Que vença o pior

Existe a teoria de que o clássico equilibra as forças, mesmo que um time esteja num momento bem superior ao outro. Creio que seja verdade. A imprensa cobre os dois times com a mesma intensidade, lembra-se de grandes vitórias dos dois lados, as torcidas motivam-se e fazem uma bonita festa no estádio, enfim, cria-se um clima em que o “superior” enxerga no “inferior” um grande adversário, independentemente da fase em que se encontre.

No clássico de Florianópolis, essa teoria foi elevada à enésima potência. As zebras ocorridas nos últimos anos, a estranha inversão do mando de campo (o Avaí ficou seis anos sem ganhar na Ressacada, e o Figueirense, seis anos sem vencer no Scarpelli), a crença quase religiosa do torcedor de que o destino vitorioso de seu time está escrito nas estrelas e um belo e inexplicável amor às causas impossíveis fez com que alguns criassem um verdadeiro dogma: é melhor chegar ao clássico por baixo, em pior fase, rastejando, se possível, e enfrentando um adversário poderoso e bajulado pela imprensa.

É praticamente garantia de vitória, pois a lei universal dos clássicos de futebol diz que o fraco se tornará gigante, e o forte fraquejará. Pena que o Avaí tomou só 3 a 0 do Joinville. Deveria ter tomado 6 a 0, 9 a 0, se possível, pra chegar ainda mais por baixo no clássico e, assim, triunfar diante do rival. Será?


Figueirense 2×3 Avaí em 2011: a maior zebra que já vi em clássicos

Discordo, claro. Prefiro que meu time chegue bem ao clássico, jogando bom futebol. Não é garantia de vitória, mas uma grande possibilidade de vê-lo jogando um futebol de qualidade e, consequentemente, com mais chances de ganhar. Claro que há espaço para zebras. O Barcelona do Estreito de 2012 tomou duas sacolas na final. Na Série A em 2011, tínhamos metade dos pontos deles, tivemos 30 finalizações e um pênalti contra e ainda vencemos por 3 a 2 de virada no Scarpelli. Já em 2008, liderávamos e jogávamos bem no estadual até tomarmos 3 a 0 deles na Ressacada. Acontece.

Mas, assim como há as zebras, muitas outras vezes o melhor venceu. Eles ficaram na Série A de 2002 a 2008 e, nesse período, tiveram nove vitórias, sete empates e só três derrotas. Eram muito melhores em 2006, venceram três de quatro clássicos, inclusive um por 4 a 1. Lembro bem porque eu fui a esse jogo, no Scarpelli. Eu, a Kátia de Paula e não mais que mil avaianos num setor visitante vazio para os padrões de um clássico, pois a maioria já tinha desistido do quase eliminado time do Avaí, que amargava oito anos sem título e tinha Marcos Tora como camisa 10 (hoje em dia é muito fácil dizer que é “verdadeiro avaiano”). Quem apanha nunca esquece, diz o Miguel Livramento, por isso esse jogo sempre me vem à cabeça quando alguém diz que “é melhor chegar por baixo no clássico”. Não é bem assim.


Quem diz que é melhor chegar por baixo no clássico, favor assistir esse vídeo

No clássico de domingo, o “pior” é o Avaí. Se não tecnicamente, já que o Figão também não é nenhum Carlos Renaux de 1958,  pelo menos na classificação geral (estamos sete pontos atrás) e no momento. Eles não perdem desde a penúltima rodada do turno, enquanto nós levamos uma lambada do JEC na última rodada. Há favorito: eles.

Quer dizer que vão ganhar? Não, claro. Mesmo que fôssemos o Camboriú, não existe vitória de véspera. Mas não somos o Cambura, somos o Avaí, o mais vezes e o atual campeão de Santa Catarina. Somos os rivais deles, é um clássico e em clássico há a tendência ao equilíbrio de forças. É nisso que acredito.

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