Por que o torcedor não vai ao estádio?

Essa é uma pergunta tão difícil de responder quanto “Por que o frango atravessou a estrada?“. Principalmente porque não estamos falando de robôs, nem de ratos de laboratório, mas de pessoas, que têm reações, paixões, sentimentos, pensamentos etc., os mais diversos. O que afasta um torcedor do estádio pode não ser um motivo que afete o outro. Pelo contrário, pode até ser que o motive a ir à cancha. Uma campanha ruim, por exemplo, pode fazer um torcedor deixar de ir aos jogos, enquanto outro, que estava afastado, volta “para ajudar o clube”. Já vi isso acontecer.

O peso com que um fator influencia a decisão de um torcedor em deixar de ir aos jogos pode não ter o mesmo peso para outro. Há também diferentes níveis de “fanatismo” na relação do torcedor com seu clube. O que um atura por bastante tempo pode ser motivo para que outro, igualmente torcedor, deixe de ir ao estádio na hora. Eu vou a todos os jogos na Ressacada e em muitos fora (ano passado, por exemplo, assisti in loco 16 de 22 jogos que o Avaí fez no estadual. Neste ano, estive em nove de 14), mas nem por isso me acho mais torcedor que outros. Vou porque posso, gosto, quero e relevo algumas dificuldades. Mas esse é o meu perfil, somente um entre tantos possíveis e imagináveis.

Descobrir os verdadeiros motivos da debandada que ocorreu das arquibancadas da Ressacada pós-2010 não é tarefa fácil, demanda tempo e uma pesquisa parruda. Moleza é chutar que a torcida não vai porque é chata, corneteira e escuta o Miguel Livramento. A preguiça de pensar abunda.

Pois bem, quinta-feira foi um dia de boas reflexões sobre o porquê do baixo público nos jogos do Avaí e até do futebol brasileiro em geral. O Adir José Jr. fez isso em seus perfis no Twitter e no Facebook, e os blogues O Meu AvaíAvaixonados e Sangue Azurra reproduziram. Quem também abordou o assunto foi o Rafael Botelho, no TV Blogueiro. Vale a pena ler ambos.

E, por fim, na mesma quinta, vi uma análise feita por Fernando Ferreira, da Pluri Consultoria, com 17 pontos (coincidentemente, ou não, o número de regras do futebol) que ele avalia como os que mais afastam os torcedores brasileiros dos estádios. Prestem atenção neste trecho:

… não há como negar que  por trás deste problema há um pressuposto equivocado cultivado por anos dentro dos clubes, de que a paixão pelo futebol faz com que o torcedor aceite qualquer desaforo para ver de perto o seu time do  coração. No passado isso poderia se justificar, mas a realidade mudou, e hoje o futebol tem que disputar mercado com outras opções de entretenimento, num mundo onde a preocupação em atender bem ao consumidor é a regra.

O que fica implícito no pensamento do Fernando é o seguinte: temos dirigentes com pensamento de anos 1970 comandando clubes que precisam se adaptar ao século XXI. Aí fica difícil mesmo. Bom, quanto aos 17 motivos para o torcedor não ir ao estádio, ele divide em dois tipos: os de alto impacto (oito) e os de médio e baixo impacto (nove). São esses abaixo.

Não é a verdade absoluta, mas é a visão de alguém com experiência em pesquisas no mercado do futebol. Acho que todos esses fatores podem influenciar mesmo, em maior ou menor medida. No caso avaiano, por exemplo, “acesso ao estádio”, creio, seria um fator de alto impacto, enquanto “qualidade do estádio” seria de baixo impacto. E ainda considero que, embora todos influenciem e estejam relacionados, o fator “preço” ainda é o mais relevante, pois é ele que define o público que os clubes querem atingir – mas o que fazem para cativá-lo?

Leiam e vejam se concordam:

Fatores de alto impacto

a) Violência

b) Preço dos ingressos

c) Qualidade dos estádios

d) Oferta de pay-per-view

e) Outras opções de entretenimento (cinemas, teatro, bares, praia, etc.)

f) Pouca importância dos jogos

g) Baixa qualidade / tradição do adversário

h) Nível de competitividade do time local / má posição na tabela

Fatores de médio e baixo impacto

a) Horário dos jogos

b) Dificuldade na compra de ingressos

c) Acesso ruim ao estádio

d) Oferta de Meios de transporte

e) Oferta de estacionamento

f) Oferta de alimentação

g) Oferta de serviços

h) Clima

i) Excesso de jogos na TV

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5 Responses to “Por que o torcedor não vai ao estádio?”


  1. 1 Jack 30 de março de 2013 às 10:37

    Pergunta fácil de responder…a torcida azul calcinha não vai ao estádio pq o time do mangue não tem torcida…..HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHUA

  2. 3 Andrey 30 de março de 2013 às 13:51

    A debandada de 2010 foi um somatório de fatores.
    O trânsito é uma realidade complicada faz muitos anos, e de lá pra cá vi a Ressacada lotada muitas vezes.
    A violência se limita às “organizadas”, mas infelizmente respinga em quem está no lugar errado e na hora errada.
    O principal fator foi a forma imprudente e amadora que a Administração do Avaí resolveu impor sua nova forma de administrar. Cada um terá o seu motivo para ter deixado de ser sócio ou mesmo de comprar ingressos. No meu caso, foi ter recebido um boleto com 40% de aumento antes de haver a reunião do “Conselho Decorativo” deliberando sobre o reajuste da mensalidade. Moral da história: a gestão do Avaí não está nem um pouco preocupada com o torcedor do Leão da Ilha.
    Feito o estrago, reverter é sempre mais complicado. Os preços foram reduzidos, mas ainda estão longe de se tornarem atraentes; o acesso melhorou, mas se for pra lotar o Estádio certamente terá liberação de pistas e etcs.; o time do Avaí está longe de ser “uma brastemp”; e tem PFC até em velório!
    Curti muitas vitórias do Leão desde 1987 na Ressacada. Vi Adilson Heleno e Cia levantar o caneco de 1988. Corri muito em cima da laje quando o Cesar Silva pegou os penaltis. Vi o gol do Fábio Oliveira calando o parabéns da gambazada e fazendo a torcida não parar de cantar durante 20 minutos após o término da partida. Vi acesso e estaduais.
    Cancelei minha carteira em 2010, mesmo depois disso tudo, porque me senti resrespeitado. O custo x benefício não compensava a decepção com a forma de gerir o clube.
    Deixar de torcer pro Avaí? JAMAIS! Mas enquanto eu for uma minoria, ficarei no conforto da TV, na “alugação” do whatsapp ou na angústia do radinho.
    Grande abraço!

  3. 5 felipefbs 30 de março de 2013 às 18:55

    Andrey, bom relato. Tua realidade é a de muitos que deixaram de ir também. E, como disseste, é uma soma de fatores e cada um teve seus motivos para deixar de ir. Espero que voltem em breve.

    Rafael, à vontade, quirido.


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