O campeonato dos sonhos, parte 2

O campeonato dos sonhos chegou às quartas-de-final. Quatro flamantes jogos entre times do Avaí campeões estaduais na Ressacada lotada e toda pintada de azul.

O primeiro confronto foi entre o Avaí 1945 e o Avaí 1926. Por serem os times mais antigos ainda na competição, entraram em campo sob gritos de “ol, ol, ol, que cheiro de formol!” vindo das arquibancadas. Fateco, zagueiro do time dos anos 1940, fez gestos nada educados para o grupo de torcedores que gritava isso, todos devidamente apoiados no parapeito do setor A.

O “jogo dos velhinhos” começou alucinante. Com mais atacantes que defensores, ambas as equipes criavam chances a toda hora. Não fosse a competência dos goleiros Boos e Adolfinho, o primeiro tempo terminaria uns 17 x 17. Acabou 2×1 para o time de 1945. Na segunda etapa, ambos os times começaram a arrastar-se depois dos 15 minutos: o preparo físico deles não era o mesmo das equipes mais modernas.  No fim, com as defesas já arriando, a partida acabou 6×3 para o time de 1945. Aldo e Bida, defensores de 1926, não conseguiram para o trio Saul-Nizeta-Felipinho.

A segunda partida das quartas-de-final reuniu o Avaí de 2009 contra o Avaí de 1997, debaixo de chuva. O destaque foi o duelo entre Régis e Marquinhos na meiúca. Com suas meias arriadas, Rejão não deu arrego a Marquinhos, que passou 87 minutos sem tocar na bola. A partida encaminhava-se para o empate, 1×1. Jacaré abriu o placar recebendo cruzamento de Itá na pequena área. O empate veio com Émerson, de cabeça. Eis que, aos 42 da segunda etapa, o lance fatal.

Régis foi apanhar a caneleira que havia caído no gramado depois de um carrinho que ele deu em William. Com esse segundo de distração do volante, Marquinhos tocou na bola pela primeira vez na partida, no lado direito do ataque. Viu Evando na área e cruzou. A bola veio à meia-altura, mas o Iluminado pegou de primeira, numa quase-bicicleta. A finalização foi sem muita força, mas bem no cantinho, sem chance para Carlão. 2×1 pro time de 2009. Não houve mais tempo para reação.

Terceiro jogo. Avaí de 1975 contra Avaí de 2012. Confronto equilibrado, decidido no detalhe. E o “detalhe” foi Zenon. Ainda sem bigode, aos 23 do segundo tempo, o meia tabelou com Badu no meio-campo, passou por Mika e chegou na intermediária ofensiva, onde teve que encarar Bruno. O guerreiro volante deu o bote, mas Zenon foi rápido e conseguiu cortar para a direita. Bruno trombou com ele, mas o meia manteve-se em pé. Patric veio na cobertura. Tomou um drible por entre as pernas.

Zenon foi ao fundo e cruzou. A boa zaga de 2012 estava mal posicionada. Juti aproveitou e, colocado entre Leandro Silva e Renato Santos, cabeceou sozinho para o gol, no canto inferior esquerdo do goleiro. Diego ainda tocou na bola, mas ela bateu na ponta de seus dedos, na trave e entrou. 1×0. O time de 1975 avançou.

O último jogo das quartas-de-final reuniu o Avaí de 1988 e o Avaí de 2010. Ficou claro que, na soma dos talentos, o time mais antigo era melhor. Mas a equipe de Péricles Chamusca desempenhava um jogo taticamente perfeito e levava perigo nos contra-ataques. Foi num deles que Davi lançou Roberto. O The Flash ganhou de Rodrigues na corrida e tocou na saída de outro uruguaio, Fossati, para abrir o placar.

O 1×0 persistiu até os 38 minutos da segunda etapa. A pressão do time de 1988 era enorme. Num bololô na área, Flávio Roberto dividiu com Rafael, e a bola subiu mais ou menos na altura da cabeça do volante. De costas para o gol, ele não pensou duas vezes e deu uma bicicleta. Era um lance difícil, pois ele estava na quina da grande área, longe do gol. A bola foi no ângulo, bateu na forquilha e entrou. 1×1.

Com o empate, a partida foi para a prorrogação. E seguiu empatada até os 118 minutos, faltando dois para a decisão da vaga ir para os pênaltis. Marcos Severo foi derrubado por Marcinho Guerreiro na intermediária de ataque do time de 1988. A falta foi longe do gol, uns 40 metros de distância, mas Adilson Heleno ajeitava como se fosse bater direto. Até que o povo nas arquibancadas percebeu: Caramba, ele vai bater direto!. Zé Carlos não pediu barreira. Adílson tomou distância e olhou para o gol. Correu. Deu uma pancada com sua canhota venenosa. A bola foi forte e com efeito. Zé Carlos pulou o máximo que pôde, mas ela foi no ângulo. Golaço. 2×1. O time de 1988 avançou.

No sorteio, ficou definido que as semifinais seriam Avaí 1945 x 1988 e Avaí 1975 x Avaí 2009. Como foi, eu conto na semana que vem.

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