Por estaduais mais racionais

A partir de hoje, estou viajando e, por isso, deixei programados textos que não terão, assim, tanta factualidade. Volto na semana que vem.

Eu gosto bastante do Campeonato Catarinense, pois é a oportunidade que tenho de acompanhar o Avaí mais vezes em pouco tempo. Além da Ressacada, a gente pode ir rapidinho em Brusque, Blumenau, Criciúma, Jaraguá do Sul etc. e ver o Leão ao vivo. Além de assistir ao jogos, vale a pena para comer e beber bem no interior de Santa Catarina, o melhor lugar do mundo que conheci até agora para fazer essas coisas. No Campeonato Brasileiro, fica muito mais difícil acompanhar o nosso time pelo Brasil afora. Faltam tempo e dinheiro.

No entanto, reconheço que o estadual é, financeiramente, um atraso de vida para os grandes clubes, que poderiam ganhar mais grana jogando torneios nacionais, fazendo amistoso no exterior etc. Disse certa vez o jornalista inglês Tim Vickery, que cobre o futebol sul-americano para a BBC, os estaduais no Brasil são o “rabo abanando o cachorro”, pois, na visão dele, a existência desses torneios sugere que os clubes pequenos têm mais força política que os grandes por aqui.

Faz algum sentido, se ignorarmos o lado “cultural”. Os estaduais são os torneios mais antigos do futebol brasileiro, algum com mais de 100 anos. O Brasil não é a Alemanha, nem a Inglaterra, nem a Espanha, onde pode-se cruzar o país inteiro em 500km. Num país continental, onde torce-se mais por títulos (“Faz time que eu vou ao campo!”) que por times, os estaduais são talvez a única a oportunidade de vários clubes e torcidas comemorarem títulos. Não só os pequenos. Sem os estaduais, o Atlético Mineiro teria quatro títulos, o Botafogo, três, o Avaí, um, e o Figueirense… nenhum.

Acho que os estaduais têm sua importância para o Brasil e sou contra importar modelos prontos de fora, seja de qualquer coisa, inclusive futebol. Temos a nossa história e nossas tradições. Acabar com os estaduais em nome de ter clubes grandes mais ricos e globalizados: é o que queremos?

O que acho é que os estaduais poderiam ter outro formato. Em vez de Avaí, Criciúma, Joinville e Chapecoense disputarem quatro meses de campeonato contra os Guaranis e Metropolitanos da vida, poderiam entrar apenas na fase final da competição, com, por exemplo, mais três times vindo da primeira fase, disputada pelos Guaranis e Metropolitanos da vida. Aí, faz dois quadrangulares, semifinal e final e, em vez de 22 datas, os grandes terão gasto apenas 10 datas com o estadual. Dá um mês e meio a menos de jogos, considerando duas partidas por semana.

É só uma ideia, como podem existir muitas outras, mas acredito que os estaduais deveriam ser reformulados e, principalmente, ocupar menos tempo dos clubes grandes. O que ocorre, no entanto, é justamente o contrário: eles estão cada vez maiores. As Séries A e B em 2013 começam só na última semana de maio. Em 2006, primeiro ano do Brasileirão de pontos corridos com 20 clubes, elas começaram em 15 de abril… A continuar nesse ritmo, em breve voltaremos aos anos 1970.

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