Vida de gado

Ontem eu fiquei 7h de pé (das 6h às 12h55, pra ser mais exato), sob o sol, na fila para comprar ingressos para o clássico de domingo. Quando faltavam cerca de 30 pessoas para chegar a minha vez, um policial militar informou que os ingressos haviam acabado. Claro que foi uma enorme decepção. Tão perto que estava… Mas isso é, de longe, o de menos.

Porque se fosse só isso, eu pensaria “bom, devia ter chegado às 5h, ou dormido aqui, como fez o @deividyavai, um dos seres mais doentes pelo Avaí que conheço”. Faz parte. Acontece que não foi bem assim. Chegando às 6h da manhã, 3h antes do início das vendas, em condições normais de temperatura e pressão, eu conseguiria ingressos facilmente, pois quando cheguei não havia nem perto de 400 pessoas na minha frente. E como o limite é de 5 ingressos por pessoa, se numa situação hipotética todos comprassem cinco, não chegaria a 2 mil (a carga, oficialmente, era 2.014).

Mas o que se viu na venda dos ingressos foi um festival de desorganização e falta de educação, ou, como disse um amigo (que conseguiu ingresso), a maior situação de “terra sem lei” que ele já viu na Ressacada. Três pobres eguranças tentavam conter a turma (acredito que umas 3 mil pessoas tenham ficado na fila). Quando já eram quase 9h, chegou o policiamento: quatro PMs. O resultado disso tudo foi que torcedores, alguns vestindo uniformes de torcidas organizadas (sim, mais de uma), que zanzavam pra um lado e pra outro nas ruas enquanto eu e outros trouxas estávamos parados na fila de repente apareceram lá na bilheteria poucos minutos depois do início da venda dos ingressos. Será que o Mister M explica essa mágica?

Enquanto estávamos na mais demorada fila de todos os tempos (avançava uns 10 metros por hora), chegou a informação de que cambistas já vendiam ingressos a R$ 150. Mas cambista não é proibido, PM? Aquele reforçado contingente de quatro policiais não viu isso? E, depois, no início da tarde, encontro na internet anúncio de uma organizada de que ela estava vendendo ingressos na sua loja oficial, a R$ 50 para seus sócios (custa R$ 20 para se associar à T.O.).

O mundo é dos espertos, claro. Esses que ficam 7 horas na fila acreditando que vai ter 2.014 ingressos a venda, que vão ser 5 ingressos por pessoa, que vai haver organização na venda, bom, esses são trouxas.  Até tu, camarada que esqueci de perguntar o nome e estava bem à frente na fila, que saiu de Paulo Lopes às 4h50 da manhã. Trouxa.

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2 Responses to “Vida de gado”


  1. 1 Laura 10 de maio de 2012 às 16:25

    Felipe, por acreditarmos que as pessoas merecem respeito, educamos vocês para fazerem o que for correto (respeitar fila, pagar conta, ajudar a quem necessitar de uma mão amiga, honrar qualquer tipo de compromisso assumido, etc). E por agirmos corretamente, a nossa revolta em situações como essas, que ocorreu na venda dos ingressos, toma proporções maiores. Principalmente, porque pessoas se aproveitam da situação e, de forma ilegal (onde estava a polícia para coibir a venda por cambistas?) impedem que torcedores, que amam verdadeiramente o nosso AVAÍ, possam participar da corrente de apoio da torcida presente ao jogo. E tu, que acompanhasses o time em diversos municípios, que és conselheiro (pagando a mais para participar e ajudar o time), que apenas por motivos impeditivos não estás na Ressacada (fosses um dos 1700 e poucos no jogo contra o Marinheiro), que respeitasses a fila e todas as pessoas que ali estavam, não conseguisses o tão almejado ingresso para a grande final. Muito decepcionante! Que a administração do nosso AVAÍ, numa próxima oportunidade, respeite o seu torcedor, organizando a venda de ingressos de forma a possibilitar aos verdadeiros avaianos o acesso ao jogo.

  2. 2 felipefbs 11 de maio de 2012 às 12:00

    Também acho que poderia haver alguma vantagem ao sócio. Não sei se seria possível porque os ingressos, na prática, são do Figueirense (só se o Avaí comprasse e revendesse aos sócios, talvez, não sei como poderia funcionar).

    Sobre a educação, ainda vai demorar algumas gerações para mudarmos. Somos um país rico, uma das maiores economias do mundo, mas atrasadíssimos em índices sociais e educacionais e isso se reflete no nosso comportamento e “cultura” . Daqui a uns 100 anos, talvez mude.


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