O ídolo humano

A palavra ídolo tem origem grega e seu significado original era “simulacro”. Era usada inicialmente para designar um objeto que representava uma entidade adorada espiritualmente/religiosamente. Hoje usamos a palavra ídolo para nos referirmos a pessoas – humanizamos a palavra.

E neste sábado os avaianos despedem-se de um ídolo que foi talvez um dos mais humanos da história do clube. Humano no sentido de ser contraditório, sujeito a acertos e falhas, sem deixar de ser genial e surpreendente. Se as divindades idolatradas por meio de objetos muitas vezes são perfeitas e infalíveis, esse não é o caso de Evando, O Iluminado. Nem por isso ele deixa de ter o peso que tem na história do nosso clube.

Evando chegou ao Avaí pela primeira vez em 2004. Nesses oito anos, teve cinco passagens pelo clube, revelando uma “síndrome do bicho carpinteiro” que o tornou incapaz de parar na Ressacada por mais de 10 meses seguidos (2008-2009). Ama muito o Avaí, a torcida, a cidade, mas quando foi pra trocar o Sul da Ilha por qualquer outra paragem, sejam as Arábias ou a Ponte Preta na Série B, não pensou duas vezes. Deve ser o tal de profissionalismo.

O resultado é que Evando é um ídolo de números nada sensacionais. Parece que ele fez uns mil jogos pelo Avaí, mas foram apenas 116, segundo o historiador Spyros Diamantaras. O número de gols marcados por ele foi 44. Só em meio ano em 2008, Vandinho fez 27.

Acontece que Evando não é um ídolo perfeito, daqueles que no imaginário do torcedor ama o clube acima de todas as coisas. Quando quis sair pra fazer o pé-de-meia, o fez, mas toda vez que entrou em campo com o manto azul-e-branco, sempre deu seu melhor. Também não é um ídolo “quantitativo”, de números impressionantes. É um ídolo “qualitativo”. Se não está entre os maiores artilheiros da história do clube, marcou alguns dos gols mais importantes da história do Leão da Ilha.

Como esquecer a Série B de 2004, com Evando carregando o ataque avaiano nas costas depois da lesão de Tico? Ou o Catarinense de 2007, quando ele liderou um time horroroso a uma reação no segundo turno que quase nos levou à decisão. Mas como esquecer, principalmente, a Série B de 2008, com seus gols e lances decisivos e incríveis contra Corinthians, Ponte Preta, Marília, Brasiliense…?

E ainda teve um bonus track no estadual de 2009, com um Evando apagado em 90% do torneio, mas aparecendo decisivamente na hora de nos classificarmos para o quadrangular semifinal (fez um gol importante na vitória de virada sobre o Metropolitano em Blumenau) e de acabarmos com um período de quase 11 anos sem título (fez o primeiro gol, sofreu a falta do segundo e deu o passe pro terceiro na virada com 10 em campo contra a Chapecoense na final).

Por aparecer nos momentos mais importantes, por dedicar-se, por nos trazer um pouco de magia (seu passe de calcanhar pro gol do William contra o Marília em 2008 é dos lances mais geniais já vistos num jogo de futebol), Evando é esse ídolo imperfeito, sensacional e humano em todos os sentidos que será justamente homenageado pela torcida avaiana no sábado.

Só nos resta agradecer. Obrigado por tudo, Evando.

Foto: Alceu Atherino/Avaí F.C.

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