Um Maria indeciso

E vendo o povo confuso
Que terrível, cada vez mais lhe seguia
Fugiu pra floresta sozinho
Pra Deus perguntar pra onde ia

(“Um messias indeciso“, de Raul Seixas)

Nas trocentas horas de voo que separam Maceió de Florianópolis tenho quase certeza de que passará pela cabeça de Hémerson Mourinha* a dúvida: Nunes, Felipe Alves, Diogo Acosta, Laércio, Capixaba, Evando ou 4-6-0? Chegamos a 10 rodadas da Série B e o Avaí tem míseros 11 gols marcados, dos quais a incrível quantia de TRÊS foram anotados por atacantes. Um deles por Felipe Alves, contra o Joinville, em completo impedimento.

Nunes chegou ao Avaí em fevereiro, como uma grande e acertada contratação, e tem dois gols marcados em cinco meses (o terceiro gol dele, na verdade, foi contra, de Fabiano, da Chapecoense). Felipe Alves começou bem, com cinco gols nos primeiros quatro jogos. Aí, nos últimos 10, só marcou dois. Diogo Acosta também começou arrombando, com dois gols nas duas primeiras partidas. Nas últimas três, só pixotadas.

Desempenho tão soberbo tem causado dor-de-cabeça no nosso messias, aquele que nos tirou das trevas e nos levou à terra prometida. Com tantas opções e nenhuma ao mesmo tempo, ele tem mudado o setor ofensivo jogo após jogo. Bota o Patric na frente, joga o Julinho pra ponta esquerda, mete o Felipe Alves, tenta o Jéferson Maranhão na direita, tira o Nunes, põe o Nunes e continuamos dependendo de lampejos do Cléber Santana para ganhar partidas.

Sabemos a escalação de cor até o terceiro jogador do meio campo (Cléber). Dali em diante, mistério…

Em determinado momento do primeiro tempo contra o CRB, o Avaí passou dos 60% de posse de bola, essa estatística outrora irrelevante e que agora é atualizada por narradores e comentaristas a cada dez segundos de partida. O Leão tocava bem, passes de pé em pé, até chegar à intermediária ofensiva. Nesse espaço do campo habitado por centroavantes molengas e pontinhas milongueiros vestidos de azul qualquer jogada até então bem trabalhada virava pó. A cada tentativa de ataque, me vinha a imagem de nove jogadores construindo um belo castelo de cartas e Nunes e Diogo Acosta, só de sacanagem, puxando as cartas da base pra ver tudo ruir.

Essa foi a tônica de mais uma derrota do Avaí fora de casa, a terceira em seis partidas, que nos deixou exatamente na meiúca da tabela de classificação. Depois de tomar o 1×0 numa falha do até ontem infalível Leandro Silva (rabou na hora de cortar o cruzamento), Hemerson Maria perdeu-se. Tentou a vitória colocando atacantes em campo. Ora, tudo que o Avaí não precisa para fazer gols são de atacantes. Felipe Alves, por exemplo, entrou em campo e nos fez lembrar que nem todo mundo é Marcílio ou Metropolitano. Chance clara mesmo, nenhuma. No fim, Aloísio Chulapa, ex-Brusque, 37 anos, fez o que nenhum dos nossos consegue: gol.

Mas Felipe Alves, ex-matador da Penapolense, e Diogo Acosta, ex-artilheiro do São Bernardo, ainda têm a desculpa de que são apostas, e aposta pode dar certo ou errado. Já Nunes, aquele centroavante xarope, que incomodava as defesas na época de Santo André, não sei onde anda. Esse Nunes do Avaí não faz pivô, não dá passes pra gol, não faz gols, não cabeceia, não marca e não corre. Tirando isso, até que o resto faz tudo bem.

Nossa torcida é para que os (H)Émersons encontrem uma resposta até terça-feira. Vem aí o Atlético Paranaense, que até outro dia estava na zona de rebaixamento e hoje está À NOSSA FRENTE. Depois tem o Goiás. Não dá nem tempo pra respirar. E não é que a solução pode ser o Evando? Ave Maria…

*copyright Eduardo Roberge Goedert

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