Soberbo e soberano

Texto meu publicado na terça pelo blogue gaúcho Impedimento, que trata de futebol sul-americano em geral. O mote é parecido com o texto que publiquei aqui na segunda, mas mais “encorpado”. O público-alvo é majoritariamente gaúcho.

Depois de meter 3×0 no jogo de ida, somente uma hecatombe tiraria o título estadual do Avaí. Esse desastre de proporções bíblicas poderia ocorrer com mais facilidade caso o Avaí entrasse em campo soberbo, no sentido figurado da palavra, ou seja, arrogante, prepotente, mas não foi o que aconteceu. Atuando como quem estivesse brigando pela vitória, o Leão venceu também a segunda partida e é hoje, sozinho, o “mais vezes campeão” de Santa Catarina.

A semana mais longa da história de Florianópolis foi marcada por mobilização de clube e torcida do lado alvinegro da Força no melhor estilo “vai dar, porra!” e por um Avaí na moita, só observando a movimentação do outro lado. No sábado, aproximadamente 4 mil torcedores do Figueirense foram apoiar o time num treino. No mesmo dia, cerca de 2 mil avaianos fizeram carreata pelas ruas de Florianópolis e foram até o hotel onde o time estava concentrado para incentivar a equipe.

Os torcedores de ambos os lados estavam em chamas. Mas os times, quanta diferença…

Soberbo é a palavra que melhor define o Avaí no jogo. Não naquele sentido figurado do primeiro parágrafo, mas no literal, de maravilhoso ou imponente. Com 15 minutos de partida, perguntávamos se era o Avaí que precisava meter três gols de diferença para levar a decisão para os pênaltis. O time de Hemerson Maria, técnico dos juniores até 50 dias atrás, não mudou seu estilo de atuar, mesmo com a vantagem. Com uma defesa predadora (a melhor do campeonato) e um ataque tinhoso, foi para cima e, não que tenha sido um amplo domínio, mas teve as melhores chances diante de um Figueira que, diferentemente de seu torcedor, que lotou o Scarpelli, não entrou em campo com sangue nos olhos. No intervalo, 0×0.

Dois para o Cléber? Pouco

A segunda etapa veio e, com o desespero alvinegro, mais espaço para o Avaí. Aos 13 minutos, saiu o primeiro gol, em pênalti (duvidoso) cobrado por Cléber Santana, o craque do campeonato. Detalhe: o camisa 10 do Avaí havia perdido as TRÊS cobranças anteriores que havia feito na competição. Aí, foi-se a vaca alvinegra pro brejo com corda e badalo. Seriam necessários quatro gols para ir para os pênaltis, ou cinco para serem campeões. Enquanto torcedores do Figueira começavam a deixar o estádio, Laércio, vulgo “Carreirinha”, entrou livre, leve e solto na grande área alvinegra e meteu o 2×0. Agora, pausa para explicar o apelido do cara.

“Carreirinha”, segundo dizem no Avaí, é porque o guri era driblador na base, e saía fazendo fila, ou “em carreira”, como dizemos aqui (e talvez no resto mundo, não sei). Mas claro que logo surgiram teorias de que seria porque o rapaz seria chegado numa daquelas carreiras que o Maradona também adora(va?). No entanto, lembro de um jogo em que o repórter perguntou pra ele o significado do apodo, e o atacante saiu com essa: “Pois é, eu sei que dizem que é porque eu faço coisa errada, mas eu não sou disso não, senhor, sou TEMENTE A DEUS”. Fica a primeira versão, então.

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Briga pela bola, policial de espingarda(?) dentro de campo e bandeirinha coxuda. O futebol catarinense é divertido

Bom, mas se Deus perdoa, Laércio não, e com o 2×0 no placar os primeiros champanhes começaram a ser abertos no Sul da Ilha. O Figueirense ainda diminuiu nos minutos finais, com Jean Deretti – que o Sportv chamou de DERRETE -, o famoso “gol de honra”. E ficou tudo assim, no 2×1.

Vocês devem ter percebido minha descrição rápida e rasteira do jogo, sem muita emoção. É que a final foi assim. Com todo respeito, mas o Figueirense não apareceu pra jogar, a não ser por uns 20 minutos no início do primeiro jogo. O placar de 5×1 no agregado (3×0 na ida, 2×1 na volta) mostra o quão pouco equilibrado foi o confronto.

Com a vitória nos dois turnos da decisão, o Avaí chegou ao décimo sexto título estadual, recuperando a alcunha de “o mais vezes campeão”, que lhe pertenceu até 2003, e voltou a reinar soberano em Santa Catarina. De quebra, ganhou do rival em um mata-mata do estadual pelo terceiro ano seguido. A conquista tem muito a ver com a entrada de Hemerson Maria no comando da equipe. Antes dele, foram 7 vitórias, 1 empate e 6 derrotas. Depois dele, 6 vitórias, 2 empates e nenhuma derrotinha.

O Figueirense, que terminou o campeonato com dois pontos somados a mais que o Avaí, perdeu o título, em parte, por problemas físicos com seus principais jogadores. Aloísio e Júlio César, a melhor dupla de ataque de Santa Catarina, chegaram à decisão “baleados”. O primeiro disputou apenas 20 minutos da primeira partida e saiu. O segundo, que estava lesionado e só voltou para a final, esteve presente nos dois jogos, mas não foi nem sombra do jogador que apavorou defesas na Série A de 2011.

Com a perda do título, o Figueirense tirou um grande peso de suas costas: Branco foi demitido. Argel, ex-zagueiro do Inter e que dirigiu o Joinville no estadual, vem para o seu lugar. No sábado, começa a Série A pro Figueira, contra o Náutico em Florianópolis, e a B pro Avaí, pegando o Boa na capital brasileira dos ETs.

As fotos são do site oficial do Avaí

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