A Síndrome da Ponte

Dizem que quando um profissional florianopolitano chega para trabalhar nas empresas de Blumenau, Joinville ou Jaraguá do Sul, é comum os colegas perguntarem: “ah, és de Florianópolis? E viesse pra ficar quantos meses?”. A pergunta ocorre pelo fato de, na visão do povo interiorano, os profissionais manezinhos passarem o tempo todo pensando em voltar para a Ilha, mesmo que seja para ganhar menos. Quem me contou essa história foi um colega de trabalho, mané da Ilha, que passou os últimos 25 anos trabalhando em Blumenau e agora está em Jaraguá do Sul. E, segundo ele, o seu caso é uma raríssima exceção.

Acho que, ao bandear-se para o continente, os manezinhos sentem falta do ar da Ilha, desse cheiro de mar, do vento sul na cara, de olhar para o horizonte e ver nem que seja uma poça de água. É quase uma enfermidade, tanto que, em inglês, esse sentimento de saudades de casa é chamado homesickness, sendo que home é “lar”, “casa” ou mesmo “terra natal” e sickness pode ser traduzido como “mal-estar” ou “doença”.

Pois nosso time, como bom manezinho, também sofre de homesickness. Ou poderíamos dizer que é a “Síndrome da Ponte”, pois basta o Avaí cruzar o oceano, seja por terra ou por ar (ponte aérea, rá!), para os resultados desaparecerem. Os sintomas são mais fortes em competições nacionais, porque pra ganhar fora de casa no estadual não precisa tanto esforço.

Se quiser voltar a sonhar com acesso, o Leão vai ter que superar essa moléstia. Mesmo que vença as três próximas partidas, provavelmente não entrará no grupo dos times que ascenderiam à Série A. Portanto, não sei se dá para considerar o empate em Curitiba amanhã um bom resultado. A vitória é fundamental.

Até hoje, o Avaí fez sete partidas fora de casa na Série B, com uma vitória, dois empates e quatro derrotas. Apenas 23,8% de aproveitamento. Dos nossos 17 pontos conquistados, 70,5% foram ganhos na Ressacada. Nos últimos três confrontos longe da Ilha, foram três derrotas por 2×0 (Vitória, CRB e Goiás).

Claro, não é algo específico desse time. Pro Avaí, ganhar fora no Brasileiro costuma ser difícil. Mesmo na campanha do acesso em 2008, nosso retrospecto fora de casa não foi nada fantástico: quatro vitórias, oito empates e sete derrotas, totalizando um aproveitamento de 35%. Esse dado contrasta com os 82,4% de aproveitamento que tivemos na Ressacada naquele ano (14 vitórias e cinco empates). Para efeito de comparação, o Santo André, que fez um ponto a mais que o Avaí em 2008 (68×67), teve aproveitamento de 43,8% fora de casa.

Se serve de apoio moral, na última vez em que o Avaí esteve na Vila Capanema, bateu o Paraná por 1×0, gol de Jef Silva. Caso esse resultado se repita amanhã, é goleada. Depois, teremos dois jogos em casa, contra Ceará e ABC, e o G4 poderá ficar mais perto.

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