ninguém fica mais rico, feliz ou saudável só por assistir os fogos na Beira-Mar Norte no Ano Novo, mas, se adiantasse alguma coisa, desejaria que o domingo marcasse o início de um novo tempo para a relação entre clube e torcida. Na verdade, “novo tempo” não, mas a volta aos velhos tempos em que os dois caminhavam juntos. Uma época boa, que se perdeu em algum lugar do passado, mas que ainda podemos resgatar. Por via das dúvidas, vou ali na Armação (a do Pântano, não tem?), minha praia favorita (ou o que restou dela) pular sete ondinhas.

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