Um clube indeciso

Toda vez que aparece alguém pedindo satisfações ou transparência para o Avaí, surgem também as vozes contrárias dizendo que o clube não deve satisfação nenhuma a não ser aos seus órgãos internos e, quando muito, a seus sócios. É uma visão, respeito e, por isso, tenho todo o direito de discordar. Discordo porque acho que o Avaí tem que decidir qual é a sua identidade.

O Avaí é popular, tem 500 mil torcedores segundo as pesquisas, externa isso com orgulho (“A maior e mais apaixonada torcida de Santa Catarina”), mas muitas pessoas dentro do clube e até torcedores acham (ou o que dizem e fazem me levam a crer que acham) que ele é um clubinho fechado, para uma meia dúzia, para os 200 e tantos conselheiros, para integrantes de famílias avaianas “tradicionais”, para a “elite” azurra, não tem? Portanto, deve satisfação apenas a esses. O avaiano que puxa rede na Armação do Pântano do Sul, que tem um box no Camelão de Campinas, ou que está lá, perdido e isolado em Xanxerê, Urussanga ou Braço do Trombudo, esse que se contente em saber apenas do resultado dentro de campo. O resto não lhe interessa.

Acontece que a internet – principalmente depois das redes sociais – potencializou o acesso das pessoas às informações. Elas estão aí, disponíveis, a um clique de distância. E nós queremos saber cada vez mais o que ocorre com as coisas que nos interessam, entre elas, o nosso time de futebol. Não é só com o Avaí, mas com todos os clubes. Procure blogues/fóruns/sites de torcedores de qualquer clube e verás gente leiga, torcedor de arquibancada, discutindo gestão, cifras, planejamento… Fechar-se dentro de uma casca, esconder informação é ir na contramão desse desejo de participação do torcedor.

Algumas vezes, o Avaí abre-se a todos. Isso ocorre em ações que apelam justamente para a participação do torcedor: “Nosso amor é azul”, “Paixão pra toda vida”, “Avaí, ame-o ou deixe-o” (eu inventei, ok, mas essa corrente de pensamento existe entre os avaianos). Quando o interesse é um, o Avaí comporta-se como uma fábrica de salsichas: o que é feito lá dentro e como é feito só interessa para quem está lá dentro. Nesses casos, o Avaí é descrito como uma instituição privada, que deve satisfação a poucos. Pior ainda é quando mercantilizam a paixão. Se pagou a mensalidade, se é sócio, merece satisfação. Se não pagou, cai fora, volta a capinar teu terreninho aí na Vargem Grande.

Mas quando o interesse é outro, o Avaí vende-se como a nossa paixão, como algo público, como nosso patrimônio, como uma Ponte Hercílio Luz, que pode estar caindo aos pedaços e sugando recursos a dar com pau, mas a gente não quer que vá abaixo de jeito nenhum, porque é nossa, faz parte da nossa história, da nossa identidade, mesmo que nunca tenhamos passado por ela. “Venha, participe, tu és importante, precisamos de ti”. Aí é que está a confusão. O que é o Avaí, afinal? É como a fábrica de salsichas ou como a Ponte Hercílio Luz?

Lembro sempre que o Avaí não tem dono, mas é uma sociedade civil com um presidente eleito na forma democrática escolhida pelo clube (no caso atual, eleito pelo Conselho Deliberativo; no futuro, espero, será pelos sócios) e que tem, na minha visão, nos seus órgãos internos (conselhos Deliberativo e Fiscal), nos seus sócios e torcedores, apoiadores e, ao mesmo tempo, fiscais das decisões da diretoria. Tudo isso com o um objetivo: o crescimento do clube no cenário futebolístico nacional e internacional. Por isso, deve satisfação a todos esses segmentos.

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