Juiz “ladrão”?

Justiça se lhe faça: — roubou da maneira mais desenfreada e imparcial os dois quadros. Ao soar o apito final,os 22 jogadores partiram para cima do ladrão. Mas o gângster já se antecipara, já estava pulando muros e galinheiros. Era uma figurinha elástica, acrobática e alada. Isto foi em 1917. O juiz gatuno está correndo até hoje. 

(crônica “O juiz ladrão”, de Nélson Rodrigues, no jornal Manchete Esportiva de 31 de dezembro de 1955. Está na coletânea de crônicas dele no livro À sombra das chuteiras imortais)

 

Célio Amorim prejudicou o Avaí contra o Criciúma e ninguém discorda disso. Além do pênalti sobre Marquinhos não marcado – o que lhe rendeu a famosa geladeira por parte da Federação -, não expulsou Matheus Ferraz, do Tigre, que já tinha cartão amarelo e acertou um atacante avaiano com um carrinho violento aos 27 minutos do segundo tempo. Interferiu no placar da partida.

Não é a primeira vez que um árbitro prejudica o Avaí. Nem será a última. Como zilhões de vezes árbitros beneficiaram o Avaí. E beneficiarão outras vezes.

Mas o torcedor, que grita, esperneia e esbraveja quando seu time é roubado, é cego, surdo e mudo quando seu time é ajudado por um erro de arbitragem. É assim com todas as torcidas. E é assim a nossa. A gente sempre lembra do pênalti que não marcaram contra a gente, mas finge que não viu, ou esqueceu, aquela expulsão injusta do adversário. É o fanatismo, que cega, ensurdece e emudece.

Posso escrever uma Bíblia citando lances em que o Avaí foi prejudicado. E outros em que foi beneficiado. Já que falamos em Criciúma, em 2011 um jogador deles foi expulso na Ressacada sem ter feito falta alguma – Marquinhos tropeçou nos próprios calcanhares, se jogou, e o árbitro Raimundo Nascimento foi na dele. No mesmo jogo, o Tigre teve um gol mal anulado (impedimento inexistente) quando a partida estava 0x0 (acabou 2×2).

Em 2009, empatamos um clássico com gol impedido do Émerson – tava um ombro à frente, mas tava. Em 2010, Célio Amorim, vejam só, não marcou um pênalti contra o Metropolitano contra nós lá em Blumenau (eu fui a esse jogo. Ganhamos por 2×1 aos 49 do segundo tempo) num lance em que um defensor do Avaí bloqueou um chute com o braço na pequena área. Na final, contra o JEC, tudo bem que já estava tudo quase decidido pelo 3×1 no jogo de ida, mas o primeiro gol do Avaí na partida de volta foi marcado em um impedimento escandaloso do Roberto.


Tem muito chororô aí, mas o lance “3” ali foi pênalti fácil. Celinho nos ajudou.

E, claro, como disse, já fomos prejudicados muitas vezes. Na final de 2009, o Marcus Winícius foi expulso três segundos depois de o Cadu, da Chapecoense, acertar uma cotovelada no Ferdinando que era impossível o Luiz Orlando de Sousa não ver. Num clássico em 2010, Jeovânio deveria ser expulso e não foi. No primeiro jogo da final de 2010, Samuel, do Joinville, fez falta em Roberto quando o atacante avaiano ia entrar sozinho na área. Deveria ser expulso, segundo o próprio Samuel falou às rádios depois do jogo. Se minha memória não falha, nem amarelo levou.

Falar em perseguição, em teoria da conspiração contra o Avaí, pra mim, é coitadismo. E meu clube pode ser tudo, menos um coitado, quando se fala em futebol catarinense. O torcedor tem a mania de que seu time é perseguido, que é sempre “contra tudo e contra todos”, mas, olha, com raras exceções, é exagero e visão distorcida dos fatos. Vejam o Celinho. Segundo os dados do historiador Spyros Diamantaras, que abastece os veículos oficiais de comunicação do Leão, nossa campanha com o Célio Amorim é positiva: 15 vitórias, 12 empates e 12 derrotas. Ué, mas ele não rouba a gente? Não persegue a gente?

Erros vão acontecer sempre, a favor ou contra, ainda mais em se tratando de arbitragem catarinense, cujo nível é baixíssmo – é só ver as lambanças que nossos árbitros fazem quando apitam partidas do Campeonato Brasileiro, causando horror em torcidas de outros estados.

Se existe sacanagem? Bom, tem os Edílsons da vida aí para mostrar que sim. Mas não acredito que seja o caso. É só lembrar que ganhamos três dos últimos quatro estaduais. Com erros e acertos contra nós.

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