Realismo fantástico

Trecho da entrevista do presidente Zunino ao Diário Catarinense, da sempre mui parceira RBS, no domingo:

A receita caiu mais de um terço. Em 2011, ela chegou a R$33 milhões e, neste ano, achávamos que chegaria aos R$22 milhões, mas não atingirá os R$15 milhões.

Ano passado votamos o orçamento 2012 no Conselho. Havia o orçamento de R$ 21 milhões, o “realista”, e o de R$ 35 milhões, o “otimista” que contava com a possibilidade de uma cota de TV de R$ 9 milhões dita de boca por um diretor da Globo. Quando perguntei, na hora de votar, qual dessas propostas iríamos votar, a resposta que me deu um diretor avaiano foi “vota-se a realista, mas podemos chegar ao otimista”.

Então tá. Aprovamos por unanimidade que o orçamento seria de R$ 21 milhões, podendo chegar a R$ 35 milhões. Eu duvidava que pudéssemos atingir essa proposta “otimista”, mas não imaginava quem nem a “realista” alcançaríamos. Parando em 15 milhões, significa que tivemos uma queda de mais de 50% na receita (57%, pelos meus cáuculos) de um ano para outro.

Mais adiante na entrevista, diz o presidente:

O problema é que, no meio do caminho, fui obrigado a fazer uma mudança e tirar o gerente de futebol Carlito Arini. Não fiz isso pela sua competência e falei para ele dois meses antes. O Carlito nos ajudou a ser campeão estadual, foi um dos grandes responsáveis, mas precisamos mudar e mudamos. Foi uma imposição que veio de fora.

Imposição “de fora”. De quem, ele não disse (e o repórter? Perguntou?). Seria a/o pareceiro/a? Se for, não deve ter injetado dinheiro no Avaí ainda, pois o orçamento, como visto anteriomente, diminuiu até em relação à perspectiva otimista. Agora, outro ponto da entrevista que gostaria de destacar:

Mesmo assim, quando assumi o Avaí, em 2002, a receita mal passava dos R$ 2 milhões. Quer dizer, mesmo diante de tantos problemas, conseguimos dar um salto grande.

É um avanço, mas me espantaria se, passados 10 anos, ainda estivéssemos com orçamento de R$ 2 milhões. Além da inflação, nesse período houve um evidente acréscimo no dinheiro que circula no futebol. O próprio presidente constata isso ao dizer que “Os valores gastos hoje no futebol estão fora da realidade”. Em 2008, nosso orçamento foi de aproximadamente R$ 8 milhões. Hoje, com R$ 15 milhões, quase o dobro, não conseguimos montar um time com a qualidade daquele que nos levou à Série A.

Para efeito de comparação, a Chapecoense, na Série C, tem orçamento estimado em R$ 5 milhões para 2012. E essa pesquisa feita pelo blogue Olhar Crônico Esportivo com 20 clubes que hoje estão nas séries A e B (o Avaí não está nela; o Figueirense, sim) apontou crescimento de 133% das receitas desses 20 clubes entre 2007 e 2011.

Só de cotas de TV o Avaí recebe hoje o mesmo que todo o orçamento de 10 anos atrás. Sempre lembrando que, em 2001, ficamos a um ponto da Série A. Não éramos, portanto, um clube sem série, como às vezes alguns querem fazer crer. E uma perguntinha final: em 2002, a dívida era de R$ 30 milhões, como agora?

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