O campeonato dos sonhos, 1a. semifinal

Depois de duas disputadíssimas fases, o Campeonato dos Sonhos chegou à semifinal. Ambos os jogos na Ressacada, claro. Mesmo depois de 28 partidas, o gramado continuou impecável, graças ao trabalho do Ademir (que, na verdade, chama-se Adenir), o guardião da relva azurra.

O público não foi o esperado, diante da grandeza dos dois espetáculos. Especula-se que tenha sido pelo preço dos ingressos, pelo trânsito, porque era dia de praia ou por causa do Miguel Livramento e dos blogueiros corneteiros. Ou por tudo isso junto. Ou por nada disso. O fato é que 4 mil pessoas dispuseram-se a ir ao estádio ver os jogos. Nem mais, nem menos.

A partida de abertura foi entre o Avaí 1945 e o Avaí 1988. Sergio Lopes, treinador do time dos anos 80, usou como estratégia motivacional na preleção uma manchete que dizia “Vai dar, Chocolate?”. “Olha lá, a imprensa já tá dizendo que eles vão ganhar de goleada! Nós vamos deixar isso?”, esbravejava. Na verdade, Chocolate era o meia da equipe da década de 1940 que era dúvida pra o jogo. Mas tudo bem, pra motivar o time vale tudo.

Foi, talvez, a partida mais bonita de todo o campeonato. Duas equipes de muita técnica, disputando um jogo franco, aberto. Parecia tênis: a torcida tinha que virar o pescoço de um lado para o outro o tempo todo. Lá e cá. Claro que o primeiro gol não demorou a sair. Aos 12 minutos, Nizeta e Felipinho tabelaram, fizeram “dois-contra-um” pra cima de Netinho, Felipinho cruzou e Saul antecipou-se a Maurício e abriu o placar com um toque de letra. Apesar de fortes emoções, os goleiros Fossati e Adolfinho impediram que mais gols saíssem. No intervalo, 1×0 para o time de 1945.

Em busca da vitória, o time de 1988 voltou com Mendonça no lugar de Belmonte. Mais ofensivo, mas também mais vulnerável. Solto na meiúca, Chocolate avançou até a intermediária e soltou o foguete, rasteiro, no canto direito de Fossati. O uruguaio esticou-se e conseguiu chegar à bola, mas deu rebote. Nizeta veio na corrida e ampliou: 2×0. Festa da torcida do time de 1945. Festa contida, claro, porque a turma já não tem mais idade pra muito agito.

Todo mundo imaginava que o time de 1945 só sabia fazer uma coisa: atacar. Mas com 2×0 no placar, a equipe do tetracampeonato estadual recuou e passou a defender-se ferozmente. Fateco e Tavinho espanavam qualquer ameaça ao gol de Adolfinho. Marcos Severo, coitado, mal tinha tempo pra respirar quando tocavam para ele. “O time de 1945 ganhou a meia-cancha”, repetia um certo comentarista a cada cinco minutos. O mesmo comentário que fez nos 10 jogos anteriores que comentou. Mas tudo bem, segue o baile.

A verdade é que o time de 1945 mostrou que era realmente muito bom, não apenas ofensivamente. Quando Adilson Heleno conseguia um espaço para finalizar, lá estava Henrique colado nele. Felipinho, Nizeta e Bráulio voltavam até o meio-campo quando o time estava sem a bola, deixando “só” dois atacantes lá na frente, esperando o contra-ataque. Um banho de tática e um espetáculo interessante para quem achava que o futebol nasceu há 20 ou 30 anos e que antes era um bando de loucos correndo para todos os lados. E foi um desses contra-ataques, já nos acréscimos, que definiu o placar.

Chocolate roubou a bola de Adilson Gomes na intermediária do time de 1945. Levantou a cabeça e viu Tião e Saul abertos, um em cada ponta. Tocou para Tião, que partiu antes da linha do meio do campo. O atacante avançou livre, driblou Fossati na entrada da área e só teve o trabalho de empurrar para as redes. 3×0. Ainda teve um último lance, uma cobrança de falta de Flávio Roberto que todo mundo diz que entrou e furou a rede, mas Dalmo Bozzano disse que foi tiro de meta. Como já tava 3×0, o time de 1988 nem reclamou muito.

No dia seguinte, o mesmo jornal estampou a manchete: “Deu chocolate”.

Como foi a segunda semifinal, entre o time de 1975 e o time de 2009, eu conto na semana que vem.

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